Paulo Cesar Paschoalini

Paulo Cesar Paschoalini
Pirafraseando

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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

MINHA CRÔNICA:

A insignificância de ser 'ninguém' 




Os ninguéns 
( Prosa poética de Eduardo Galeano ) 

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos,
morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal,
aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.

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A insignificância de ser ‘ninguém’ 

_____Apesar de tratar-se de um texto curto, é fácil notar a abrangência das palavras de Eduardo Galeano. Inicia falando do sujeito desde o nascimento, quando diz que a filiação de um ninguém é de outro desgraçado, também ‘desconhecido’ pela sociedade.

_____Os ‘sem nome’ são todos aqueles anônimos, ‘usados e abusados’ pelos detentores de sobrenomes de influência, que os oprime, lhes subtrai a dignidade e lhes confere a falta de identidade. Não se menciona nome, nacionalidade, cor, sexo, idade, ou qualquer qualificação, a não ser a miséria em que estão inseridos.

_____No mesmo estilo humanizador encontrado em outras de suas obras, o escritor uruguaio Eduardo Galeano retrata as mazelas e insignificância com que os indivíduos são tratados, em especial no chamado terceiro mundo, gravitando a miséria em que foram condenados ao longo da vida, tratados apenas como meros números a serviço de lucros, também medidos em números, de acordo com a devida conveniência de quem age para que se mantenha esse estado inalterado.

_____Os ‘ninguéns’ são todos aqueles considerados muito mais como ‘algo’ do que como um alguém dotado de sentidos e, acima de tudo, de sentimentos. São ignorados como pessoas, mas vistos como objetos a serviço de inúmeros interesses, abrangendo as áreas política e econômica, além das diversas crenças.

_____No final, o desfecho mais provável a esse tipo de vida, que, embora não seja diferente de nenhum outro indivíduo, talvez somente seja mesmo visto como ser humano no momento da morte, quando seu destino engrossa dados estatísticos frios, no mesmo tom da frieza com que se desenrolou sua anônima existência. 


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AUTORPaulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: O texto foi publicado no blog da "Revista Vicejar" em 26.05.2026, onde o escritor possui vários textos de sua autoria, atuando como Colaborador do blog e do site. Para ler mais acesse:
BLOG DA REVISTA VICEJAR: http://revistavicejar.blogspot.com/

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Um comentário:

  1. Son duros momentos los que vivimos. El dolor de aquellos que se embarcar en la desesperación de buscar un mundo mejor, pero ese mundo parece negarles ese derecho que como ser humano tienen y los convierten en ese "don nadie" que sin nombre es la vergüenza de una sociedad en decadencia.
    Pasaré a leer el artículo. Gracias por compartirlo.
    Un saludo desde Bitácora literaria España

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