Mudança
Às vezes sinto-me feito mera
criatura,
uma lagarta que vaga entre folhas
secas.
Então, vejo-me sem movimento,
envolto no visgo da imobilidade,
que já não mais me incomoda como
antes.
Minha introspecção é muito lenta...
Se antes percebia estar
arrastando-me,
vivo, agora, momentos de total
letargia.
Anseio por camuflagens para me
proteger,
de uma realidade que já não me serve
mais.
Na busca incessante por renovação,
agora sinto-me como que
enclausurado;
a escuridão dá o tom que eu nunca
pedi.
A fim de se completar a metamorfose,
a quietude quer gritar dentro de
mim.
Então, movido por uma força intensa,
rasgo tudo aquilo que me aprisiona!
Um talho de luz parece querer
ofuscar-me.
Desprovido de plena visão, abro as
asas
e lanço-me num voo pra abraçar a
novidade...
E, ao sobrevoar cores e flores,
descobri o resultado do que foi
semeado,
sem que eu tivesse sequer lançado
sementes.
Entre o frio, que me convida a
esperar,
e o calor, que me desperta
aventuras,
escolhi, por atalho, percorrer a
primavera.
No caminho entre o sonho e a
realidade,
existe uma esquina chamada “querer”
e é para lá que eu estou de mudança!
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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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OBSERVAÇÃO: O texto é parte integrante do original "Mar adentro, mundo afora...", livro de poesias aguardando parceria/patrocínio para publicação.
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