Paulo Cesar Paschoalini

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Pirafraseando

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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

MINHA POESIA:

Vasto oceano: 

Desprovido de qualquer material adequado,
eu, poeta, lanço meu olhar sobre o mar,
a fim de pescar na minha rede de sentimentos
o encantamento espalhado pela imensidão,
ou preciosidades escondidas nas profundezas.

A uma certa distância,
sinto o vento que sopra na praia
e vejo ondas que juntam a areia;
ouço ali o murmúrio do Criador.
Inevitável não querer aproximar-me.

Molho os pés na água salgada,
para experimentar o sabor do infinito.
Minha boca não esconde o contentamento;
eu, simplesmente, rio...
querendo descobrir-me vasto oceano! 

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini 
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OBSERVAÇÃO: O texto é parte integrante do original "Mar adentro, mundo afora...", livro de poesias aguardando parceria/patrocínio para publicação. 
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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

MINHA CRÔNICA (E MÚSICA):

Nas margens da saudade



MÚSICA: Nas margens da saudade
- Composição: Alex, Zé Roberto e Paulo Paschoalini
- Interpretação: Dênis e Zé Roberto

É triste olhar p'ro rio do jeito que está agora;
lugar onde o peixe pára, só pára poluição.
Correnteza de ambição levou a beleza embora;
seu leito corta a cidade e também corta o coração.
       
No tempo da seca eu choro o esgoto a céu aberto;
no tempo da chuva eu sei, que o céu vai chorar, por certo.
No leito estão as marcas da vida que teve outrora;
nas margens estão os restos da morte em que está agora.

O rio que conduz a vida p'ro seio da natureza,
toda vez que tem enchente provoca tristeza e dor.
Morador ainda insiste em remar contra a correnteza.
O choro da cachoeira é o lamento do Criador.

Animais morrem de sede, aves vão em revoada;
plantas perdem todo o verde, até não sobrar mais nada.
Não vê que matando o rio morre também a cidade;
porque quem semeia vento só vai colher tempestade.

Tem mandi e tem cascudo ainda sobrevivendo;
cardumes de lambaris resistem até demais;
o jaú e o pintado estão desaparecendo;
o dourado que reinava sumiu algum tempo atrás.

Os peixes de muitos quilos hoje eu pesco na memória;
peixe grande como aqueles, só se for contando história. 
Pescador conta mentira, mas hoje diz a verdade;
se eu jogar o anzol no rio só vou fisgar a saudade.

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Nasci e ainda moro em Piracicaba, que tem como uma de suas atrações mais conhecidas e encantadoras o Rio Piracicaba, cujas belezas foram fonte de inspiração para músicas, que sempre exultaram o que ele tem de belo, no estilo sertanejo, ritmo característico da região.

Mas o que nos motivou a compor essa música foi justamente o oposto. O descaso recorrente que tem vitimado todo o entorno que habitam a bacia hidrográfica conhecida como 
Consórcio PCJ, composta pelos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, que dia após dia vêm se degradando e as autoridades fazem questão de não enxergar.

Porém, o mais alarmante é que esse não é um caso isolado, se levarmos em consideração os noticiários sobre ecologia, que abordam em especial a gestão pública de gestão dos recursos naturais, em especial os mananciais, que não recebem a devida atenção, devido à sua vital importância.

Chegamos a um ponto do chamado “desenvolvimento social”, quando devemos nos questionar a respeito do que se entende como sendo “progresso”. Para o cineasta italiano Gillo Pontecorvo, “O progresso é tudo aquilo que diminui o poder de um homem sobre outro homem.”

Desse modo, a industrialização desenfreada deixa evidente o poder que um homem (ou grupo de homens) exerce sobre aqueles classificados como “inferiores” na hierarquia social. A distância entre a classe dominante e a imensa maioria de dominados nunca foi tão visível e brutal.

Sendo assim, aquilo que se convencionou chamar de “desenvolvimento”, pode ser considerado somente do ponto de vista tecnológico, uma vez que a questão humana ficou relegada a um segundo ou terceiro plano.

Na natureza, o ser humano passou a ser somente um mero “detalhe” e o próprio meio ambiente tornou-se vítima do poder econômico. A água, que é considerada início da vida e fator essencial para mantê-la, agora é o símbolo mais emblemático dessa negligência.

Talvez um dos retratos ambientais do mundo atual seja constatar que a vida de uma cidade deve-se, normalmente, à presença de um rio nas proximidades; ao mesmo tempo, a morte de um rio ocorre, principalmente, pela existência de uma cidade nas imediações.

E a vida segue! Mas como?... E até quando?...

Fica aqui esse grito de alerta, antes que se perceba que possa ser tarde demais!!!

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: O texto foi publicado na "Revista Vicejar", em 01.08.2019, onde o escritor possui vários textos de sua autoria, atuando como Colaborador do Blog. Para ler mais acesse:
LINK DO TEXTO: https://revistavicejar.blogspot.com/2019/08/nas-margens-da-saudade.html .
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domingo, 27 de setembro de 2015

MINHA CRÔNICA:

Despertando consciência

E não é que de repente todos passaram a se preocupar com o meio ambiente!? Ou, pelo menos, quase todos. Para que isso fosse possível, foi necessária a iminência da instalação de uma usina termelétrica nas imediações de Piracicaba, para subir de vez a temperatura da opinião pública.

O assunto do momento é a virtual instalação da malfadada usina, que desde já vem tratando de produzir energia suficiente para gerar uma certa polêmica. É bem verdade que a maioria da população não dispõe de dados necessários para dar um parecer acerca do assunto, mas, mesmo assim, muita gente faz questão de se informar para poder emitir a sua opinião e isso eu vejo de uma forma muito positiva. Se essa usina termelétrica for capaz de despertar a consciência da população para questões ecológicas, que até então eram vistas apenas como modismo, já terá cumprido o seu papel.

Apesar das pessoas em geral não terem conhecimento técnico suficiente para falar sobre o assunto, o que chama a atenção é o bom senso daqueles que se posicionam de forma contrária a instalação da tal usina. Pessoas que, assim como eu, conheceram um rio caudaloso no passado, hoje se deparam com um leito que conduz águas escuras e silenciosas, sem forças para levarem para longe a insensatez daqueles que, sob os mais variados pretextos, insistem em interferir no curso natural das coisas, sem se preocupar com consequências futuras.

Muito próximo das margens do rio Piracicaba, são lançados esgotos domésticos e resíduos industriais das mais variadas origens, deixando peixes e outros seres vivos sedentos por um pouco de águas claras, que estão prestes a serem novamente subtraídas. Em seu leito a vida já não vem encontrando mais condições para se desenvolver e, a continuar assim, tudo que ali existe estará caminhando em direção a morte certa. Os peixes de muitos quilos só são pescados na memória daqueles que conheceram um rio, que foi fonte de inspiração para muitas músicas que enalteciam a sua beleza, mas hoje, infelizmente, agoniza.

Pessoas ligadas às mais variadas entidades vem se mostrando preocupadas com a natureza e isso é muito salutar. No entanto, o engajamento nessa luta pela vida não tem sido visto por parte de um segmento fundamental da sociedade. Boa parte das religiões tem adotado uma postura de neutralidade diante desse problema crucial, numa clara atitude de que “isso não é comigo”. Claro que é!

Não digo que as religiões devam apenas opinar com relação a instalação ou não de Carioba II. Não me refiro somente a essa ação específica, mas sim a uma atitude mais abrangente visando despertar a consciência para com o meio ambiente e a preservação da natureza de um modo geral. Diversas crenças dizem que Deus muitas vezes se manifesta através da natureza, mas não “mexem uma palha” para preservar essa mesma natureza. Na verdade, uma ou outra religião tem se manifestado sobre o assunto, mas numa cidade com inúmeras tendências religiosas, a participação tem sido um tanto quanto tímida e discreta.

É sabido que a água é usada como símbolo em muitos cultos religiosos. Algumas vezes ela é usada em rituais de batismo, outras para lavar escadarias e outras, ainda, para cerimônias à beira mar. Existem, também, outras formas mais de utilizar a água e todas com um forte significado simbólico, nas mais diversas crenças. Porém, já passou da hora das religiões perceberem que a água não é apenas um simples símbolo. Mais do que isso, esse líquido precioso é essencial para preservar aquilo que se tem de mais sagrado: a Vida. Ao Ser Supremo coube criar e ao ser humano cabe preservar a criação.

Infelizmente a maioria das religiões vem se omitindo em relação a essa questão vital. Muitas crenças vem adotando uma atitude tal qual Pilatos, que lavou as mãos quando se viu diante de um problema que envolvia vida e morte. Basta de omissão!

“E disse também Deus: Ajunte-se as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça a porção seca. E assim se fez. A porção seca chamou Deus, Terra. E o ajuntamento das águas, mares. E viu Deus que isso era bom” (Gênesis 9 e 10).

Seria importante que todas as religiões contribuíssem, assumindo uma posição mais efetiva  com relação a sobrevivência do ser humano e de preservação da natureza. Chegou o momento de se tomar uma atitude concreta. E verá o ser humano que isso será muito bom...

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: O texto acima foi publicado na página A-2 do "Jornal de Piracicaba", edição de 18.05.2001. O jornal em questão é um dos meios de comunicação mais tradicionais da região. Foi fundado no ano de 1900, cobre 13 cidades e tem tiragem estimada em 20.000 exemplares em dias úteis e 32.000 em finais e semana (sucursalsp.com.br).
Apesar de ter sido escrito há um certo tempo, trata-se de um assunto muito atual, tendo em vista as mudanças climáticas que afetam o clima do planeta, principalmente nos últimos anos. Por isso, tem sido um dos principais temas abordado pelo Papa Francisco nos Estados Unidos, na visita que terminou hoje.
Foi a minha primeira crônica publicada e aproveito a oportunidade para agradecer a Joacir Cury, na época Editor Chefe do "JP", pela gentileza em estampá-la naquela edição. Hoje, quando eu leio novamente o texto, eu o vejo com outros olhos e, certamente, o teria escrito de maneira diferente; não saberia dizer qual seria o seu conteúdo, mas sei que seria de outro modo. Afinal, transcorridos mais de 14 anos, o mundo passou por diversas transformações, assim como o contexto em que vivemos se tornou diferente. Por muita coisa ter mudado em torno de mim, sinto que eu também não sou mais o mesmo.
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