Paulo Cesar Paschoalini

Paulo Cesar Paschoalini
Pirafraseando

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

MINHA CRÔNICA:


A sorte mora num fim de mundo

Essa crônica foi publicada novamente em 27 de julho de 2015, em razão de ter sido um dos 7 textos selecionados dentre 176 inscrições para a modalidade "Crônica", e recebeu a 3ª Menção Honrosa no "XXXVIII Concurso Literário Felippe D'Oliveira - Edição 2015", da cidade de Santa Maria-RS.


O texto original foi corrigido e revisado, com a finalidade de ser enviado a esse tradicional certame gaúcho, que envolveu participantes de 15 estados do Brasil, além de países como Japão, Itália e Argentina, sendo que as alterações não mudaram substancialmente seu conteúdo.     

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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Este texto está disponível na intranet do Banco do Brasil > Acesse Sua Área > Cadernos > Palavras Cruzadas, publicado pela VITEC-Brasília em 09.04.2010 e acessível a mais de 100.000 funcionários.
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segunda-feira, 10 de maio de 2010

UMA CRÔNICA...


A boa e velha rotina

Sempre achei interessante a forma como cada um de nós lida com a rotina. Seja ela agradável ou não. Bem, rotina significa tudo igual sempre, algo monótono, chato. Já li algo sobre rotina, o texto dizia que rotina só é ruim quando nos aborrece, no entanto, quando temos uma vida agradável, com conforto e regalias esquecemos até que essa palavra existe, logo, o termo rotina só é utilizado pra relacionar tudo que torna nosso dia-a-dia desconfortável.

Sou estagiário do Banco do Brasil há seis meses, aproximadamente. Fiquei encantado quando recebi a proposta do estágio. Afinal, todo estudante universitário gostaria de estagiar no BB. A bolsa é boa, o horário é flexível, enfim...tudo de bom.

Resolvi escrever este texto após entrar em contato com a intranet e ler algumas crônicas postadas na rede por funcionários do banco. Achei fantástico e fiquei muito entusiasmado. Li alguns textos e fiz até um comentário, o qual foi respondido pelo autor. Nada melhor que escrever sobre a rotina para torná-la menos entediante. Imediatamente pensei: será que estagiários também podem escrever? Não que eu seja um escritor ou algo do tipo, apenas gosto de expor meus pensamentos através da escrita.

Nos últimos seis meses conheci pessoas muito capazes, mas que estão limitadas pelo desenho organizacional da instituição, mas isso é uma outra estória. Nos textos que li, vi pessoas que sonham com um mundo melhor, escritores, cronistas, ou indivíduos comuns que buscam retratar o cotidiano de forma irreverente e descontraída, fugindo do marasmo da rotina.

Enfim, parabenizo todos aqueles e aquelas que tornam o cotidiano mais alegre com seus textos e poesias, com música, com sorrisos e abraços carinhosos, com palavras de ânimo, respeito, com olhares sinceros e amizades verdadeiras। Que a força esteja com todos vocês.


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AUTOR: Gilberto de Lima Coelho Júnior -
Graduando em Administração de Empresas do oitavo semestre pela Faculdade São Tomaz de Aquino, em Salvador-BA, que possui convenio com o PROUNI.
Este texto está disponível na intranet do Banco do Brasil > Acesse Sua Área > Cadernos > Palavras Cruzadas, publicado pela VITEC-Brasília em 20.07.2009 e acessível a mais de 100.000 funcionários.

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COMENTÁRIO - Paulo Cesar Paschoalini:
O Gilberto é um cronista residente em Salvador-BA, e trabalhou como estagiário do BB e colaborador do caderno "Palavras Cruzadas". Gostaria de deixar registrado meu agradecimento por autorizar a publicação desse texto, que tem um significado muito especial. Foi a primeira crônica de autoria de um estagiário, publicada num espaço destinado a participação de funcionários. Muito embora não houvesse restrição a participação deles, foi graças a sua determinação que o Gilberto tornou-se pioneiro.
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sábado, 10 de abril de 2010

UMA CRÔNICA...



O sítio

Depois de três horas de ônibus estava de volta ao velho sitio da minha avó. As coisas mudaram muito, mas ela continua a mesma: forte e sábia, mais sábia do que nunca. Não me pegou no colo, é verdade, mas também não tenho mais três anos.

Três décadas se passaram, ela está mais grisalha. É o tempo, pondo umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens (já disse o poeta). Ela esta só, irremediavelmente só. O companheiro de tantos anos e tantas lutas ficou no caminho. Sempre os invejei, sempre procurei nos meus romances essa eternidade do enquanto dure. Meus avós conseguiram. Nos momentos mais difíceis, se fortaleceram, nas crises se uniram mais, nas maiores dificuldades sempre prevaleceu o respeito e o compromisso, quando faltou grana sobrou compreensão. Mas agora é só ela.

O sitio continua lindo. Nestes campos, não passou a reforma agrária. Talvez nem precisasse. Aqui a agricultura é familiar. A plantação é orgânica. Transgênicos e agrotóxicos são temas distantes deste cotidiano. As folhas e as frutas continuam caindo das arvores na época certa.

Cada palmo deste chão, cada árvore, cada canto deste espaço, são meus na minha imaginação. Vão comigo nos sonhos. Perambulam pelo mundo sem sair daqui. Estão sempre prontos para me receberem, independente do tempo que levou, da saudade que se acumulou.

De manhã o orvalho espalha a umidade no ar, que nos faz sentir mais acordados, mais despertos, mais vivos. E os primeiros raios de sol, nos convidam para o café que vai dar forças para o dia todo. Então quando vem a chuva, o cheiro da terra molhada me alegra e me faz querer jogar bola no campinho das traves de madeira. Estou novamente na minha velha infância.

Nessa infância construída com os pés no chão, fica fácil descobrirmos quem somos, o que queremos, aonde vamos. Somos filhos da Terra, irmanados no compromisso de sobrevivermos ou sucumbirmos juntos.

E a noite, quando o mundo parece mais longe e o grilo canta mais perto, um certo aperto no coração me faz lembrar da Cidade Grande. Das misérias que o homem faz com o próprio homem. Dos filhotes dos homens que dormirão nas calçadas. Dos pais de família que não dormirão até que um novo sol os chamem para luta.

O sítio é bastião contra as humanas dores do cotidiano. É fortaleza indevassável, esperança que o futuro e o progresso possam vicejar. Redenção das agruras da Cidade Grande.

Um dia talvez volte para ficar।
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AUTOR: Charles Alessandro Santos Martins
- Este texto está disponível na intranet do Banco do Brasil > Acesse Sua Área > Cadernos > Palavras Cruzadas, publicado pela VITEC-Brasília em 15.03.2010 e acessível a mais de 100.000 funcionários.
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COMENTÁRIO - Paulo Cesar Paschoalini:
O Charles é um cronista residente em Curitiba-PR, funcionário do BB e colaborador do caderno "Palavras Cruzadas". Gostaria de deixar registrado meu agradecimento por autorizar a publicação desse texto com qualidade e conteúdo poético execepcionais. Descrição maravilhosa e carregada de sentimento.
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quarta-feira, 31 de março de 2010

MINHA CRÔNICA:


Senhor da razão

Quando menino, lembro-me que o tempo passava devagar e, como toda criança, tinha pressa de crescer, de ficar adulto. Fui me formando nos chamados graus escolares e procurando galgar os degraus que a vida me apresentava. Alguns ainda almejo; outros, porém, nunca quis.


Dentre as coisas que ouvi na vida, uma das mais marcantes foi, sem dúvida, que nós devemos fazer do obstáculo um degrau e não do degrau um obstáculo. Entretanto, ninguém nunca me disse como fazer para seguir quando nossas passadas são muito menores do que o obstáculo a nossa frente.

Sou de uma família de descendente de italianos, composta por pessoas que têm o coração maior do que a própria estatura. Tenho a satisfação de me encontrar com irmãos, cunhadas e sobrinhos em quase todos os aniversários que eles completam.

Na questão profissional, entrei no Banco do Brasil há 30 anos, mas parece que nem faz metade desse tempo. Pude sentir de perto a desvalorização da profissão de bancário. Na empresa, conheci cerca de meia dúzia de indivíduos, cujas atitudes lamentáveis não pareciam próprias de ser humano, em especial no trato com subordinados. Porém, uma infinidade de pessoas maravilhosas, muitas delas meus amigos particulares, que compensaram a minoria mencionada. Trabalhei com gestores com tanta obsessão por números, que nunca se deram conta que lidavam com gente. Em contrapartida, administradores que atingiam com competência os objetivos do Banco, com prioridade no relacionamento pessoal. Dos primeiros eu mal lembro dos nomes; os demais são inesquecíveis.

Ao longo dos meus 50 anos, completados agora em março, fica fácil perceber que “homo sapiens” tem se tornado cada dia mais um ser tecnológico do que humano. É triste saber que, hoje em dia, a população de um determinado lugar é medida muito mais pelo número de consumidores em potencial do que propriamente pelo de habitantes. Vejo que, na ânsia por um consumo desenfreado, o mundo está sendo consumindo pela ansiedade. Sinto que o dinheiro é como um vírus capaz de até mesmo matar, mas as pessoas não se importam em viver em constante estado febril. Tenho observado que a paz tem sido o intervalo entre as guerras, quando deveria ser um estado de espírito. E o pior disso tudo, é que fica fácil constatar todas essas deficiências nos outros seres humanos, mas é relativamente difícil consertar os nossos erros, por menores que sejam.

A vida chegou a causar algumas feridas, muito mais internamente do que à flor da pele, mas todas já foram devidamente cicatrizadas pelo tempo. Sei que devo ter magoado muita gente e, mesmo sem ter intenção, não tive o devido tempo para me desculpar. Por outro lado, muitas me feriram também sem querer e, sendo assim, meu coração já se encarregou perdoá-las. Se parar para pensar com atenção, verei que maioria das pessoas que cruzaram o meu caminho nem sequer se deram conta da minha existência, assim como devo ter ignorado um número expressivo de seres humanos que permearam minha caminhada.

No que se refere à vida particular, tendo muito mais a agradecer do que pedir. Vivi emoções maravilhosas, dentre as quais eu destacaria o meu casamento e o nascimento de minha filha. Tudo isso pode parecer piegas, mas todas as noites sou grato por fazerem parte da minha vida e não me imagino mais sem elas. Olho o mundo à minha volta e vejo uma grande quantidade de pessoas que não conheceram os pais, ou não tiveram a oportunidade de conviver com eles. Eu, entretanto, chego aqui tendo ambos vivos, próximos de mim e, dentro do possível, com saúde. Considero que isso seja uma benção que deva ser agradecida continuamente. Entre os revezes da vida, sobrevivi a cada perda de entes queridos para depois, a cada dia, morrer de saudades de todos eles.

Como a sociedade gosta de rótulos, agora sou o que chamam de “adulto maduro”, ou “meia idade”. Estatisticamente, já passei da metade de minha trajetória, mas aprendi com a vida que não devo confiar tanto assim em dados estatísticos. Cansei-me de conceitos pré-estabelecidos, mas sei que vivo envolto numa atmosfera de ilusão ao pensar que estou começando a segunda metade. Talvez isso sejam coisas do tal instinto de sobrevivência.

Apesar de boa parte de meus cabelos brancos dizerem o contrário, sinto-me ainda um garoto. Freqüentemente rolo com minha filha pelo tapete da sala e fico em dúvida se isso agrada mais a ela do que a mim. Nos finais de semana, continuo a “bater uma bolinha” com os amigos e agradeço a eles pelo fato de me fazerem pensar que o que faço em campo ainda pode ser chamado de futebol. Sou grato também pela convivência com eles por mais de 20 anos. Assim como as redações do tempo de escola, sigo escrevendo meus textos e é bom saber que existem pessoas que se interessem em lê-los, agora sem me preocupar com notas, embora sujeitos a críticas.

Muitas vezes o menino que mora dentro de mim tem dificuldade em imaginar que cinco décadas já passaram pela retina. Pensava que a essa altura saberia tudo sobre a vida, mas vejo que sou um eterno aprendiz no que se refere ao mundo e, principalmente, a meu próprio respeito. Se eu tivesse que definir “meio século”, eu diria que é um período que passa depressa demais.

Para finalizar, certa feita li uma frase, que desconheço a autoria: “o tempo é o senhor da razão”. Pois constantemente reflito e questiono sobre seus propósitos. Acredito que esse tal “senhor” deva ter lá suas razões para insistir que a vida continue a me reservar ainda essas incontáveis emoções que me acompanham.
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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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- Este texto está disponível na intranet do Banco do Brasil > Acesse Sua Área > Cadernos > Palavras Cruzadas, publicado pela VITEC-Brasília em 09.04.2010 e acessível a mais de 100.000 funcionários.
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

MINHA CRÔNICA:


Mais do mesmo

Um novo ano começa e com ele mais uma edição do Big Brother Brasil, o famoso BBB, que a meu ver bobagem em dose tripla, ou outra coisa com “b” que o leitor entender que seja mais apropriada. E está em sua 10ª edição, portanto uma década de sucesso, segundo a emissora. Vamos por esse reallity show num recipiente e “espremer para ver se dá algum caldo”.

Primeiramente, é inevitável o questionamento a respeito do que faz desse tipo de programa um sucesso. Não se pode negar que a emissora sabe trabalhar muito bem a propaganda antes da estréia, gerando uma certa expectativa. Mas o que leva grande parte do público a fixar o olhar na televisão durante a exibição de programas dessa natureza?

O que se vê são diálogos inconsistentes de pessoas vivendo uma falsa rotina, diante de olhares curiosos de expectadores ávidos por cenas mais íntimas, envolvendo participantes dotados de atributos físicos que atraem a atenção do público. Talvez esse apelo estético seja o mais explorado, justamente porque quase nada se pode esperar dos candidatos com relação ao nível intelectual, já que eles têm muito pouco a oferecer nesse quesito.

Depois de algum tempo, o telespectador se vê revestido de poder suficiente para decidir o destino dos participantes, contrastando com a incapacidade que muitos têm de resolver a própria vida. Sente-se importante contribuindo na escolha daquele que vai ganhar uma considerável soma em dinheiro no final de algumas semanas, mas faz muito pouco para mudar a sua condição de assalariado mal remunerado de todo mês.

Questiona-se quem dentre os participantes será eleito o(a) mais simpático(a), o(a) mais bonito(a) ou o(a) mais sexy, mas não acerca do destino que está prestes a ser traçado por candidatos políticos num ano eleitoral que promete ser “quente”. Não se dá conta de que aquele que será escolhido no final programa não mudará em nada a sua vida. Em contrapartida, aquele que será realmente eleito nas urnas poderá decidir nos próximos anos sobre assuntos mais relevantes como educação, segurança, saúde, ou até mesmo determinar se muitos continuarão empregados ou não.

Sem poder interferir diretamente na estrutura televisiva, o público não tem a consciência de que é capaz de influir na grade de programação das emissoras, simplesmente se recusando a assistir a programas como esse. Ao invés disso, o telespectador se acomoda confortavelmente em sua poltrona e se sujeita ao papel de um “voyeur” compulsivo em busca de cenas picantes, ou acompanhando atrações de gosto duvidoso, que possam dar um certo tempero à vida insossa que normalmente muitos costumam levar.

Como âncora disso tudo, temos Pedro Bial, um sujeito que 1989 se notabilizou ao fazer a cobertura de um momento histórico para o mundo, que foi a queda do Muro de Berlin, na época, com reportagens de alto nível. No entanto, a carreira desse até então jornalista de renome veio a ter o mesmo destino do muro em questão. Seu nível de participações televisivas caiu tanto que hoje não passa de um apresentador de programa de futilidades. É de se lamentar que ele não seja o único a trilhar esse caminho, na conta-mão daquilo que se espera de uma programação com um mínimo de qualidade. Muitas outras pessoas que gozavam de respeito na televisão partiram para essa nova opção do “pagando bem, que mal tem”.

Talvez esse tipo de programa represente o retrato fiel do que tem sido a TV brasileira nesses últimos anos. Uma fábrica de alienação coletiva capaz de ditar normas, comportamentos e costumes àqueles que se submetem passivamente a esse fim. O telespectador constantemente se entrega a modismos da “telinha” e passa a se sentir “um poço de sabedoria” simplesmente por assistir a programas líderes de audiência, ou por saber cada vez mais das últimas novidades dos bastidores das emissoras.

Quem vai ganhar? É fácil de responder. Nesse tipo de programa todos os participantes saem ganhando de alguma forma. Por não serem artistas, passam a ocupar um considerável espaço na mídia. Alguns conseguirão ser capa de revistas dos mais variados gêneros, cujo conteúdo se assemelha ao nível do programa, e, assim, saem do anonimato e conseguem aqueles tais “15 minutos de fama”, que, na maioria das vezes é efêmera. É incrível como as emissoras de TV conseguem a proeza de dar notoriedade a pessoas nada notáveis.

Quem sai perdendo? Também não é difícil de responder. Mais uma vez o público perde o seu tempo assistindo a um programa que “vai do nada para lugar nenhum”, sem acrescentar algo de concreto à sua vida. Portanto, veremos que depois de “espremer” essa atração, “nada de caldo” e o telespectador como sempre acaba ficando com o “bagaço”.

Dessa maneira, na ânsia de conseguir índices de audiência a qualquer custo, as emissoras continuam apresentando cada vez mais do mesmo, com a mesma falta de conteúdo de sempre. E assim, enquanto a TV vai vendendo os seus produtos, o telespectador continua sendo um comprador de ilusões... ou desilusões?!
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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
- Texto original publicado na página A-2 do JORNAL DE PIRACICABA, de 03.04.2002
- Texto atualizado para edição em 2010.
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- Este texto está disponível na intranet do Banco do Brasil > Acesse Sua Área > Cadernos > Palavras Cruzadas, publicado pela VITEC-Brasília em 03.02.2010 e acessível a mais de 100.000 funcionários.
- Texto original, do mesmo autor, publicado na pág. A-2 do "JP", em 03.04.2002. Um agradecimento especial a Joacir Cury, na época Editor Chefe do Jornal de Piracicaba, pela publicação da crônica.
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domingo, 10 de janeiro de 2010

MINHA CRÔNICA:


Recomeçar

Li a crônica do Adalberto Inácio Gonzaga da Silva, de Brasília, no caderno "Crônicas", que circula na intranet do Banco do Brasil, cujo título é “Doze”, publicada no dia 29/12, que se refere aos diferentes aspectos do número doze, em especial quando se relaciona ao tempo. Achei muito interessante o texto. Aliás, como ele costuma fazer quando escreve, foi um convite a uma reflexão, que despertou em mim um questionamento: se o “12” exprime, de certa forma, um final, ou um preparo para uma nova etapa, o que de fato melhor representaria de forma emblemática um recomeço? Naturalmente, a primeira coisa que me veio à mente foi o número “1”, como não poderia deixar de ser.
Que me perdoem os fãs de numerologia e afins, mas será que vivemos num mundo onde os acontecimentos são exclusivamente regidos por números? Ou ainda: seria o “primeiro de janeiro” realmente um recomeço, só por carregar por si só o primeiro dia, de um primeiro mês, de um primeiro ano? Ainda: Será que somente a virada da “folhinha”, a mudança de data, indicaria definitivamente uma verdadeira nova fase em nossa vida?
Lembrei-me, então, de um texto de Drummond:

“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,

a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui pra diante vai ser diferente.”

Recorro, agora, a outro autor consagrado, nesse caso o compositor Ivan Lins, cuja música “Começar de novo”, em parceira com Vítor Martins, começa com os versos:

“Começar de novo e contar comigo,
vai valer a pena ter amanhecido...”


Muito embora a letra esteja relacionada especificamente a um amor que se foi, entendo que esse trecho traga com ela o que poderia ser classificado como sendo a essência de todo e qualquer recomeço. Ainda que tenhamos em nosso convívio pessoas que nos ajudam ou nos acompanhem em cada etapa de nossa vida, penso que o ato de começar de novo guarde estreita relação com o ter força, sabedoria e equilíbrio suficientes para poder “contar consigo mesmo” a cada novo amanhecer. É quase sempre uma questão de atitude.
Todos nós sempre estamos às voltas com “recomeços”. Quando se trata da questão profissional, por exemplo, pode ser um novo setor, uma nova função, ou mesmo uma nova agência. No caso de algumas pessoas, ainda, uma nova empresa para um novo trabalho. No terreno pessoal, cada um tem lá as suas particularidades, nos mais diferentes segmentos.
A palavra mais ouvida nessas ocasiões é provavelmente a esperança. Para muitos essa palavra é apenas um derivado da palavra “espera” e ficarão de forma acomodada somente aguardando o desenlace dos acontecimentos, muitas vezes reclamando de sua sorte. Outros, no entanto, mais do que ficar na expectativa como meros observadores, veem a esperança como sendo a fé, a confiança em iniciar projetos pessoais que se propõem a torná-los reais. Esses últimos, na maioria das vezes tendem em alcançar grande sucesso ou, na pior das hipóteses, pequenos progressos e serão chamados de “sortudos” por aqueles que apenas esperam embalados pela inércia.
Mais uma vez Drummond, no poema “Receita de ano novo”:

“Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.”


Portanto, se ancorarmos nossos desejos apenas no “esperar” e não tivermos intenção, disposição e principalmente ação, aquilo que poderíamos chamar de “um novo tempo” estará fadado a ser mais uma “perda de tempo”. Como sentencia “o poetinha”, temos que fazer por merecer um ano novo.
Por essa razão, eu gostaria de desejar a todos vocês que dedicam o seu tempo em ler com atenção aquilo que me proponho a escrever, muito mais do que um “Feliz Ano Novo”, já que todo ano que começa já é por si só um fato novo. Meu desejo é que todos os leitores tenham um “Feliz Novo Tempo”. Que a fronteira entre seus sonhos e a realidade seja tão somente o firme propósito de querer.
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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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- Este texto está disponível na intranet do Banco do Brasil > Acesse Sua Área > Cadernos > Palavras Cruzadas, publicado pela VITEC-Brasília em 13.01.2010 e acessível a mais de 100.000 funcionários.
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domingo, 4 de outubro de 2009

MINHA CITAÇÃO:


Experiência

“Nós não envelhecemos.
Na verdade, o tempo
apenas aplica diariamente
uma camada de experiência
sobre a nossa pele.”
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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini (Escrita em 13.06.2002)
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