Paulo Cesar Paschoalini

Paulo Cesar Paschoalini
Pirafraseando

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sexta-feira, 15 de julho de 2016

MINHA CITAÇÃO:

Medida

"A medida que as pessoas se servem para pedir ajuda, não é a mesma que elas utilizam para quando são chamadas a ajudar."

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
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segunda-feira, 11 de julho de 2016

CINEMA:

Gênio indomável

1 – INTRODUÇÃO:
O filme Gênio indomável (Good Will Hunting) é uma produção estadunidense de 1997, dirigido por Gus Van Sant, tendo sido indicada em oito categorias ao Prêmio Oscar de 1998, ganhando a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante, pela atuação de Robin Williams, e Melhor Roteiro Original. Um destaque que vale a pena ser feito é o fato de que os astros Matt Damon e Bem Affleck são os roteiristas desse filme, além de atuarem nele.
Trata-se de um drama que narra a história de Will Huntig, interpretado por Matt Damon, um jovem superdotado, com talento matemático incomum, que trabalha como faxineiro na Universidade de Boston, quando o Prof. Lambeau desafia seus alunos, expondo no corredor por onde os alunos transitam, um teorema complexo para ser resolvido.
Assim, devido às suas habilidades, Hunting, que não era aluno da Universidade, consegue facilmente encontrar a solução matemática, contudo sem se identificar, deixando intrigado o professor desafiante, que deseja a todo custo conhecer quem seria o prodigioso autor da façanha.
Porém, quando descobre de quem se trata, acaba por encontrar uma pessoa, que apesar de muito inteligente, possui sérios problemas de adaptação social.

2.1 – QUEM SOU EU?
Os primeiros questionamentos filosóficos foram, sem dúvida, as três perguntas cruciais: “quem eu sou?”, “de onde vim?” e “para onde vou”. Essas questões não só originaram a busca do homem pelo conhecimento, como também continuam a ser objeto de reflexões sobre a natureza humana nos dias de hoje.
Ao mostrar a vida de Will Hunting, um jovem órfão, com poucos recursos financeiros e possuidor de uma capacidade intelectual incomum, o filme quer abordar o que talvez venha a ser a primeira questão existencial, já que o protagonista tenta se esquivar de todas as formas de se submeter às seções com psicólogos, cuja finalidade é descobrir quem na verdade seria esse sujeito com tamanho potencial. 
Ao longo da história, o Prof. Lambeau coloca o jovem em contato com alguns psicólogos, também com a intenção de frear seu instinto violento, além de procurar integrá-lo à vida social, o que também não deixa de ser uma forma de entender melhor seu comportamento. Hunting, entretanto, se utiliza de constante doses de ironia para dificultar qualquer possibilidade de um relacionamento harmônico com os profissionais de psicologia, numa atitude de auto-defesa para se esconder de seus reais problemas, que envolvem raiva, agressividade e distanciamento social.
Assim, apesar de o jovem possuir um conhecimento lógico-matemático invejável, portanto, uma questão considerada externa, quando se trata de seu interior, mostra-se um estranho a si próprio, lançando mão de artifícios para se manter nessa condição. Para Sócrates, a busca do conhecimento não tinha como único objetivo um acúmulo de informações pessoais. Com sua célebre frase “conhece-te a ti mesmo”, objetivava principalmente o autoconhecimento, que propiciaria também o conhecimento do universo.
Mais tarde, ainda na Grécia antiga, Aristóteles dizia que o homem é por natureza um ser social, ou, um animal social, pois se trata de um ser muito frágil para viver sozinho. Todavia, suas relações com a sociedade são pautadas por questões e particularidades que abrangem diferenças individuais, que só poderão ser lapidadas no próprio exercício da convivência com o outro.
Mais recentemente, na primeira metade do século XX, o filósofo francês Jean-Paul Sartre dizia que o homem é um projeto que vive subjetivamente. Aquilo que quer ser é uma escolha e, ao se submeter ao ato de fazer uma escolha, está diante não somente o que deseja ser, mas, segundo seu ponto de vista, está indiretamente julgando como todos os homens devem ser. Então, ao perceber que sua escolha envolve também toda a humanidade, ele se sente angustiado.
Dessa forma, se por um lado o ser humano vive o dilema de querer saber quem é, por outro lado, conforme também menciona Sartre, ele vive a angústia de ter a consciência de que aquilo que deseja ser envolve não somente a si mesmo, mas tem interferência em toda a humanidade. Ainda, de acordo com o filósofo francês, só o ser humano de má fé consegue disfarçar a sua angústia.
No caso do personagem Hunting, retratado no filme em questão, ele vive um claro desajuste social, movido por suas angústias pessoais e fugindo a todo custo de qualquer possibilidade de encarar a si mesmo.

2.2 – GÊNIO OU TALENTOSO?
Embora o título “Gênio indomável” seja uma tradução brasileira do original “Good Will Hunting”, é interessante levantar a questão se o correto seria o uso do adjetivo “gênio” para pessoas que possuem altas habilidades individuais, como a mostrada o filme. Para muitos, o termo que melhor se adequaria ao caso do personagem seria “talento” e não propriamente “genialidade”.
De acordo com o livro “Talento e superdotação: problema ou solução?”, o autor M. L. P. Sabatella destaca que a versão para do título adotado no Brasil estaria equivocada. Segundo sua teoria, deveria ser reconhecida como gênio a pessoa que tivesse dado uma contribuição original e de grande valor, cuja sua produção ou contribuição fosse capaz de provocar transformação em um ou mais campos do conhecimento, mudando conceitos vigentes e perdurando por gerações seguintes. Sendo assim, somente pessoas com o quilate de Einstein ou Leonardo da Vinci, por exemplo, deveriam ser adequadas à terminologia “gênios”. Segundo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, “talento é quando um atirador atinge um alvo que os outros não conseguem. Gênio é quando um atirador atinge um alvo que os outros não vêem”.
No caso do filme, fica fácil perceber que não seria o caso de enquadrar Hunting como “gênio”, uma vez que ele seria apenas um indivíduo dotado de uma capacidade lógico-matemática elevada. De acordo com o desenrolar da história narrada, o protagonista não esboçou sequer novas teses ou teorias relevantes. Apenas demonstrou possuir uma habilidade incomum aos jovens de sua idade, especialmente por não ter acesso aos mesmos ensinamentos acadêmicos que os demais.
Com relação aos chamados “superdotados”, um dos grandes desafios dos educadores talvez seja identificar alunos com essa característica. Sabe-se que esse tipo de estudante, por se sentir diferente, costuma ter dificuldade de relacionamento interpessoal, tendendo a ser introvertido e com conseqüente isolamento. Tal comportamento, além de comprometer seu convívio social, pode ser um obstáculo para melhor aproveitamento de seu potencial intelectual.
Eventual sub-aproveitamento escolar poderá desmotivar alunos com altas habilidades, uma vez que não se sentirão estimulados, levando-os a aprender menos do que estariam aptos a assimilar com conteúdos mais condizentes com a capacidade que possuem. Segundo Paulo Freire, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Dessa forma, podemos ter uma ideia da complexa, mas, ao mesmo tempo, desafiadora arte de educar.

3 – CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Sem dúvida, um filme que nos leva obrigatoriamente a uma reflexão acerca da natureza humana. Primeiramente, uma auto-análise, refletindo sobre nosso comportamento pessoal na vida em sociedade, questionando sobre nossas potencialidades e encarando nossas fraquezas e medos.
Em segundo lugar, lançar um olhar sobre as pessoas com quem temos convivência mais próxima, visando detectar eventuais problemas de relacionamento e criar condições para que dificuldades interpessoais possam ser dirimidas, se for o caso, com ajuda de profissionais de áreas como a psicologia, por exemplo.
Para futuros educadores, atentar para as características individuais de cada estudante, possibilitando minimizar todo tipo de desajuste ou isolamento e, especificamente com relação aos alunos com altas habilidades, procurar orientação para direcionar e melhor aproveitar das altas habilidades observadas.
Um filme, com certeza, no rol dos chamados “obrigatórios” para um melhor dimensionamento das diversidades presentes no espírito humano.

4 – REFERÊNCIAS:
- Site “Revista Eletrônica de Ciências”, da Universidade Federal de São Carlos-SP, Link: <http://www.cdcc.sc.usp.br/ciencia/artigos/art_26/sartre.html>, acesso em 02 mai 2014.
- Site da Universidade Federal de Santa Maria, Centro de Educação/CE, Link: <http://coralx.ufsm.br/revce/ceesp/2005/01/a5.htm>, acesso em 15 jul 2014.
- Site “Periódicos Eletrônicos e Psicologia”, da PUC-SP, Link: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1414-69752012000200010&script=sci_arttext>, acesso em 18 jul 2014.
- Site “Pensador UOL”, Link: <http://pensador.uol.com.br/>, acesso em 15 jul 2014.

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: Trabalho desenvolvido para ser apresentado como componente curricular de AACC - Atividade Acadêmica Cultural e Científica, durante a graduação em Licenciatura em Filosofia, pela Faculdade "Claretiano - Rede de Educação", Polo de Rio Claro-SP.
A publicação no blog é uma sugestão para quem ainda não assistiu ao filme, além de ser também um convite para aqueles que já o assistiram, para tornarem a vê-lo, agora sob uma análise filosófica. A violência reinante em nossa sociedade é em razão de diversos fatores coletivos e individuais. Dessa forma, todo e qualquer tipo de reflexão sobre o assunto é bem vinda, a fim de propiciar uma visão mais ampla sobre a convivência humana.
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quinta-feira, 30 de junho de 2016

MINHA CITAÇÃO:


Problema mal resolvido

"O maior equívoco que cometemos com relação a um 'problema mal resolvido', é que continuamos a tratá-lo, ainda, como sendo um 'problema' ou um 'mal', quando, na verdade, é algo que, de alguma maneira, já foi devidamente 'resolvido'."

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
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quinta-feira, 23 de junho de 2016

UMA CITAÇÃO...

Imprensa

"Vivemos numa época de escancarado adestramento. Um folhetim semanal qualquer ordena que 'veja' e, então, as pessoas veem e saem falando e agindo exatamente segundo o roteiro ali publicado, sem qualquer questionamento ou reflexão mais apurada. Sugiro, então, o lançamento da Revista 'PENSE'. Quem sabe, assim, as pessoas sintam-se estimuladas a pensar, nem que seja somente um pouquinho."

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AUTOR: Desconhecido
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COMENTÁRIO - Paulo Cesar Paschoalini:
Recebi esta frase, via e-mail, no segundo semestre de 2015 e achei a citação interessante e curiosa. Por ser de autor desconhecido, eu procurei alguma referência sobre eventual autoria da mesma, mas não consegui, até então. Passados alguns meses, por entender que se trata de algo muito atual, eu resolvi publicar aqui no blog. Para se ter uma ideia sobre o poder da imprensa no Brasil, em março de 2015 a Revista "Veja", da Editora Abril, trouxe na capa o deputado Eduardo Cunha e uma matéria sobre ele, entre outras coisas, enaltecendo a sua figura. Apesar de estar a "poucos cliques" de informações sobre qualquer pessoa pública, algum tempo depois, as pessoas que saíram em manifestações dizendo ser "contra a corrupção", carregavam faixas com a inscrição "Somos todos Cunha". Pouco mais de um ano da reportagem mencionada, surgiram inúmeras denúncias de crimes cometidos por Eduardo Cunha. Contra ele, pesam fortes indícios (ou provas) de corrupção e, apesar disso, o povo mantém-se recolhido, como que a espera das "novas ordens midiáticas", o que nos faz deduzir que a população somente age quando estimulada, ou devidamente manipulada pelos interesses dos órgãos de imprensa. Isso nos leva a questionar se a "Veja" estava mal informada no ano passado, quando fez a reportagem sobre esse político, o que coloca em xeque a sua competência e credibilidade, ou se estava mal intencionada, o que põe em dúvida a sua isenção e imparcialidade. De qualquer forma, a infeliz reportagem só reforça a tese, defendida por muitos, de que trata-se de uma revista reconhecidamente tendenciosa. A imagem escolhida retrata a maneira de como a mídia, em todos os seus segmentos, exerce influência sobre aqueles que a ela se submetem passivamente. Esse cartum (suponho que seja) eu encontrei estampado em duas publicações: blogln.ning.com e cenadois.blogspot.com.br. Porém, em nenhum dos casos foi citada a autoria.
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sábado, 4 de junho de 2016

MEU TEXTO:

Deus, um delírio

1 – INTRODUÇÃO:
“Deus, um delírio”. Podemos constatar que, do ponto de vista comercial, sem dúvida um título como esse já é capaz de suscitar interesse de inúmeros leitores. Mas, no decorrer do livro, a impressão que fica não é somente na questão comercial, mas objetivamente o autor Richard Dawkins, biólogo e escritor britânico, nos mostra uma intenção mais ousada: “Se este livro funcionar do modo como espero, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem”.
Desse modo, ele apresenta seu ponto de vista sobre a crença em um deus, seja ele de qualquer manifestação religiosa, que se inicia na doutrinação das crianças, é alimentada pelo fanatismo e culmina por alimentar guerras mundo afora. 
Com base na teoria das probabilidades, sua intenção é desmontar um a um os argumentos daqueles que acreditam na existência de um ser superior. Ataca todas as formas de sobrenatural e agarra-se à ciência para afirmar categoricamente: “Sei que Deus não existe, com a mesma convicção que Jung ‘sabe’ que ele existe”.
O que se segue neste trabalho é uma análise da visão contida no livro desse autor, seu “orgulho ateu” e de ter um enfoque racional alicerçado na ciência, sem, contudo, que isso mereça ser visto como aspecto negativo nessa sua compreensão sobre o assunto.
De fato, é um ponto de vista que merece ser lido e, apesar de polêmico, certamente irá levantar questionamentos a respeito da visão do autor e, principalmente, sobre nossa visão particular a respeito daquilo que cremos. Afinal, acreditar numa divindade seria propriamente uma atitude irracional, ou mesmo uma imposição social, como afirma o autor?

2.1 – DEUS E A CIÊNCIA:
Richard Dawkins não relaciona Deus ao início da criação, simplesmente porque não acredita que tenha havido um criador. A origem da vida se deve a um evento químico, ou uma série deles, que proporcionaram reunir condições de vida e a continuidade decorrente da seleção natural. Essa seleção “elevou a vida da simplicidade primitiva a altitudes estonteantes de complexidade, beleza e aparente desígnio que hoje nos deslumbram”, menciona ele.
Desse modo, tudo o que há no universo é plausível de explicações científicas e toda crença que possa envolver a ideia de um ato de criação superior, existência de um deus, é inconcebível. Segundo ele, “o cérebro humano é muito bom em construir modelos”, atribuindo às crenças religiosas o status de meras lendas. Sendo assim, as pessoas não seriam loucas, mas suas crenças sim.
Seu suporte científico fica basicamente alicerçado na seleção natural, que para ele seria a única alternativa viável, diferente da lógica criacionista, que considera ser sempre a mesma. Aliás, acredita ser não apenas viável, mas a única verdadeira. Ela funciona como uma mão única e cumulativa para o aperfeiçoamento.
Como cientista, é hostil com relação à religião fundamentalista porque ela desdenha da ciência. Diz ele que os cientistas da área da biologia são ainda mais ateus. As pessoas mais instruídas têm menor inclinação às questões religiosas, ou qualquer tipo de crença. Aqueles que possuem tendências teológicas, não conseguem fazer a distinção entre o que é verdadeiro daquilo que gostariam que fosse a verdade.
De acordo com Dawkins, os criacionistas adoram e se escoram nas lacunas deixadas por registros fósseis, mas alerta que a ciência sempre nos mostra alguma coisa. Na contramão dessa ideia, o fato de acreditarmos em “algo maior” não nos leva a lugar algum e estamos simplesmente chamando de Deus nossa própria ignorância.
Muito embora sejamos frutos de mutações consequentes de evento químico, a evolução da ciência pode ser notada, por exemplo, com o surgimento da teoria quântica, que, para ele, quem não se espantar com ela é porque não a entendeu. A ciência é uma forma de racionalismo, ao passo que a religião não passa de uma superstição.

2.2 – AS RELIGIÕES E AS GUERRAS:
Desde cedo as crianças, tanto no cristianismo como no islamismo, são ensinadas que a fé inquestionável é uma virtude. Todos nós somos “criaturas de Deus”, mas cada qual segundo o modo difundido nas respectivas religiões.
Apesar de os segmentos religiosos se colocarem numa atmosfera de harmonia e na busca da paz, o que elas fazem na verdade é acirrar os ânimos e contribuir de maneira a acentuar as diferenças religiosas. Embora os ensinamentos do que poderíamos chamar de “religião moderna” não são necessariamente extremistas, os fiéis são compelidos ao extremismo.
Para ilustrar a consequência das divergências religiosas, menciona uma frase do dramaturgo irlandês Sean O’Casey: “A política já matou uns bons milhares, mas a religião já matou umas boas dezenas de milhares”. Também acrescenta uma citação do físico norte-americano Steven Weinberg: “A religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem ela, teríamos gente boa fazendo coisas boas e gente ruim fazendo coisas ruins”.
Esses dois exemplos mostram a maneira negativa com que Dawkins enxerga a influência das religiões. Para ele os homens são capazes de cometer o mal de maneira plena quando movidos pelo entusiasmo de suas convicções religiosas.
Em favor dos ateus, como ele, afirma que pessoas que não crêem em Deus podem cometer maldades, mas não as fazem em nome o ateísmo. Por outro lado, ao observarmos a história, podemos ver com freqüência conflitos que foram movidos pelas religiões. Diz, ainda, que as pessoas são capazes de atos de insanidades em nome da fé.
Numa obra repleta de frases que criticam as questões religiosas, a maioria de autores relativamente recentes, ele também se vale de uma citação de Sêneca para reforçar sua tese: “A religião é considerada verdade pelas pessoas comuns, mentira pelos sábios e útil pelos governantes”.

3 – CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Em “Deus, um delírio”, Richard Dawkins deixa patente que sua aversão pelas religiões é algo que está acima do fato de ser ateu. Sua paixão pela ciência fica evidente na citação de uma frase de Carl Sagan: “Quando estamos apaixonados, queremos contar ao mundo todo. Este livro é uma declaração pessoal, que reflete meu caso de amor de vida inteira com a ciência”.
Apesar de muito bem escrito, amparado em frases de efeitos e muitos conceitos, entendo que um dos pontos capazes de gerar polêmica é a linguagem agressiva dos textos, quando se utiliza do termo “ignorância” de maneira pejorativa, com o propósito de diminuir quem “se atreve” a pensar de maneira diferente da dele.
Apresenta suas teorias com convicção e intenção explícita de “converter” os crentes religiosos em ateus. Menciona, por exemplo, que a religião convenceu as pessoas que existe um homem invisível, que vigia tudo e que vai punir com fogo por toda a eternidade quem não cumprir as dez coisas de uma lista especial... E ironiza: “Mas Ele ama você”.
Podemos observar que o autor se utiliza de trechos como esse para dar suporte aos seus conceitos, o que é perfeitamente válido. Porém “peca” ao conferir a eles o valor de “uma prova”, quando na verdade se trata de um ponto e vista. Afinal, a crítica a essa visão transmitida pela religião cristã não prova que Deus não existe, apesar nos levar a admitir ser um contra-senso a existência de um “ser superior” com características que transitam de um sublime amor a eternas punições.
O livro mostra-se importante quando dá uma “chacoalhada” na imposição das crenças religiosas, que somos obrigados “a engolir” desde criança. Nossa atitude passiva de aceitação por inércia fica realmente abalada quando confrontada pela forma contundente com que o autor apresenta suas teses.
Todavia, ao contrário das pretensões do autor, fica a dúvida se sua obra seja realmente capaz de transformar seus leitores em “ateus de carteirinha”.

4 – REFERÊNCIA:
DAWKINS, Richard, Deus, um delírio. São Paulo: Companhia as Letras, 2007.

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: Trabalho do componente curricular de AACC - Atividade Acadêmica Cultural e Científica, apresentado durante a graduação em Licenciatura em Filosofia, pela Faculdade "Claretiano - Rede de Educação", Polo de Rio Claro-SP.
Tenho uma dificuldade particular em aceitar imposições, sejam elas de qualquer natureza. Aliás, para mim, qualquer tipo de imposição não pode ser considerada natural, mas sinal de limitação  e frustração pessoal. Num mundo reinado pela dúvida, os que se consideram “donos da verdade” carregam um visível fardo de insatisfação para consigo mesmos. Tenho minhas convicções pessoais, certas para alguns, equivocadas para outros, contudo sempre escancaradas para novas reflexões e trancadas para toda e qualquer forma de imposição. Dawkins não conseguiu me convencer do seu intento. Como questionamento, acredito que o livro tem seu valor, mas o ponto negativo foi a prepotência do autor. Tanto ateus, como aqueles que creem, não me incomodam quando às suas crenças, ou não. Desde, porém, que considerem o que pensam como “opinião pessoal” e não como “verdade universal” e que, principalmente, respeitem pontos de vista antagônicos.
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sexta-feira, 27 de maio de 2016

MINHA CITAÇÃO:

Expressões

“Quando alguém quiser impor a você uma maneira de pensar, se expressar, ou agir, cuide de examinar com atenção o que foi que pensamentos, palavras e ações fizeram da vida dessa pessoa.”

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: É curiosa a necessidade patológica que muitas pessoas têm de insistir em enfiar “goela abaixo”, de qualquer maneira, aquilo que é apenas a “sua verdade”. A História é grata aos seus grandes personagens e mostra que a riqueza de suas ideias estava alicerçada na disposição em PROPOR algo à sociedade. Por outro lado, existiram também aqueles que todo o tempo se ocuparam em IMPOR, o que quer que seja. Incapazes de emergir do mar de prepotência em que se dispuseram a mergulhar, tomando emprestado palavras de Fernando Pessoa, esses “pobres” impositores acabaram ficando à margem si mesmos.
Acesse o site "Pensador.uol.com.br" e encontre outras frases do autor no link: http://pensador.uol.com.br/autor/paulo_cesar_paschoalini.
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sábado, 14 de maio de 2016

UMA CITAÇÃO...

Progresso

"O progresso é tudo aquilo que diminui o poder de um homem sobre outro homem."

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AUTOR: Gillo Pontecorvo
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COMENTÁRIO - Paulo Cesar Paschoalini:
Gillo Pontecorvo nasceu em 19 de novembro de 1919, na cidade de Pisa, e faleceu em 12 de outubro de 2006, em Roma. Foi um cineasta italiano que se tornou conhecido por suas produções que retratam a complexa relação entre colonizadores e colonizados, com destaque para as ações desumanas dos dominadores. Entre seus filmes mais conhecidos estão “Queimada”, de 1969, em que narra a história do agente inglês Walker, interpretado por Marlon Brando, enviado ao chamando “Novo Mundo” para pregar a revolução nas colônias sob o domínio de Portugal e Espanha, para oferecer aos nativos apoio financeiro da Inglaterra. Outra produção de destaque é “A Batalha de Argel” (La Battaglia di Algeri), de 1965, em que conta a revolta da Argélia contra o domínio francês, ocorrido durante o século XX. Nesse filme é mostrada a prática da tortura que os colonizadores aplicavam aos revoltosos capturados (Fonte: Wikipédia).
Por ocasião de sua morte, o jornal “O Estado de São Paulo” publicou em 2006 uma reportagem de Luiz Zanin, que finaliza com a seguinte frase de Pontecorvo: “A dominação colonial mudou muito em sua forma exterior, mas não em sua essência. Sua forma moderna é a democracia imperial americana” (Link: http://cultura.estadao.com.br/blogs/luiz-zanin/gillo-pontecorvo-1919-2006/).
Se tomarmos como referência as visões tecnológicas e científicas, evidentemente que o entendimento será diferente do abordado. No entanto, acredito que a frase mencionada reflete um olhar mais humano, justamente um contraponto daquilo que a sociedade moderna convencionou chamar de "progresso".
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