Paulo Cesar Paschoalini

Paulo Cesar Paschoalini
Pirafraseando

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domingo, 17 de janeiro de 2021

MINHA CRÔNICA:

 Uma rede de intimidades.



_____Devido à sua natureza, o ser humano foi classificado com um ser social, desde Aristóteles, no século III, até Augusto Comte, no século XVIII. A necessidade da convivência em sociedade permitiu sua sobrevivência, através da proteção mútua, e contribuiu para seu desenvolvimento, graças principalmente ao autoquestionamento e a constante troca de experiências. 

_____A evolução que se processou ao longo da história foi extraordinária e os meios empregados com essa finalidade foram os mais variados possíveis, cada qual guardando relação com o momento vivido na cadeia evolutiva. 

_____A chamada tecnologia permitiu que o ser humano progredisse tanto, culminando com a criação da internet. Aquilo que no começo parecia ser uma fundamental ferramenta para pesquisas, acabou tornando-se algo extremamente útil, como também uma fonte inesgotável de coisas fúteis. 

_____De acordo com Sigmund Freud, “tudo em nós emana de dois motivos: o desejo sexual e o desejo de ser grande”, ou importante. Assim, de posse desse manancial de possibilidades de relacionamentos virtuais, o ser humano tem feito uso dessa tecnologia para dar vazão a esses dois aspectos freudianos.  

_____Em razão de o mundo atual nos cobrar constantemente a tal necessidade de nos diferenciar dos demais, o cidadão comum entregou-se à exploração não somente de suas qualidades, como, principalmente, de sua intimidade. 

_____Dessa forma, ao invés de acessos a assuntos relevantes, como acontecimentos históricos ou fatos contemporâneos, o que vemos é a profusão de informações particulares nas chamadas Redes Sociais, calcada na imposição de opiniões. Ao invés de focar-se no que é notável, o que vemos é um excesso de notoriedade. 

_____Com base nas mais variadas informações pessoais, a chamada "www - world wide web" (vasta rede mundial) foi criando mecanismos para chegar cada vez mais fácil e saber mais do internauta. As trocas de mensagens deixaram de ser uma prática consentida entre o emissor e o destinatário para tornarem-se uma forma de publicidade em massa. Quem de nós nunca recebeu, por exemplo, um “span”? 

_____Outro artifício preocupante são os chamados “cookies”, além de outros atuais, mais sofisticados, ou específicos, com objetivos semelhantes. São pequenos arquivos que servem para registrar a preferência e os acessos do internauta enquanto navega. Sendo assim, quer seja de maneira consentida ou por rastreamento, o fato é que todos nós, usuários da internet, deixamos de ser anônimos e passamos a ser vítimas da invasão de privacidade.  

_____Além de sermos “bombardeados” por propagandas focadas diretamente a acessos feitos por nós de maneira informal, dados de caráter estritamente pessoais e particulares podem ser devassados e expostos a qualquer momento, por aqueles que sabem tirar proveito de ferramentas virtuais, cada dia mais presentes e eficientes.  

_____Ao analisarmos esses fatos mencionados, fica impossível não nos preocuparmos com tudo isso. E, baseado no início do texto, que destaca o desenvolvimento humano, cabe um inevitável questionamento: será que a falta de anonimato e de privacidade poderiam ser consideradas partes de uma etapa da chamada evolução social? 


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AUTORPaulo Cesar Paschoalini
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 < CURRÍCULO LITERÁRIO E PREMIAÇÕES > 
COMENTÁRIO: O texto foi publicado no blog da "Revista Vicejar" em 16.01.2021, onde o escritor possui vários textos de sua autoria, atuando como Colaborador do blog e do site. Para ler mais acesse:

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sexta-feira, 1 de novembro de 2019

MINHA POESIA:

Relações de vidro: 

Apenas nos vemos através de imagens
produzidas por lentes de vidro,
transmitidas por fibras de vidro
e exibidas em telas de vidro...
E, devido a essa fragilidade,
um dia as relações se quebram. 

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini 
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sábado, 3 de novembro de 2018

MINHA CITAÇÃO:

Relações de vidro

"Apenas nos vemos através de imagens produzidas por lentes de vidro, transmitidas por fibras de vidro e exibidas em telas de vidro... E, devido a essa fragilidade, um dia as relações se quebram."

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

MEU TEXTO:

Tudo o que sei...

Quanto menor a autoestima, maior é a necessidade de dar a última palavra em tudo
  
Há cerca de 2.500 anos, o filósofo grego Sócrates foi um dos expoentes da época clássica e, entre outros pensamentos de enorme relevância até hoje, tornou-se célebre com a famosa frase: “tudo o que sei é que nada sei”. De fato, Sócrates tinha tudo para realmente nada saber. Afinal, naquela época não existiam jornais e revistas, de onde se tomam as notícias como “verdades absolutas e inquestionáveis”.

Outro ponto importante a se considerar é que na Grécia socrática não existia a internet. Porém, o fato que merece destaque é que não havia o maior veículo de informação, ou, muitas vezes, “deformação”: o Facebook. Desse modo, sem poder contar com jornais, revistas, internet e, principalmente, o “Face”, tudo o que o “pobre” do Sócrates só podia mesmo dizer é que “nada sei”.

Outros gregos, como, por exemplo, Platão, Aristóteles e Xenofontes, também se arriscaram a dizer “algumas coisinhas”, mas esses pensadores também não tinham acesso a tudo aquilo disponível nos dias atuais e que muitos julgam indispensável.

Hoje, quando é feita uma postagem, as pessoas sentem uma necessidade patológica não só de comentar, mas, sobretudo, contestar para mostrar que “elas existem”. Assim, uma outra máxima da Filosofia, dita por Descartes séculos mais tarde, também caiu por terra. Pensar já não é o bastante; a tônica de agora é se expressar. O que passou a valer é o “digito, logo existo”.

Convém observar que os filósofos da era clássica eram “meros pensadores” e, atualmente, as pessoas “evoluíram” para “postadores”. Mais do que nunca, estamos vivendo conforme a “Alegoria da caverna”, de Platão. E, envoltos no interior de sombras e escuridão, existem aqueles que insistem em impor ao mundo todos os seus “achismos”, com autoridade de “especialistas” que se consideram, sendo intolerantes com opiniões divergentes.

Tomam-se as “imagens projetadas” como pura expressão da verdade e as espalham o mais depressa possível, para alardearem que “sabem de tudo” antes de qualquer um. Movidos pela ditadura da velocidade e da ostentação de “bem informados”, eximem-se de algo que os filósofos fartavam-se; Reflexão. Enquanto os pensadores buscavam a verdade, e os de bom senso ainda continuam a procurá-la, muitos assumem a postura de já terem encontrado convicções para inflarem o ego, de acordo com a sua conveniência.

Numa época de tanta intolerância e fanatismo, o tal do Facebook é um canal essencial para quem se dedica a esse fim. Nele as pessoas também exacerbam seu narcisismo, além de utilizá-lo, inclusive, como sendo uma espécie de terapia, onde os indivíduos exercitam seus desejos, ou dão vazão às suas mais profundas frustrações. Quanto menor a autoestima, tanto maior a necessidade de postagens e de dar a última palavra em tudo.

Podemos concluir que, se os conceitos daqueles filósofos gregos ainda permanecem, mesmo depois de mais de 2.500 anos, embora eles “nada soubessem” e sem as Redes Sociais, imaginem só o quanto poderá durar esse “festival de genialidades”, em profusão no Facebook!

E, no futuro, quando os historiadores se depararem com o estudo das características deste nosso momento, em que muitos pensam que “tudo sabem”, constatarão que a vaidade é um atalho capaz de levar à insignificância. Poderão se deparar, por exemplo, uma famosa frase de Nelson Rodrigues: “invejo a burrice, porque é eterna”.

Assim, na ânsia de verem-se imortais de qualquer maneira, em razão de privilegiarem mais a quantidade que a qualidade, de certa forma, muitos poderão sentir-se “eternizados” devido ao conteúdo da maioria de suas postagens.

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
A crônica texto acima é um visão particular acerca das Redes Sociais, que, muito embora seja um avanço tecnológico fantástico, entendo que na maioria dos casos têm sido utilizadas de maneira pouco produtiva. O texto também pode ser encontrado no site "Portal Raízes", através do link: http://www.portalraizes.com/tudo-o-que-sei-e-que-nada-sei, ou acessado pelo Facebook do "Portal Raízes".
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