Paulo Cesar Paschoalini

Paulo Cesar Paschoalini
Pirafraseando

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

MINHA CRÔNICA:

. “Gênio indomável” e o autoconhecimento
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O filme “Gênio indomável” (Good Will Hunting) é uma produção estadunidense de 1997, dirigido por Gus Van Sant, tendo como roteiristas Matt Damon e Bem Affleck, sendo indicada em oito categorias ao Prêmio Oscar de 1998, ganhando as estatuetas de Melhor Ator Coadjuvante, pela atuação de Robin Williams, e de Melhor Roteiro Original.

Narra a história de Will Huntig, interpretado por Matt Damon, um jovem superdotado, com talento matemático incomum, que trabalha como faxineiro na Universidade de Boston, quando o Prof. Lambeau expões no corredor um teorema complexo, desafiando seus alunos.

Assim, devido às suas habilidades, Hunting, que não era aluno da Universidade, consegue facilmente encontrar a solução, contudo sem se identificar, deixando intrigado o professor desafiante. Porém, quando descobre quem é o autor da façanha, acaba por encontrar uma pessoa, que apesar de muito inteligente, possui sérios problemas de adaptação social.

Quem Sou eu?
Supõe-se que os primeiros questionamentos filosóficos teriam sido as três perguntas cruciais: “quem eu sou?”, “de onde vim?” e “para onde vou?”. Elas não só originaram a busca do homem pelo conhecimento, como também continuam a ser objeto de reflexões sobre a natureza humana nos dias de hoje.

Ao mostrar a vida de Will Hunting, um jovem órfão, com poucos recursos financeiros e possuidor de uma capacidade intelectual incomum, o filme quer abordar o que talvez seja a primeira questão existencial; quem na verdade seria esse sujeito com tamanho potencial? 

Ao longo da história, o Prof. Lambeau coloca o jovem em contato com alguns psicólogos, o que não deixa de ser uma forma de entender melhor seu comportamento. Hunting, entretanto, dificulta qualquer possibilidade nesse sentido, numa atitude de autodefesa, a fim de se esconder dos problemas de agressividade e distanciamento social.

Assim, apesar de o jovem possuir um conhecimento lógico-matemático invejável, portanto, uma questão considerada externa, no seu interior é um estranho a si próprio. Para Sócrates, a busca do conhecimento tinha como objetivo o autoconhecimento; “conhece-te a ti mesmo”, que propiciaria também o conhecimento do universo.

Gênio ou talentoso:
Embora o título “Gênio indomável” seja uma tradução brasileira do original “Good Will Hunting”, é interessante levantar a questão se o correto seria o uso do adjetivo “gênio” para pessoas que possuem altas habilidades individuais. Para muitos, o termo que melhor se adequaria ao personagem seria “talento” e não propriamente “genialidade”.

De acordo com o livro “Talento e superdotação: problema ou solução?”, o autor M. L. P. Sabatella destaca que deveria ser reconhecida como “gênio” a pessoa que tivesse dado uma contribuição original e de grande valor e transformação social, casos com o quilate de Albert Einstein ou Leonardo da Vinci, por exemplo.

Segundo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, “talento é quando um atirador atinge um alvo que os outros não conseguem. Gênio é quando um atirador atinge um alvo que os outros não veem”. Assim, no caso do protagonista, ele apenas demonstrou possuir uma habilidade incomum, não esboçando sequer novas teses ou teorias relevantes.

Natureza humana
Sem dúvida, um filme que nos leva obrigatoriamente a uma reflexão acerca da natureza humana. Primeiramente, uma autoanálise, refletindo sobre nosso comportamento pessoal na vida em sociedade, questionando sobre nossas potencialidades e encarando nossas fraquezas e medos.

Em segundo lugar, lançar um olhar sobre as pessoas de convivência mais próxima, visando detectar eventuais problemas de relacionamento e criar condições para que dificuldades interpessoais possam ser dirimidas, se for o caso, com ajuda de profissionais de áreas como a psicologia, por exemplo.

Enfim, uma produção cinematográfica que certamente deverá ser incluída no rol das chamadas “obrigatórias”, com objetivo de um melhor dimensionamento das diversidades presentes no espírito humano.

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AUTORPaulo Cesar Paschoalini
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 < CURRÍCULO LITERÁRIO E PREMIAÇÕES > 
COMENTÁRIO: O texto foi publicado no blog da "Revista Vicejar" em 01.07.2020, onde o escritor possui vários textos de sua autoria, atuando como Colaborador do blog e do site. Para ler mais acesse:
BLOG DA REVISTA VICEJAR: http://revistavicejar.blogspot.com/
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segunda-feira, 1 de junho de 2020

MINHA CRÔNICA:

A construção de si mesmo: 
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No ano seguinte após o fim da II Guerra Mundial, o filósofo francês Jean Paul Sartre publicou seu livro “O Existencialismo é um humanismo”. Embora o cenário fosse pessimista por ter conhecido os horrores do conflito, Sartre dizia que o Existencialismo não era uma filosofia passiva, mas algo capaz de tornar possível a vida humana.

O Existencialismo proposto por esse filósofo francês prega que nós não nascemos prontos e, por essa razão, temos a possibilidade de nos construir durante a vida. Sendo assim, é preciso estar consciente de que nossa ação individual acabará por refletir para toda a humanidade.

Mas o que seria, então, essa nova visão existencialista? O que ela trazia de novo para o ser humano, que faz com que seja objeto de estudos filosóficos para nossa vida?

Angústia e liberdade:
Para o Existencialismo, o homem simplesmente existe e sua essência será aquilo que ele projetar, onde ele estiver inserido. Dessa forma, Sartre diz que o homem tem de construir a si mesmo, pois, caso contrário, ele não será nada enquanto não fizer algo; “o homem é, antes de qualquer coisa, um projeto que vive subjetivamente”, não existindo, desse modo, nada que anteceda esse projeto.

A construção do ser humano é resultado de processos históricos e esse “ser no mundo” não é somente responsável pela sua individualidade, mas por toda a humanidade, pois influenciamos e somos influenciados por tudo. E isso gera nele a angústia, a responsabilidade de decidir seu futuro.

Segundo Sartre, não existe determinismo, pois o homem “está condenado a ser livre”, sendo o único responsável por suas escolhas; agente e fruto da própria liberdade. Ele não nasceu pronto e sua liberdade de escolha possibilita que se torne aquilo que ainda não é. Então, ele seria o que pode-se chamar de “não ser”, algo indefinido e indeterminado, que só será construído por suas ações.

O ser “em-si”, “para-si” e “para-o-outro”:
Quando o ser humano passa a ter consciência de si mesmo e do outro, começa a perceber-se como existência consciente. A relação do homem no mundo se faz com outro ser, distinto de si; o ser das coisas. Esse ser é pleno e idêntico a ele mesmo, que Sartre denomina “em-si”, que não possui história, devir ou potencialidade. “O ser ‘em-si’ apenas é em sua plenitude”.

Além do ser “em-si”, Sartre fala sobre a existência do ser “para-si”, essencialmente humano, que, diferentemente do “em-si”, não é pleno e busca constantemente completar-se. Por ser incompleto, inacabado, é que esse “para-si” vai se construindo através do exercício da liberdade, sendo impossível, portanto, não escolher ser livre.

Sartre concebe também o que ele chama de ser “para-o-outro”. Nesse caso, ele diz que “é necessário reconhecer primeiro o outro como outro para depois o sujeito se reconhecer”. O homem percebe-se e se constrói através da relação com o ser “para-o-outro”, de estrutura conflituosa. Ele menciona, ainda, que o outro representa o limite do seu ser.

Contribuição do Existencialismo
Embora o Existencialismo tenha surgido num período pós-guerra, os conflitos dos dias atuais não são propriamente entre grandes potências, mas eles não deixam de existir de maneira localizada. Estamos assistindo a momentos de elevadas tensões, pelos mais variados motivos.

A relação com o outro é marcada por conflitos que soam como absurdos ao próprio ser humano, mas ele mesmo não se dá conta de que tudo é fruto da sua liberdade de escolha. Apesar de ser responsável pela construção de si, suas atitudes estão muito mais pautadas em atos que contribuem para a destruição da relação com o outro.

Talvez seja esse o ponto crucial que Sartre nos convida a refletir. Realmente é de fato angustiante ter a consciência de ser único responsável pelo seu futuro e ter a percepção de que aquilo que escolhe pode ter influência em toda a humanidade. 

REFERÊNCIA:
“A construção consciente do homem”, artigo de Isaias Sczuk, publicado pela revista “Filosofia Ciência e Vida” nº 74, setembro/2012.

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AUTORPaulo Cesar Paschoalini
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 < CURRÍCULO LITERÁRIO E PREMIAÇÕES > 

COMENTÁRIO: O texto foi publicado no blog da "Revista Vicejar" em 01.06.2020, onde o escritor possui vários textos de sua autoria, atuando como Colaborador do blog e do site. Para ler mais acesse:
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

MINHA CRÔNICA:

Schindler: uma lista para jamais ser esquecida 


Produção estadunidense baseada no livro de Thomas Keneally, sendo dirigida por Steven Spielberg e que recebeu sete estatuetas do Oscar em 1994, dentre elas de melhor filme e melhor direção.

Retrata a vida real do industrial alemão Oskar Schindler, que salvou a vida de mais de mil judeus durante a Segunda Guerra Mundial, ao empregá-los em sua fábrica, que funciona em Cracóvia, na Polônia, com a ajuda administrativa de Stern, um judeu interpretado por Bem Kingsley.

Diante da possibilidade de execução de boa parte desses judeus, Stern falsifica documentos, a fim de garantir que o maior número possível de prisioneiros sejam vistos como “essenciais” para prestação de serviços importantes para os objetivos nazistas. É considerado um dos melhores filmes de todos os tempos.

Sociedade e liberdade
Ao fazermos uma análise sob o prisma da liberdade, poderíamos incluir aqui praticamente todas as correntes filosóficas, já que os principais objetivos das grandes teorias abordaram em seu conteúdo à questão da liberdade do ser humano.

É importante destacar a contribuição de filósofos relacionados à chamada Escola de Frankfurt, o primeiro centro de pesquisa afiliado a uma universidade alemã. Os estudos lá realizados traçavam um panorama da sócio-político-cultural da realidade germânica, que antecederam a Segunda Guerra e a ascensão do nazismo.

Muito embora o termo “Ciências Políticas” tenha sido cunhado há mais de 50 anos antes desse conflito mundial, o estudo faz um exame do exercício do poder e de dominação do homem pelo próprio homem. Analisa a participação do Estado, sistemas políticos, as atitudes governamentais e suas consequências na sociedade.

Hanna Arendt
Para os que viveram no século XX, é inegável que as duas grandes guerras foram os principais acontecimentos que contribuíram para reavaliar os fundamentos de até então. Para isso, é importante compreender o significado e as intervenções de regimes totalitários.

Hannah Arendt foi um dos maiores expoentes da Filosofia Política contemporânea e teve estreita vinculação como os eventos que marcaram o século. Por ser alemã e filha de uma família judia, viveu um conflito particular, que se iniciava dentro de sua própria casa.

Com base especialmente nas vertentes nazista e soviética, escreveu o livro “Origens do totalitarismo”, cujas páginas evidenciam a essência de ideologias nutridas pelo antissemitismo e pelo imperialismo, que enfatizavam o racismo e o nacionalismo, além de eliminar a possibilidade da ação humana.

Além do mais, utiliza-se da propaganda do terror, acabando com individualidade e a liberdade, colocando a vida privada sob constante suspeita. Em “A Lista de Schindler”, vemos o exercício do terror ao extremo, com tratamentos desumanos e execuções sumárias de prisioneiros.

Capacidade de reinventar-se
Para alguns, Oskar Schindler foi, a princípio, um comerciante oportunista, que aproveitou-se da guerra para enriquecimento próprio. No entanto, o mais importante foi a sua atitude posterior, desfazendo-se de boa parte da riqueza que já tinha em mãos para salvar da morte mais de mil judeus, que ele mal conhecia.

Apesar de Thomas Hobbes ter dito que “o homem é o lobo do homem”, resta ao maior predador de si mesmo a reflexão de Hanna Arendt, que mesmo nas adversidades, crê na capacidade humana de iniciar algo novo.

Dessa forma, uma das frases finais do filme dá suporte ao pensamento de Arendt: “aquele que salva uma vida salva o mundo inteiro”. Assim, não importa se movido pelos mais diversos interesses, o ser humano tem em seu interior a capacidade de reinventar-se continuamente.

Que esse filme seja revisitado constantemente, para que se possa estimular a reflexão acerca da nossa ação individual, do relacionamento social e, principalmente, da nossa condição humana!

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AUTORPaulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: O texto foi publicado no blog da "Revista Vicejar" em 20.02.2020, onde o escritor possui vários textos de sua autoria, atuando como Colaborador do blog e do site. Para ler mais acesse:
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segunda-feira, 15 de julho de 2019

MINHA CRÔNICA:

Para viver poeticamente 


Produção estadunidense do ano de 1989, “Sociedade dos poetas mortos” foi indicada ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator, além de Melhor Roteiro Original, sendo, nessa última, laureado com a estatueta.

Sua ambientação é do final dos anos 50, numa época marcada por transformações sociais. Mostra a história de uma classe de alunos do tradicional colégio Welton, cujas palavras de ordem eram “tradição, disciplina, honra e excelência”, um modelo de educação que os pais almejavam para seus filhos, já que exerciam forte influência sobre o futuro deles.

Durante a cerimônia de abertura do ano letivo, o novo professor, John Keating, é apresentado aos estudantes e, devido a seus métodos pouco convencionais, ganha a simpatia dos alunos, mas, em contrapartida, provoca incômodo à Direção do Colégio.

O filme é repleto de situações que podem nos remeter a muitos pensadores, tendo em vista que a busca do conhecimento, vontade e liberdade sempre foram objetos de reflexão. Para Sócrates, por exemplo, a educação tinha como finalidade não somente a transmissão de conhecimento, mas a busca do autoconhecimento, conforme sua célebre frase “conhece-te a ti mesmo”.

No decorrer da trama, o Prof. Keating acaba alimentando as divergências entre pais e filhos na escolha da carreira, instigando os alunos a questionarem-se sobre suas vontades. Seus métodos de ensino acendem o conflito entre a tradição do Colégio e a liberdade de escolha dos jovens. Ainda mencionando Sócrates, “uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida”.

A questão da liberdade é levantada desde o início do filme, quando os alunos são obrigados a curvarem-se aos princípios embasados nos quatro pilares da Instituição. Entregues aos cuidados do Colégio, passam a adotar uma postura quase militar, o que impede eventuais expressões consideradas “fora dos padrões”.

No existencialismo de Jean Paul Sartre, o filósofo francês desvincula a liberdade da vontade divina e conceitua que ela é uma decisão individual. “O homem é condenado a ser livre”, sendo, portanto, único responsável por suas escolhas, não havendo um destino pré-estabelecido na vida.

Destaque para o personagem Neil Perry, estudante entusiasta das ideias de Keating, que resolve seguir seu coração e, movido pela poesia, descobre o teatro como objetivo de vida. Mas essa escolha esbarra na vontade do pai, que decide que filho será médico. Ao ver seu sonho frustrado, o jovem lança mão de uma atitude trágica.

Entendo tratar-se de um filme denso, que aborda vários aspectos de relacionamento humano, ficando explicita a dissonância nas relações entre instituição e professor, colégio e alunos, educador e educandos, pais e filhos, além das diferenças de atitude entre os próprios estudantes.

Decorridos mais de meio século, ainda persistem os questionamentos quanto aos objetivos das instituições, padrões e qualidade de ensino, relações familiares e métodos de educação, insatisfações da juventude, entre outros. Enfim, reflexos do comportamento humano, na eterna e intrincada busca por uma convivência mais harmônica.

Para finalizar, vale lembrar a poesia de Henry Thoreau, mencionada no filme:

“Fui para os bosques para viver deliberadamente,
para sugar todo o tutano da vida.
Para aniquilar tudo o que não era vida,
e, para quando morrer, não descobrir que não vivi”.

Nela está contida a necessidade de se viver intensamente a vida, tal qual a expressão Carpe diem, que vem do latim e que significa “colha o dia”, ou “aproveite o momento”.

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: O texto foi publicado na "Revista Vicejar", em 15.07.2019, onde o escritor possui vários textos de sua autoria, atuando como Colaborador do Blog. Para ler mais acesse:
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quinta-feira, 8 de junho de 2017

UM TEXTO...

Esquece o futuro...

“Esquece o futuro. Ele não te pertence!
O presente te basta!
Mas é preciso ser rápido, quando ele é mau presente
E andar devagar quando se trata de saboreá-lo
Expressões como: “passar o tempo”
espelham bem a maneira de viver dessa prudente
que imagina não haver coisa melhor pra fazer da vida.
Deixam passar o presente, esquivam-se, ignoram o presente…
Como se estar vivo fosse uma coisa desprezível…
Porque a natureza nos deu a vida em condições tão favoráveis…
que só mesmo por nossa culpa ela poderia se tornar pesada e inútil.”

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AUTOR: Michel de Montaigne
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COMENTÁRIO - Paulo Cesar Paschoalini:
Michel Eyquem de Montaigne (1533 - 1592) foi político, filósofo humanista e escritor francês, considerado o inventor do ensaio pessoal. Nas suas obras, analisou as instituições, as opiniões e os costumes, tomando a generalidade da humanidade como objeto de estudo (Fonte: Wikipédia).
O texto foi extraído de um artigo publicado no site "Revista Pazes", que pode ser acessado pelo link: http://www.revistapazes.com/filhoskalil/.
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sábado, 20 de maio de 2017

UMA CITAÇÃO...

Justiça e vingança

“A justiça é a vingança do homem em sociedade, como a vingança é a justiça do homem em estado selvagem.”

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AUTOR: Epicuro
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COMENTÁRIO - Paulo Cesar Paschoalini:
Epicuro nasceu em 341 a. C., na ilha de Samus, Grécia, e faleceu em 271 a. C., em Atenas, capital grega. Foi fundador do Epicurismo, filosofia baseada na identificação do bem soberano, como prazer, e na teoria atomista, na qual acreditava que o átomo era o elemento formador de todas as coisas.
Estudou filosofia, tendo como mestre Pânfilo, discípulo de Platão, mas discordava de suas ideias, fazendo oposição à Academia de Platão e ao Liceu de Aristóteles. Estudou em Téos, onde teve contato com a teoria atomista de Nausífanes de Téos, discípulo de Demócrito de Abdera.
Reformulou a teoria atomista e fundou sua própria escola, chamada “Jardim”, onde preconizava um bom relacionamento entre mestres e discípulos. Via o prazer sob dois aspectos: o passageiro, encontrado na alegria e na felicidade e o estável, que seria a total ausência da dor.
Para ele, a vida pode ser resumido como sendo uma tragédia. Nós não somos filhos de Deus, vivemos e morremos por acaso e, depois da morte, não há vida. Dizia que era dever do homem tornar a vida presente na melhor possível. (Fonte: https://pensador.uol.com.br/autor/epicuro/biografia/).
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quinta-feira, 11 de maio de 2017

UM TEXTO...

Mapas

Quando o corpo funciona espontaneamente, isso é chamado de instinto.
Quando a alma funciona espontaneamente, isso é chamado de intuição.
Instinto e Intuição se parecem e, 
ainda assim, uma grande distância os separa.
O Instinto é do corpo... denso;
e a Intuição é da alma... o sutil.
E entre os dois está a mente, a especialista,
que nunca funciona espontaneamente.
Mente significa conhecimento.
O conhecimento nunca poderá ser espontâneo.
O Instinto é mais profundo do que o intelecto.
Ambos estão além do intelecto, e ambos são bons.

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AUTOR: Osho Rajneesh
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COMENTÁRIO - Paulo Cesar Paschoalini:
Chandra Mohau Jain nasceu em 11 de dezembro de 1931, em Raisen District, Índia e faleceu em 19 de janeiro de 1990, em Purie, também na Índia. Foi um professor de filosofia e mestre na arte da meditação, fundando um movimento espiritual, que poderia ser considerado como uma nova religião, com a busca pelo divino, rituais, doutrinas e até escrituras. Publicou mais de 600 livros.
Graduado em Filosofia, dava aulas na Universidade de Jabalpur e abriu um centro de meditação, conquistando alguns seguidores. Em 1962, iniciou um ciclo de palestras pela Índia. Em 1964, suas palavras foram publicadas no livro “O Caminho Perfeito”. A partir de 1966, dedicou-se exclusivamente à vocação de guru, organizando acampamentos de meditação na zona rural do país.
No ano de 1971, mudou seu nome de “Chandra Mohau Jain” para “Bhagawa Shree Rajneesh” ou Rajneesh “o senhor abençoado”. No fim dos anos 70, seu acampamento recebia cerca de cem mil pessoas por ano. Em 1981, Osho e seus seguidores transferiram-se para um terreno no deserto de Oregon, nos EUA, criando a comunidade “Rajneeshpuram”, atraindo doações de milionários para construir uma cidade.
Por pregar o liberalismo em relação ao sexo, criou insatisfação da sociedade local, o que lhe custou o visto de residência. Em 1985 passou seis dias preso, acusado de violar a lei de imigração. Após o pagamento de fiança de US$ 400 mil, foi libertado, com a promessa de deixar o país.
Teve seu visto negado em 21 países, vendo-se obrigado a retornar à Índia. Em 1990, mudou seu nome para Osho “oceânico”, no mesmo ano do seu falecimento (Fonte: "Pensador.uol" - Link: https://pensador.uol.com.br/autor/osho/biografia).
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sexta-feira, 21 de abril de 2017

CINEMA:

“Benjamin Button” e o eterno desejo de rejuvenescer

Produção de 2008, baseada no conto homônimo de F. Scott Fitzgerald, “O curioso caso de Benjamin Button” traz no elenco nomes como Brad Pitt e Cate Blanchett. Foi um dos filmes que mais concorreu ao Oscar, com 13 indicações, conquistando apenas três, em categorias voltadas ao quesito visual.

Conta a história de Benjamin, um homem que nasce em 1918 com aparência e características de envelhecimento e, devido ao seu aspecto incomum, é abandonado pelo pai após a morte da mãe, logo depois do parto. Ele, então, é encontrado por Queenie, que trabalha em um Lar para idosos, que passa a criar o menino. Convive em igual condição com os outros moradores, apesar de sua mente ser como a de um garoto; inseguro e curioso sobre a vida.

Ainda na infância conhece a menina Daisy, que se tornaria seu grande amor. Benjamin, no entanto, tem uma característica curiosa. Diferentemente dos demais, ao invés de manter ou adquirir novas rugas, ele vai rejuvenescendo, o que torna o filme intrigante.

Agostinho de Hipona:
O tempo muitas vezes foi objeto de reflexão da Filosofia. A literatura também se serviu de conceitos temporais como pano de fundo em narrativas de ficção, como é o caso de Benjamin Button. A ideia surgiu depois que Fitzgerald leu a frase de Mark Twain: “A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18”.

Essa subversão na cronologia nos remete ao pensamento de Santo Agostinho, que dizia ser o tempo essencialmente psicológico. Desse modo, o passado não existe, pois é uma lembrança; o presente não passa de uma percepção, ou intuição, e o futuro é algo que nunca aconteceu e, portanto, é apenas uma expectativa.

Kant e Heidegger:
Segundo o filósofo alemão Immanuel Kant, o tempo (além do espaço) é uma condição de possibilidade da experiência, não sendo, portanto, uma realidade, já que não é visível, nem tangível e trata-se de uma intuição antes da experiência.

Assim, a capacidade de intuição, em conjunto com a capacidade de pensar, é responsável pela organização das informações dos sentidos e permite por meio da reflexão o surgimento do conhecimento humano. Podemos, portanto, questionar a respeito de nós mesmos; ou seja, porque nossa natureza é nascer criança e morrer velho?

Interessante mencionar, ainda, Martin Heidegger, que tratou de algo muito visível no personagem; a angústia. De acordo com esse outro pensador alemão, angústia é uma insegurança que sentimos da nossa própria existência perante o mundo, isolados de tudo; uma solidão, inclusive, perante a nossa condição humana, em que o futuro não oferece nenhuma forma de garantia.

Não importa se o tempo é uma ilusão ou uma intuição, que age no sentido de contribuir para a aquisição de conhecimento. Independente de nos envelhecer ou remoçar, em ambos os casos necessitamos nos submeter a uma experiência de vida, dentro de um período, com o objetivo (talvez) de adquirir conhecimento e consciência para nossa evolução.

Não estamos imunes ao mesmo fim
É curioso notar nossa insatisfação com relação ao tempo. Quando somos crianças, torcemos para ser rapidamente adultos. Ao avançarmos na idade adulta, queremos colocar um freio no tempo. Assim que nos aproximarmos da velhice, gostaríamos que nossa idade retrocedesse gradualmente, a ponto de nos tornarmos novamente jovens, conforme sugere o autor F. Scott Fitzgerald.

Ao refletirmos sobre o filme, percebemos que um eventual processo de inversão da idade, partindo da velhice, só alteraria a cronologia e aspectos das características físicas. Embora a maioria das pessoas se queixe do natural processo de envelhecimento, se o tempo caminhasse no sentido oposto, não estaríamos imunes ao nosso inevitável destino.

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
Um filme curioso, como mencionado no título, mas, acima de tudo, sensível, que nos convida a uma reflexão sobre a inevitável passagem do tempo e suas consequências. Destaque para as atuações de Brad Pitt e Cate Blanchett, além da bela ambientação de época.
O texto também foi publicado no site "Portal Raízes", e pode ser acessado através do link: http://www.portalraizes.com/8598-2/, ou pelo Facebook do "Portal": https://www.facebook.com/portalraizes/?fref=ts.
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