Paulo Cesar Paschoalini

Paulo Cesar Paschoalini
Pirafraseando

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terça-feira, 24 de março de 2026

Minha crônica

Divinos retalhos 



_____Estamos em março, mês em que se homenageia as mulheres no dia 8, em razão do “Dia Internacional da Mulher”. Apesar de se ter muito a ser dito sobre essa data e por aquilo que as mulheres representam no mundo, peço licença ao leitor para falar em particular sobre uma mulher em especial. Minha mãe, que precisamente há uma semana (no último dia 3) partiu para a eternidade, aos 92 anos.

_____Seu nome era Davina. Segundo seus familiares, originou-se em razão dela ter nascido no “Dia de São Davi”. Muito embora minha pesquisa na internet indique como sendo outro o santo comemorado no dia 19 de agosto, naquela época era a informação que se tinha sobre a data.

_____O fato de tratar-se de um nome incomum trouxe certo desconforto, em razão de ela ter que normalmente repeti-lo quando solicitado. Num primeiro momento, quase sempre era entendido como sendo “Divina” ou mesmo “Malvina”, ou até outro nome foneticamente semelhante. Desse modo, para corrigir a outra pessoa, ela tinha que pronunciar pela segunda vez, mais pausadamente e com certa ênfase.

_____Dona Davina nasceu em Piracicaba, cidade interior do estado de São Paulo. Descendente de italianos (famílias Verdicchio e Rossini), foi casada com o Sr. Armando (falecido em 2023), também de famílias de origem italiana (Paschoalini e Parisotto). Tiveram 7 filhos, sendo dois deles já falecidos. Além dos filhos, 12 netos (uma neta falecida) e três bisnetos.

_____Tanto ela como meu pai nasceram na zona rural. A vida sempre foi muito difícil, uma vez que o cultivo de cana-de-açúcar era uma tarefa que exigia muito sacrifício. Além de o trabalho pesado tomar o dia todo, o acesso à escola era limitado ao quarto ano primário. A vida era restrita à lavoura, sem outra perspectiva futura.

_____Quando tinham dois filhos mudaram-se para cidade, literalmente sem um único centavo no bolso, com objetivo de dar às crianças melhores condições de vida. Enquanto meu pai era operário numa indústria metalúrgica, minha mãe cuidava dos serviços da casa e dos filhos que vieram depois. Uma atividade e tanto!

_____Recordo das residências onde moramos, cada qual com sua característica e significado para a época. Em todas elas ficou a atenção dispensada aos filhos e em cada cozinha o mesmo cheiro de tempero da comida ‘da mamma’, com sabor de ‘manja che te fa bene’.

_____Mais tarde, com seis filhos, além das atribuições domésticas, durante certo tempo ela chegou a fazer bordado em peças de cama e mesa para uma empresa de tecidos, a fim de complementar a renda. Acredito que desde então começou a vir à tona suas habilidades, que derivou de alguns ensinamentos adquiridos de minha avó materna.

_____Também herdou a facilidade em lidar com a máquina de costura, ocupando-se em confeccionar roupas para os filhos, além de pequenos remendos cerzidos com capricho, executados nas peças que mereciam tal empreitada.

_____De tudo isso me vêm à mente muitas lembranças; algumas delas ainda nítidas, outras num cenário translúcido. São pedaços de memória, feito retalhos de tempo. E é justamente aqui que eu gostaria de me debruçar de maneira especial; nos retalhos.

_____Quando chegava o inverno, os pijamas de flanela costurados por ela nos protegiam das noites frias. Também havia cobertores para nos aquecer, mas nada se comparava ao aconchego das colchas de retalhos que ela fazia. E até pouco tempo ainda fazia!

_____Dona Davina durante décadas praticou sua arte e a desenvolver lindas peças. Munida do material a ser descartado por pequenas confecções da cidade e movida pela inspiração, ela concebia em sua mente a colcha que queria criar, recortando milimetricamente os retalhos no devido tamanho e formato. Para ter uma ideia da complexidade, uma das colchas mostradas na imagem (primeira à direita) contém 1.200 retalhos. Em seguida, montava os quadros em simetria, juntando-os lado a lado, até adquirir o aspecto imaginado. Costurava todos eles e, para finalizar, colocava o forro como última etapa do processo.

_____Acredito que ficaria difícil de saber com exatidão quantas unidades ela já fez, mas foram muitas mesmo, tanto para cama de solteiro como de casal. Eu mesmo tenho três delas. Isso sem contar tapetes e almofadas, também feitos com retalhos de tecidos. Nunca vendeu nenhuma peça; sempre as fez de bom coração para serem oferecidas como presente para pessoas de seu convívio pessoal. Há cerda de três anos, costurou uma colcha para uma conhecida que morava sozinha e enfrentava algumas dificuldades. Outra, para uma pessoa cadeirante, que ela chegou a conhecer. Afinal, quando chega o inverno é importante se proteger dessa estação.

_____É interessante pontuar que todos os filhos têm um particular dom artístico, que certamente foi herdado. A Ana Maria tem habilidade com bordados e pinta lindos quadros; o Valter (já falecido) era uma talentoso desenhista; o Zé Roberto é um músico de mão cheia, que canta, compõe e “arranha” vários instrumentos; o Luiz toca viola, violão e também canta, além de dedicar-se à cervejas artesanais; o Alex toca violão, compõe e é escritor, com dois livros publicados e outros a caminho. Isso sem falar dos netos...

_____No meu caso, eu aprendi a alinhavar palavras, fazendo dos pedaços de azul um pouco de céu e mar e das frações amareladas eu descrevo o por do sol ou o brilho da lua. Das fatias marrons eu faço terra e das verdes eu as transformo em relva. Ainda, de fragmentos das demais cores imaginadas eu faço brotar um jardim repleto de pétalas e flores, de todos os tons.

_____Termino o texto deixando aqui minha infinita gratidão pelos retalhos que ela manuseou na vida, especialmente aqueles que têm a forma de carinho e dedicação, todos eles sem tamanho, que foram costurados com cuidado materno, ponto por ponto, com as linhas mescladas do tempo.

_____O nome dela era Davina... Mas se alguém se referir a ela como sendo “Divina”, penso que não estaria de todo equivocado, não é mesmo?!

 

Convido os leitores a verem as imagens de algumas peças que ela fez (tem muito mais), acessando o link abaixo:

BLOG PIRAFRASEANDO:

https://pirafraseando.blogspot.com/2026/03/meu-texto_24.html


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AUTORPaulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: O texto foi publicado no blog da "Revista Vicejar" em 25.02.2026, onde o escritor possui vários textos de sua autoria, atuando como Colaborador do blog e do site. Para ler mais acesse:
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MEU TEXTO:

ARTES DA VÓ DAVINA: 

_____Tive em minha vida uma artista muito especial na família; minha mãe, Dona Davina. Além de todos os atributos de uma dona de casa tradicional, ela fazia peças de arte maravilhosas. Nos seus 92 anos de vida, entre tapetes, almofadas e colchas (sua especialidade), acredito que ela já deve ter feito perto de duzentas peças. Estima-se que somente de colchas de retalhos, ela tenha feito pelo menos 60 unidades... Mas acredito que tenha sido mais do que isso! 

_____Nas fotografias abaixo é possível ver um pouco do seu grande talento, costurados com divina habilidade ao longo do tempo. 

Clique sobre as imagens para ver mais detalhes: 

      

Esta publicação é complemento da crônica intitulada “Divinos Retalhos”, publicada no blog da Revista Vicejar em 24.03.2026. 

LINK: https://revistavicejar.blogspot.com/2026/03/divinos-retalhos.html . 

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
(Protegido por Lei de Direitos Autorais, 9.610/98)
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domingo, 8 de março de 2026

MINHA POESIA:

MULHERES DE SEMPRE: 

Quantas mulheres de ontem 

que nunca souberam o que é amar. 

Quantas mulheres de hoje 

conhecidas porque sabem como amar. 


Ontem, quantas mulheres caladas; 

hoje, quantas mulheres faladas. 

Ontem, hoje e sempre...

Quantas mulheres desejadas! 

 

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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8 DE MARÇO: "DIA INTERNACIONAL DA MULHER" 

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domingo, 1 de março de 2026

MINHA CRÔNICA:

Convivendo com especialistas 



_____Acredito que muitos de nós esperam ansiosamente pela chegada do fim de semana e, entre outras coisas, sair com os amigos para comer algo, acompanhado de uma bebida para ‘molhar as palavras’ e relaxar um pouco com conversas descontraídas...

_____Relaxar?... Será???

_____Tudo começa com o pedido de uma simples cerveja. É só você mencionar a marca de sua preferência que sempre aparece algum expert em bebidas para dizer que uma outra é mais saborosa. Ou então, se for pedir um tipo de vinho, vai melhor se for acompanhar determinada comida. Também, que não deveria tomar nada que tivesse certo teor alcoólico.

_____Depois vem o impasse por aquilo que se tem a intenção de comer. Não é bom pedir nenhuma fritura ou coisa muito calórica, nem muita massa e menos ainda essa ou aquela porção, que ‘é só gordura’! Essas polêmicas dizem ser calcadas em ‘leituras saudáveis’ ou orientações médicas. Mas eu não saí de casa para ir a um consultório, não é mesmo?!

_____Se você, por acaso, alegar que pode comer de tudo, uma vez ou outra, porque durante a semana vai fazer exercícios, aí é que a coisa piora! Se sua atividade física for no período da manhã, dirão que o melhor seria no final da tarde. Se você está acostumado a correr, deveria somente caminhar.

_____Se gosta de andar de bicicleta, é melhor tomar cuidado com o trânsito. Se frequenta uma academia, deve escolher com atenção os aparelhos que for utilizar. Se aquilo que fizer durar em torno de meia hora, não adianta. Se demorar uma hora ou mais, aí é loucura. Se... se...

_____Todos os amigos ali sentados ao seu lado, para fazer você se esquecer do estresse da rotina, sabem sempre tudo o que é melhor para VOCÊ! Entretanto, se observar com atenção, é provável que muitos deles estejam, por exemplo, um pouco acima do peso. Ou, ainda, depois de algum tempo de conversa, ficará sabendo que alguns tomam esse ou aquele medicamento, seja pra isso ou aquilo... E por conta de questões relacionadas à saúde DELES!

_____Por falar em remédios, se você disser que faz uso de complemento/suplemento alimentar ou toma pílulas para regime, dirão que não adianta. Perguntarão se você leva muito a sério o tal regime e, em caso positivo, alertarão para ter cuidado com o rigor. Em caso de fazer uso de homeopatia, ouvirá que isso é ‘bobagem’.

_____De um modo geral, curiosamente todos saberão ‘com autoridade’ e, principalmente, ‘conhecimento de causa’ sobre o que é ideal para você comer e beber, mesmo não sabendo sequer o que é bom para cada um deles.

_____Em se tratando de saúde, cheguei à conclusão de que só devo levar mesmo a sério aquilo que for dito pelo meu médico, depois de embasado em criteriosos exames. E somente assim se, eventualmente, ele me receitar algo pertinente ao meu caso específico. Então, a partir daí estarei disposto a pensar em fazer o que for necessário.

_____Se a orientação do doutor for, por exemplo, para que eu não possa mais ter esse luxo de ‘liberar a boca’ nem ao menos no fim de semana com amigos, para ‘relaxar’...

_____Bem, aí, não vai ter jeito mesmo. Muito a contragosto, eu me verei forçado a finalmente mudar...

_____... Mudar de médico!!! 



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AUTORPaulo Cesar Paschoalini
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sábado, 21 de fevereiro de 2026

MINHA POESIA:

PORTOS: 

Porto Alegre, Porto Rico, Porto Seguro...

Talvez por isso continuamos a navegar, enfim.

Esperançosos, seguimos viagem ao futuro,

desejando que todos os portos sejam assim.


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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
(Protegido por Lei de Direitos Autorais, 9.610/98)
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