Paulo Cesar Paschoalini

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

MINHA CRÔNICA

O sonho não acabou... 



“... Me diz como pode acontecer, um simples canalha mata um rei, em menos de um segundo.”

(Beto Guedes e Ronaldo Bastos em “Canção do novo mundo”)

 

_____No dia 8 de dezembro de 1980, o mundo despertou perplexo com o assassinato de John Lennon. A boca da arma de Mark David Chapman, um fanático (sempre eles!), calou para sempre a voz do ex-Beatle, com quatro tiros à queima-roupa. Uma atitude que até hoje suscita dúvidas quanto ao que teria motivado esse lunático a cometer tal ato de covardia. Para alguns, Chapman foi apenas o executor e não o mentor do assassinato. De acordo com algumas fontes na internet, a imagem acima, escolhida para acompanhar este texto, seria o último registro de Lennon vivo, cuja fotografia captura também parte do rosto do assassino, no canto direito (site: revistabula.com).

_____Arquivos do FBI divulgados na década de 90 revelaram uma preocupação das autoridades dos Estados Unidos com o artista, que tinha um estilo de vida pouco convencional para a época. Por ser uma figura polêmica, seus passos eram seguidos de perto e cada atitude de Lennon era objeto de investigações secretas e consequente fichamento por parte do “Bureau” norte-americano, que o considerava uma ameaça, já que ele cometia o “absurdo” de se posicionar abertamente contra as guerras, especialmente a do Vietnã, e pregava a paz através de manifestações públicas ou em suas composições, com em “Give peace a chance” (Dê uma chance à paz), gravada em 1969.

_____Porém, uma de suas maiores obras na carreira solo foi gravada dois anos mais tarde. “Imagine” se tornou o hino de uma geração e, com os acontecimentos do mundo de hoje, está mais atual do que nunca. 

_____“... Imagine não existir países. Isso não é difícil de se fazer. Sem matar ou morrer e sem religião também. Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz...”

_____Embora essa composição nos convide a uma profunda reflexão, muitos consideram seu conteúdo utópico. Para Lennon, no entanto, trata-se de um sonho perfeitamente possível de tornar-se realidade. 

_____“... Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único. Eu espero que algum dia você se junte a nós e o mundo será um só.” 

_____Mais de cinco décadas depois de “Imagine”, a sociedade evoluiu tecnologicamente e a vida foi reduzida a convivência digital. Entretanto, algumas coisas não mudaram e até se acentuaram. Quanta violência e quanto matar e morrer em nome de religiões ou fronteiras! Como é difícil viver em paz no mundo atual!... Na música “Comentário a respeito de John” o compositor Belchior (falecido em 2017), em parceria com José Luis Penna, destaca a dificuldade em se conseguir a felicidade e a paz: ... John, eu não esqueço, a felicidade é uma arma quente...

_____Realmente, pode parecer impossível mudar o mundo todo. Mas uma grande transformação só começa a se processar através de pequenas ações individuais. Basta começarmos a mudar a nós mesmos e, a partir daí, singelas mudanças para melhor ocorrerão, mesmo que seja apenas no pequeno mundo ao nosso redor. Quem sabe assim, aos poucos, um dia “o mundo será um só”, como sonhava John Lennon. 

_____Apesar de lembrar os 45 anos da morte de Lennon, convém mencionar os demais integrantes do Beatles, que não só marcaram uma geração como continuam a influenciar músicos atuais. Paul McCartney esteve recentemente no Brasil para apresentações inesquecíveis, sempre com ingressos esgotados. Tudo o que for dito sobre McCartney deixará cada vez mais evidente sua genialidade, talento e carisma, ainda arrastando multidões. Melhor do que falar sobre ele é ainda ter o privilégio de assistir pessoalmente ao seu show “Got Back” em 07/12/2023, no Allianz Parque, em São Paulo, acompanhado de minha mulher e minha filha. Um momento inesquecível!

_____Já Ringo Starr mantém-se discreto e, pelo que consta, com pouca aparição pública, mas noticiários informam sobre eventuais trabalhos de estúdio, além da repercussão de algumas de suas entrevistas. 

_____Sobre George Harrison, outro ex-Beatle falecido, pode-se dizer que o guitarrista dos Beatles era alguém sensível e talentoso e, por isso mesmo, não menos importante que os demais. Encontrou o espaço que precisava para mostrar que também era um compositor extraordinário, também na carreira solo. Além do mais, deixou evidenciada a sua tendência espiritual, principalmente quando gravou em 1971 a música “My sweet Lord”. 

_____Participou ativamente de eventos em favor de causas humanitárias. Também foi vítima de um atentado, sendo esfaqueado dezenas de vezes por Michael Abram, um fanático (olha outro aí!) que invadiu a sua casa em Londres em 1999. Apesar desse fato isolado, viveu em paz consigo mesmo e sempre buscando uma integração harmoniosa com o universo, até ser vencido por um câncer, em 2001. 

_____Apesar de suas músicas imortais, cada integrante dos Beatles seguiu um caminho semelhante a qualquer outro mortal. Assim, cada sonhador faz dos seus sonhos a sua realidade... E depois as cortinas se fecham e ele sai de cena do palco da vida.

_____Em 1970, John Lennon anunciou o fim dos Beatles, com a icônica frase “the dream is over”. Mas, na verdade, o sonho não acabou. Apenas a cada dia se renovam os sonhadores.



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AUTORPaulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: O texto foi publicado no blog da "Revista Vicejar" em 08.12.2025, onde o escritor possui vários textos de sua autoria, atuando como Colaborador do blog e do site. Para ler mais acesse:
BLOG DA REVISTA VICEJAR: http://revistavicejar.blogspot.com/

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segunda-feira, 11 de julho de 2016

CINEMA:

Gênio indomável

1 – INTRODUÇÃO:
O filme Gênio indomável (Good Will Hunting) é uma produção estadunidense de 1997, dirigido por Gus Van Sant, tendo sido indicada em oito categorias ao Prêmio Oscar de 1998, ganhando a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante, pela atuação de Robin Williams, e Melhor Roteiro Original. Um destaque que vale a pena ser feito é o fato de que os astros Matt Damon e Bem Affleck são os roteiristas desse filme, além de atuarem nele.
Trata-se de um drama que narra a história de Will Huntig, interpretado por Matt Damon, um jovem superdotado, com talento matemático incomum, que trabalha como faxineiro na Universidade de Boston, quando o Prof. Lambeau desafia seus alunos, expondo no corredor por onde os alunos transitam, um teorema complexo para ser resolvido.
Assim, devido às suas habilidades, Hunting, que não era aluno da Universidade, consegue facilmente encontrar a solução matemática, contudo sem se identificar, deixando intrigado o professor desafiante, que deseja a todo custo conhecer quem seria o prodigioso autor da façanha.
Porém, quando descobre de quem se trata, acaba por encontrar uma pessoa, que apesar de muito inteligente, possui sérios problemas de adaptação social.

2.1 – QUEM SOU EU?
Os primeiros questionamentos filosóficos foram, sem dúvida, as três perguntas cruciais: “quem eu sou?”, “de onde vim?” e “para onde vou”. Essas questões não só originaram a busca do homem pelo conhecimento, como também continuam a ser objeto de reflexões sobre a natureza humana nos dias de hoje.
Ao mostrar a vida de Will Hunting, um jovem órfão, com poucos recursos financeiros e possuidor de uma capacidade intelectual incomum, o filme quer abordar o que talvez venha a ser a primeira questão existencial, já que o protagonista tenta se esquivar de todas as formas de se submeter às seções com psicólogos, cuja finalidade é descobrir quem na verdade seria esse sujeito com tamanho potencial. 
Ao longo da história, o Prof. Lambeau coloca o jovem em contato com alguns psicólogos, também com a intenção de frear seu instinto violento, além de procurar integrá-lo à vida social, o que também não deixa de ser uma forma de entender melhor seu comportamento. Hunting, entretanto, se utiliza de constante doses de ironia para dificultar qualquer possibilidade de um relacionamento harmônico com os profissionais de psicologia, numa atitude de auto-defesa para se esconder de seus reais problemas, que envolvem raiva, agressividade e distanciamento social.
Assim, apesar de o jovem possuir um conhecimento lógico-matemático invejável, portanto, uma questão considerada externa, quando se trata de seu interior, mostra-se um estranho a si próprio, lançando mão de artifícios para se manter nessa condição. Para Sócrates, a busca do conhecimento não tinha como único objetivo um acúmulo de informações pessoais. Com sua célebre frase “conhece-te a ti mesmo”, objetivava principalmente o autoconhecimento, que propiciaria também o conhecimento do universo.
Mais tarde, ainda na Grécia antiga, Aristóteles dizia que o homem é por natureza um ser social, ou, um animal social, pois se trata de um ser muito frágil para viver sozinho. Todavia, suas relações com a sociedade são pautadas por questões e particularidades que abrangem diferenças individuais, que só poderão ser lapidadas no próprio exercício da convivência com o outro.
Mais recentemente, na primeira metade do século XX, o filósofo francês Jean-Paul Sartre dizia que o homem é um projeto que vive subjetivamente. Aquilo que quer ser é uma escolha e, ao se submeter ao ato de fazer uma escolha, está diante não somente o que deseja ser, mas, segundo seu ponto de vista, está indiretamente julgando como todos os homens devem ser. Então, ao perceber que sua escolha envolve também toda a humanidade, ele se sente angustiado.
Dessa forma, se por um lado o ser humano vive o dilema de querer saber quem é, por outro lado, conforme também menciona Sartre, ele vive a angústia de ter a consciência de que aquilo que deseja ser envolve não somente a si mesmo, mas tem interferência em toda a humanidade. Ainda, de acordo com o filósofo francês, só o ser humano de má fé consegue disfarçar a sua angústia.
No caso do personagem Hunting, retratado no filme em questão, ele vive um claro desajuste social, movido por suas angústias pessoais e fugindo a todo custo de qualquer possibilidade de encarar a si mesmo.

2.2 – GÊNIO OU TALENTOSO?
Embora o título “Gênio indomável” seja uma tradução brasileira do original “Good Will Hunting”, é interessante levantar a questão se o correto seria o uso do adjetivo “gênio” para pessoas que possuem altas habilidades individuais, como a mostrada o filme. Para muitos, o termo que melhor se adequaria ao caso do personagem seria “talento” e não propriamente “genialidade”.
De acordo com o livro “Talento e superdotação: problema ou solução?”, o autor M. L. P. Sabatella destaca que a versão para do título adotado no Brasil estaria equivocada. Segundo sua teoria, deveria ser reconhecida como gênio a pessoa que tivesse dado uma contribuição original e de grande valor, cuja sua produção ou contribuição fosse capaz de provocar transformação em um ou mais campos do conhecimento, mudando conceitos vigentes e perdurando por gerações seguintes. Sendo assim, somente pessoas com o quilate de Einstein ou Leonardo da Vinci, por exemplo, deveriam ser adequadas à terminologia “gênios”. Segundo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, “talento é quando um atirador atinge um alvo que os outros não conseguem. Gênio é quando um atirador atinge um alvo que os outros não vêem”.
No caso do filme, fica fácil perceber que não seria o caso de enquadrar Hunting como “gênio”, uma vez que ele seria apenas um indivíduo dotado de uma capacidade lógico-matemática elevada. De acordo com o desenrolar da história narrada, o protagonista não esboçou sequer novas teses ou teorias relevantes. Apenas demonstrou possuir uma habilidade incomum aos jovens de sua idade, especialmente por não ter acesso aos mesmos ensinamentos acadêmicos que os demais.
Com relação aos chamados “superdotados”, um dos grandes desafios dos educadores talvez seja identificar alunos com essa característica. Sabe-se que esse tipo de estudante, por se sentir diferente, costuma ter dificuldade de relacionamento interpessoal, tendendo a ser introvertido e com conseqüente isolamento. Tal comportamento, além de comprometer seu convívio social, pode ser um obstáculo para melhor aproveitamento de seu potencial intelectual.
Eventual sub-aproveitamento escolar poderá desmotivar alunos com altas habilidades, uma vez que não se sentirão estimulados, levando-os a aprender menos do que estariam aptos a assimilar com conteúdos mais condizentes com a capacidade que possuem. Segundo Paulo Freire, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Dessa forma, podemos ter uma ideia da complexa, mas, ao mesmo tempo, desafiadora arte de educar.

3 – CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Sem dúvida, um filme que nos leva obrigatoriamente a uma reflexão acerca da natureza humana. Primeiramente, uma auto-análise, refletindo sobre nosso comportamento pessoal na vida em sociedade, questionando sobre nossas potencialidades e encarando nossas fraquezas e medos.
Em segundo lugar, lançar um olhar sobre as pessoas com quem temos convivência mais próxima, visando detectar eventuais problemas de relacionamento e criar condições para que dificuldades interpessoais possam ser dirimidas, se for o caso, com ajuda de profissionais de áreas como a psicologia, por exemplo.
Para futuros educadores, atentar para as características individuais de cada estudante, possibilitando minimizar todo tipo de desajuste ou isolamento e, especificamente com relação aos alunos com altas habilidades, procurar orientação para direcionar e melhor aproveitar das altas habilidades observadas.
Um filme, com certeza, no rol dos chamados “obrigatórios” para um melhor dimensionamento das diversidades presentes no espírito humano.

4 – REFERÊNCIAS:
- Site “Revista Eletrônica de Ciências”, da Universidade Federal de São Carlos-SP, Link: <http://www.cdcc.sc.usp.br/ciencia/artigos/art_26/sartre.html>, acesso em 02 mai 2014.
- Site da Universidade Federal de Santa Maria, Centro de Educação/CE, Link: <http://coralx.ufsm.br/revce/ceesp/2005/01/a5.htm>, acesso em 15 jul 2014.
- Site “Periódicos Eletrônicos e Psicologia”, da PUC-SP, Link: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1414-69752012000200010&script=sci_arttext>, acesso em 18 jul 2014.
- Site “Pensador UOL”, Link: <http://pensador.uol.com.br/>, acesso em 15 jul 2014.

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: Trabalho desenvolvido para ser apresentado como componente curricular de AACC - Atividade Acadêmica Cultural e Científica, durante a graduação em Licenciatura em Filosofia, pela Faculdade "Claretiano - Rede de Educação", Polo de Rio Claro-SP.
A publicação no blog é uma sugestão para quem ainda não assistiu ao filme, além de ser também um convite para aqueles que já o assistiram, para tornarem a vê-lo, agora sob uma análise filosófica. A violência reinante em nossa sociedade é em razão de diversos fatores coletivos e individuais. Dessa forma, todo e qualquer tipo de reflexão sobre o assunto é bem vinda, a fim de propiciar uma visão mais ampla sobre a convivência humana.
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sábado, 7 de maio de 2016

CINEMA:

Gandhi

1 - INTRODUÇÃO:
Essa produção britânico-indiana de 1982, dirigida por Richard Attenboroug, foi indicada ao Oscar em 11 categorias, ganhando 8 estatuetas, entre elas de melhor filme e direção, além de melhor ator para Bem Kingsley, no papel-título.
Conta a vida do líder indiano Mohandas Karamchand Gandhi e sua luta para independência de seu país sob domínio do império britânico. Destaque para a sua política de não violência, que aos poucos vai minando o poderio inglês. Mais tarde ficou popularmente conhecido como Mahatma Gandhi (Mahatma, a grande alma, em sânscrito).
Narra também sua tentativa de conciliação entre os diferentes segmentos religiosos, buscando a unificação da Índia numa única nação, já que para ele deveria ser algo que independesse da opção religiosa.
Numa época de conflitos sociais em várias partes do mundo, o filme é um convite a uma reflexão a respeito de atitudes de violência do ser humano, onde ficam explícitos os atos extremos, que visam a dominação do homem pelo próprio homem, que nos remete ao filósofo inglês Thomas Hobbes e sua célebre frase “o homem é o lobo do homem”.

2.1 - O DOMÍNIO INGLÊS:
O filme é sobre a história do líder indiano Mahatma Gandhi e sua luta pela independência de seu país sob domínio britânico. Após sua chegada à Índia, Gandhi mantém contato com figuras expressivas do Congresso Nacional Indiano e é convidado a viajar de trem pelo país para conhecer a realidade vivida pelo povo, com desigualdades sociais gritantes.
Ao ver-se diante de situações em que o império britânico se impunha pela força para manter seu domínio, Gandhi surge como conciliador visando a unificação de hindus e muçulmanos no processo de libertação. Para isso, conclama o povo a assumir sua própria identidade, como uso de roupas simples, de confecção artesanal, boicotando, assim, o comércio de tecido inglês, além de organizar a marcha do sal como forma de resistência ao poder militar de seu opressor.
Como é possível observar ao longo da história, toda vez que um país vence seu oponente através de um conflito armado, acaba por impor ao povo vencido sua cultura, crença religiosa e costumes, a fim de deixar claro seu domínio pelo uso da força.
Porém, em situações dessa natureza é comum ao povo oprimido lutar pela sua liberdade, já que ela é inerente à condição humana. Thomas Hobbes, no seu livro Leviatã ou Matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil: “porque quanto à força corporal o mais fraco tem força suficiente para matar o mais forte, quer por secreta maquinação, quer aliando-se com outros que se encontrem ameaçados pelo mesmo perigo”.
Embora algumas ações militares britânicas tenham sido respondidas com violência, principalmente por parte do segmento muçulmano, as tropas militar bem treinadas e seu aparato armamentista foram sendo paulatinamente desmoralizados por atitudes pacifistas, planejadas e implementadas por Gandhi, baseadas na sua estratégia de não violência.

2.2 - A POLÍTICA DA NÃO VIOLÊNCIA:
A trajetória de Gandhi é mostrada, desde sua juventude na África do Sul, quando teve contato com o “apartheid”, regime britânico de segregação racial. Naquela oportunidade era um recém formado advogado, que acaba sendo expulso de um trem em que viajava, por recusar-se a deixar a primeira classe, destinada a pessoas de pele clara, diferente da sua. Desde essa época, suas atitudes sempre foram pacíficas, que não deve ser confundida com passividade.
Ao retornar à Índia e encontrar um país subjugado pelo império britânico, decide adotar a política de não agressão, acompanhada de desobediência civil, como enfrentamento às ações militares de seu dominador. Essa sua estratégia pacifista ganha o apoio não só das massas, mas também da burguesia, alcançando, inclusive, reconhecimento internacional. Para se ter uma idéia dessa abrangência, ao ser convidado a uma visita à Inglaterra, conquista também a simpatia dos trabalhadores da indústria têxtil britânica.
Ao mencionar a frase “olho por olho e o mundo acabará cego”, que sintetiza sua visão peculiar de enfrentamento, Gandhi conseguiu enxergar muito além do que aqueles que, impedidos pela cegueira do ódio, insistem em ações de retaliações cada vez mais violentas.
Ironicamente, justamente ele que lutou pela paz, acabou por ser covardemente assassinado a tiros por um fanático indiano.

3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Apesar da independência da Índia, Gandhi, ele não consegui atingir seu princípio humanista de unificação de seu país. Posteriormente o país foi dividido, com a fundação do Estado do Paquistão, que ele não chegou a ver.
Porém sua maior vitória foi seu legado calcado no princípio da não violência. Através de atitudes baseadas em estratégias pacíficas, conseguiu obter resultados de muito mais eficiência do que as ações de represálias contra seu oponente britânico.
Na busca da paz em todos os segmentos sociais e no eterno desejo pela paz interior, o ser humano encontra em Gandhi um líder singular, que conseguiu atingir com eficiência seu objetivo de libertar seu país, sem o uso da força, como normalmente acontece.
Outra frase desse pacifista indiano, que vem ao encontro de suas atitudes ao longo de sua vida: “não existe um caminho para a paz; a paz é o caminho”. Sendo assim, embora possa parecer utópica, fica a expectativa de que a paz seja o caminho a ser trilhado pelo ser humano contemporâneo.

4 - REFERÊNCIAS:
- Caderno de Referência de Conteúdo-Filosofia Política, Unidade 4 / Prof. Dr. Daniel Arruda Nascimento, Claretiano-Rede de Educação/Batatais 2013.
- Pensador UOL, Link: <http://pensador.uol.com.br/gandhi/>, acesso em 15 set 2013.
- Wikipédia – A Enciclopédia Livre, Link: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Mahatma_Gandhi>, acesso em 16 set 2013.

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
Trabalho do componente curricular de AACC - Atividade Acadêmica Cultural e Científica, apresentado durante a graduação em Licenciatura em Filosofia, pela Faculdade "Claretiano - Rede de Educação", Polo de Rio Claro-SP.
A publicação no blog é uma sugestão para quem ainda não viu o filme e também um convite para aqueles que já o assistiram, para tornarem a vê-lo, agora sob uma análise filosófica. Vivemos num mundo em que o exercício da força do poder econômico sobre os mais fracos é cada dia mais visível e, para tal constatação, basta lançarmos um olhar reflexivo em torno de nós, que veremos isso das maneiras mais veladas e dissimuladas.
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