Paulo Cesar Paschoalini

Paulo Cesar Paschoalini
Pirafraseando

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quinta-feira, 28 de março de 2019

MINHA POESIA:



Faz de conta

Outro dia mesmo estava me divertindo,
assim meio descuidado, meio distraído,
e pelas brincadeiras de infância atraído.

Vieram outros dias, outras noites,
e, então, o tempo, sorrateiramente,
foi levando para longe de mim, dia após dia,
o pião que fazia girar as minhas fantasias;
as bolinhas de sabão, que eram meu alento,
foram desmanchando-se ao sopro do vento.

O faz de conta, os pés descalços, as ‘partidas’,
bate-bola nos campinhos de terra batida;
as alegres brincadeiras de ‘esconde-esconde’,
me escondiam do mundo adulto, não sei onde.
Enfim, até me dar conta de que chegou o dia
que esconder já não mais conseguia.

Eu não gostei de ter crescido, realmente.
Vez por outra eu me perco à minha procura.
Eu queria ter de novo aquela estatura,
aquela inocência, aquela candura.
Não queira esse mundo de loucura,
onde a verdade se vai e a mentira perdura.
Eu queria ser um menino eternamente.

Na verdade sou criança, apesar da aparência,
e luto para não ser adulto, com veemência,
para não adulterar de vez a minha essência.

O pião perdeu-se num mundo que continua a girar,
as bolinhas de sabão desfizeram-se de vez pelo ar
e nas ruas asfaltadas meus pés calçados vêm pisar.

Mas eu sigo brincando de esconde-esconde, contudo,
com o tempo que insiste em transformar tudo;
faz de crianças felizes, adultos sisudos.

Meu corpo de adulto pelo tempo foi esculpido,
embora me sinta criança, num corpo crescido,
com roupas de adultos, mas espírito despido.

Quanto mais ele muda, mais me contraponho,
pois muda um reino encantado de sonhos,
em um mundo ainda mais infeliz e tristonho.

Cresci e não gostei; isso me desaponta.
Por isso mantenho esse desejo oculto,
insistindo em brincar de faz de conta,
‘fazendo de conta’ que sou adulto.

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIOS:
- O termo “faz de conta tem como significado no Brasil algo semelhante a imaginarfantasiarfingirfazer acreditar, passar-se por, causar uma impressão.
- Texto selecionado em concursos de âmbito nacional, além de apresentado em eventos literários. É parte integrante do original do livro de poesias “Mar adentro, mundo afora...”, aguardando parceria para patrocinar a publicação.

PREMIAÇÃO EM CONCURSOS LITERÁRIOS:
- Menção Honrosa no “X Concurso Nacional de Poesias-APLA”, da Academia Pontagrossense de Letras e Artes, de Ponta Grossa-PR (versão reduzida).
- 7ª colocada no “XXXIX Festival de Música e Poesia – FEMUP 2004”, da Fundação Cultural de Paranavaí-PR, declamado por Bruna Boaretto, em 20/11/2004, na noite de premiação.
- Texto apresentado nos dias 15, 16 e 17/09/2006, no Teatro Municipal “Dr. Losso Neto”, em Piracicaba, durante o show "Simplesmente", do grupo musical "Falando da Vida", interpretado por Nelma Nunes, atriz que atua em Piracicaba e região.
- Poesia selecionada para compor o encarte comemorativo aos 25 anos do grupo musical “Falando da Vida”, da cidade de Piracicaba, no ano de 2010.
- Selecionados no “XIII Prêmio Escriba de Poesia”, da cidade de Piracicaba-SP, no ano de 2015, foi uma das 31 escolhidas dentre mais de 1.300 textos inscritos, enviados por 684 candidatos, sendo 18 do exterior e os demais de todos os cantos do Brasil.
- Registro nº: 640.346, em 14/04/2014, no EDA / FBN.
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sexta-feira, 29 de junho de 2018

MINHA POESIA:

Eternidade

O que é a eternidade senão uma sucessão de instantes;
de momentos alinhavados pelo tempo,
feito um mosaico de casos e acasos.
Todos nós buscamos a eternidade
se esquecendo que ela é, tão somente,
uma seqüência de horas, uma sucessão de ‘agoras’.

A eternidade não é algo que está distante;
ela é construída aos poucos, dia a dia.
O ontem é eterno,muito embora eu não me lembre
de todos os que vivi, ou mesmo,
que eu não tenha vivido todos eles.

O amanhã é eterno também,
mesmo que eu não viva todos os amanhãs que virão.
O hoje é o momento eterno mais próximo que temos.
O hoje é que o intervalo do ontem com o amanhã;
o intervalo compreendido entre dois momentos eternos,
portanto, eterno por definição.

O ontem sempre existiu, o amanhã sempre existirá.
O hoje é o instante eterno acontecendo agora.
Cabe a nós fazermos do hoje
um grande e especial momento,
para permanecer por toda a eternidade.

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: Texto publicado na Página 37, do livro “Arcos e Frestas”, obra selecionada no "3º Concurso Blocos de Poesia", Editora Blocos, lançada em 2003. Imagem extraída do site 'espacopregador.com'.
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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

MINHA POESIA:

Sonhando, amando, sonhando...

Sonho;
delírios da alma, que suponho,
ser fruto de um desejo risonho;
oposto de um pesadelo medonho.

Amor;
sentimento que me faz supor
ter especial tom, cor e sabor;
avesso e sinônimo de dor.

Duas palavras: sonhar e amar;
dois verbos difíceis de separar.
Por isso, quem sonha vive de amar
e quem ama nunca deixa de sonhar.

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
- Página 13 do livro “Arcos e Frestas”, publicado em 2003.
- Página 119 da coletânea “Poemas de Amor”, publicada pela Casa do Livro Editora Rio-Pretense, da cidade de São José do Rio Preto-SP, em 2002. Poesia selecionada em concurso para integrar a coletânea.
- Página 72 da antologia “CAPOSAN 2002 – Contos, Crônicas e Poesias” em sua IV edição, e publicada por AN Gráfica a Notícia Ltda., da cidade de Sant’Ana do Livramento-RS. Recebeu Menção Honrosa no “Concurso da Casa do Poeta Santanense”.
- Classificada com o Prêmio de Edição, no Concurso “Letras no Brasil V”, da Taba Cultural Editora, da cidade do Rio de Janeiro-RJ.
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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

MINHA POESIA:

O velho e o tempo

O vento do tempo soprou à distância,
todos os sonhos de minha infância
e os ideais de minha mocidade,
trazendo o vendaval da realidade.

Minhas pernas estão lentas, ao andar,
que já não conseguem acompanhar
a rapidez com que o tempo passa,
feito um caçador que me fez caça.

Assim têm sido cada um dos meus dias:
Adormeço quando a escuridão se inicia
e acordo tendo o sol por companhia.

Porém, sei que tão logo vai acontecer,
que adormecerei com a lua, ao anoitecer,
e o sol acordará sozinho, quando amanhecer.

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
- Página 14 do livro “Arcos e Frestas”, publicado em 2003.
- Página 155 do livro “Petali d'infinito”, antologia do Prêmio 'Il Convivio 2002”, editado pela 'Accademia Internazionale Il Convivio', da cidade de Castiglione di Sicilia (CT) – ITÁLIA. Poesia publicada em língua italiana com o título de “Il vecchio e il tempo”. Livro editado anualmente, que teve a participação de escritores da França, Espanha, República Tcheca, Austrália, Argentina, Uruguai, Brasil, além de diversas cidades da Itália. 
- Página 71 da antologia “CAPOSAN 2002 – Contos Crônicas e Poesias”, em sua IV edição, e publicado por AN Gráfica a Notícia Ltda., da cidade de Sant’Ana do Livramento-RS. Premiada em 2º lugar Nacional no “Concurso da Casa do Poeta Santanense”.
- Menção Honrosa no II Prêmio F.A.C.I. de Poesia, da Fundação Associação Cultural Itapetinguense, da cidade de Itapetinga-BA.
- Classificada com o Prêmio de Edição, no Concurso “Letras no Brasil V”, da Taba Cultural Editora, da cidade do Rio de Janeiro-RJ.
- Prêmio de Edição no “III Concurso Grandes Nomes da Nova Literatura Brasileira”, em 2002, da cidade de São Paulo-SP.
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