Paulo Cesar Paschoalini

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Pirafraseando

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domingo, 21 de outubro de 2018

MINHA CITAÇÃO:

Cenário político

"Política acabou se tornando
a 'arte de convencer'.
Assim, enquanto os políticos 
buscam pelo menos
uma maneira para enganar,
a maioria dos eleitores 
procura se enganar
de todas as maneiras."

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

MINHA CRÔNICA:

Prova material

Penso que não existe nada mais descontraído que um papo de botequim, desse regado a um chope gelado, acompanhado de pessoas que a gente gosta, não é mesmo?

Além de colocar a conversa em dia, permite que amplie nosso relacionamento social, quando em algumas oportunidades passamos a conhecer amigos de nossos amigos, que, com o tempo, podem vir a ser parte de nosso relacionamento pessoal também. Ou não!...

Dia desses, eu estava tomando uma “gelada” com um amigo, quando uma outra pessoa, amigo desse meu amigo, foi convidado a sentar-se conosco. O papo foi fluindo de maneira gostosa, começando por preferência de comes e bebes, passando pelo futebol, é claro, e indo desembocar no cenário político, como quase sempre acontece.

Aí o tom de voz do novo conhecido alterou-se ligeiramente. Começou a falar de maneira eloquente sobre um dos assunto político do momento, na TV e nas redes sociais; a tal da “prova material” para que, finalmente, possa ser processado e preso o ex-presidente Lula.

Por ele ser advogado e tucano de carteirinha, já que tem vínculo com o PSDB, aquilo que até então era um diálogo amistoso, sem mais nem menos, tomou a dimensão de uma fala solene em um Tribunal, onde usava e abusava de terminologia jurídica, a fim de procurar deixar explícita (o que julgava ser) sua “superioridade” sobre qualquer assunto.

Apesar de eu ter uma noção sobre o que seria essa tal de “prova material”, ele fazia questão de dizer que, para quem não é formado em Direito, não sabe bem o que está acontecendo e não entende o caminho adotado pelo Ministério Publico Federal, para conseguir o seu intento.

Já que minha graduação não é em Direito, pedi a ele para explicar sobre essa tal de “prova material”, a fim de ilustrar melhor o assunto. Sem titubear, do alto de sua prepotência, que já se fazia visível, ele me disse que, se a Polícia sabe que alguém é traficante, por exemplo, mas se não consegue dar o flagrante no indivíduo com a posse de droga, não existe prova material contra ele. A pessoa com certeza só vai presa se for pega por algo “material” que a incrimine.

Aí eu disse, hipoteticamente, se estivesse chegando na propriedade de uma pessoa qualquer, um veículo com uma quantidade expressiva de drogas e esse tráfico fosse surpreendido pela Polícia, que estaria no local para o flagrante na própria propriedade. Faz supor que o carro só possa ser de um amigo do proprietário. Para finalizar o raciocínio, diante do cenário exposto, perguntei a ele se haveria alguma possibilidade de alguém escapar de uma grave situação como essa.

Ele repetiu os detalhes do que eu havia dito:

– Um veículo carregado de drogas, dentro da propriedade de um amigo particular, tendo a Polícia ali para dar o flagrante? - Ele ainda comentou:

– Se a Polícia estava ali para isso, aquela não devia ser a primeira vez em que alguém estaria naquele lugar levando droga no carro, não é mesmo?

Eu acenei com a cabeça concordando, sugerindo que aquela provavelmente não deveria mesmo ter sido a primeira vez que o tráfico acontecia. Perguntei se existiria alguma chance dessas pessoas saírem livres dessa situação. Então, de maneira entusiástica, ele foi taxativo:

– Os caras estão totalmente ferrados!... Sem a menor chance!
        
E aí eu resolvi ampliar o raciocínio:

– Só pra exercitar a imaginação, então quer dizer que, se o Lula tivesse um carro e a Polícia conseguisse dar um flagrante, por exemplo, numa quantidade expressiva de cocaína no interior desse veículo. Ele teria alguma possibilidade de ficar livre?

Novamente ele repetiu as informações:

– Espera um pouco... Um carro do Lula cheio de cocaína?... Aí seria a Glória!... Sem nenhuma chance, flagrante e cadeia na certa e, se bobear, abertura de processo contra pessoas próximas, como amigos, familiares e também de aliados – ele extasiou-se. E completou:

– Isso seria o máximo! Pode esquecer até o que está sendo investigado até agora. O artigo 33 fala em até 15 anos de prisão para o tráfico de drogas. Isso é o suficiente para que o Lula morra na cadeia.

Contagiado pelo ânimo exaltado do novo conhecido, eu tornei a fazer mais uma colocação, com a intenção de “aumentar” meus parcos conhecimentos jurídicos:

– E se ao invés de carro, o que aconteceria se o flagrante fosse de um helicóptero, cheio de cocaína?

Para a minha surpresa, ou não, o rosto que até então era portador de um sorriso largo, acabou por conter-se numa expressão de desapontamento. Ele titubeou:

– Bom, aí não sei... Quero dizer... Tô entendendo o que você quer dizer!...

Meu amigo perguntou do que se tratava e eu lembrei a ele que, no final de 2013, a Polícia Federal prendeu em flagrante os ocupantes de um helicóptero que levava 455 kg de pasta base de cocaína, numa fazenda localizada no interior do Espírito Santo. O caso ficou conhecido por "Helicoca".

O helicóptero é de propriedade do ex-Deputado Estadual Gustavo Perrela, atual Ministro dos Esportes do governo Michel Temer, filho do Senador Zezé Perrela, amigo pessoal de Aécio Neves e aliado do PSBD. O que chama a atenção é que a fazenda tem dono, o helicóptero tem dono, os donos têm amigos e aliados... Mas a cocaína não é de ninguém!

Além do mais, apesar de a lei brasileira mencionar que aeronaves utilizadas para tráfico de entorpecentes devem ser confiscadas, dessa vez, porém, “inexplicavelmente” (ou não), o helicóptero de 50 milhões foi simplesmente devolvido à família Perrela e, segundo veiculado pela imprensa e internet, o piloto está livre e dando aulas em SP. Cada um dos demais também está por aí, “livre, leve e solto”.

Além do mais, embora os bens dos envolvidos somem valores muito expressivos, em nenhum momento nem a Justiça “apartidária” se preocupou, e nem a imprensa “livre e imparcial” cogitou a possibilidade de saber se os valores são compatíveis com os rendimentos dos políticos mencionados. Por incrível que possa parecer, nesse caso específico, nenhuma autoridade pediu qualquer comprovação dos milhões que esses políticos possuem.

Portanto, na verdade a fazenda de fato existe, mas não foi mencionado o proprietário. O tal veículo utilizado existe e não é um carro do Lula, mas um helicóptero da família Perrela, com total vínculo de pai e filho com Aécio Neves e com o governo Michel Temer.

Fui interrompido pelo advogado, que tentou justificar:

– Bom, mas nesse caso é diferente, né?

Aproveitei, então, para afirmar enfaticamente, com todas as letras:
– De fato, não resta dúvida, meu caro... Como todos nós podemos ver com clareza, nesse caso é mesmo “bem diferente”! – disse eu, justamente com ênfase no “diferente”.

Ainda assim questionei para ver se a tal “diferença” para ele era a mesma que eu via. O “doutorzinho” tentou de todas as maneiras achar alguma explicação convincente, mas se enrolou todo. A saída estratégica que se utilizou foi ir ao banheiro.

Quando retornou mais contido, ele fez questão de votar a falar sobre futebol e, curiosamente, começou a criticar a postura dos árbitros, dizendo que alguns dos chamados “juízes” atuam de maneira parcial, com total interesse em beneficiar essas ou aquelas “cores”. Por ironia do destino, dizia que “essa parcialidade” era um absurdo! Não demorou muito, ele decidiu ir embora, muito antes do que eu esperava... Ou não!

Ficou a dúvida, porém, se esse pretenso “novo” sujeito irá fazer parte do meu círculo de relacionamento, como às vezes acontece. Pode ser que seja igual a muitas pessoas com as quais eu costumo me encontrar. Ou, então, como foi dito pelo nobre advogado: pode ser que nesse caso, em particular, também seja “bem diferente”!

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: Vivemos num época em que tudo é levado para o campo política. Conversas, julgamentos pessoais e intolerâncias caminham pelo viés político, devido principalmente a postura da mídia e das autoridades, que deveriam ser neutras, mas, lamentavelmente, por mais que queiramos pensar diferente, as suas decisões nos faz acreditar cada dia mais que se deixam levar pelo que é mais conveniente e pelo segmento que nutrem maior simpatia.
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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

MINHA CRÔNICA:

A conta vai ficar salgada...

Antes do surgimento da moeda, o pagamento pela execução de um trabalho era feito com mercadorias, como animais abatidos, sal e peles. A palavra salário derivou de pequenas porções de sal destinadas ao pagamento dos soldados na Roma antiga, pois descobriu-se que esse mineral ajudava na cicatrização, além de conservar e dar sabor à comida. Os romanos consideravam o sal uma dádiva de Salus, a deusa da saúde e, portanto, um alimento divino.

Sendo assim, tempos depois convencionou-se que o pagamento de salário aos trabalhadores seria por períodos semanais, totalizando anualmente 52 semanas, ou 13 períodos de quatro semanas. Como em alguns lugares a remuneração era feita mensalmente, devido aos 12 meses do ano, foi criado o chamado “13º salário”, como forma de compensação dessas quatro semanas trabalhadas e não efetivamente remuneradas pelo empregador.

Dessa forma, muitos empresários se aproveitaram da falta de informação da esmagadora maioria dos trabalhadores e sempre “venderam” (eles são mito bons nisso) a ideia de que o pagamento do 13º salário seria quase “um ato de caridade” do segmento patronal. Vale destacar que não se trata de uma opinião pessoal, mas de dados baseados em acontecimentos históricos incontestáveis.

Reforçando como “generosidade” dos detentores do poder econômico, órgãos de imprensa agora disseminam levianamente a tese de que o pagamento de 13 meses efetivamente trabalhados poderia, pasmem, “onerar e elevar os custos”, o que impactaria, assim, no preço final do produto. Ao invés de informar, a grande mídia atualmente está mais preocupada em deformar, ou “formar a opinião pública”, e para tanto não recebe simplesmente pequenas porções de sal, como outrora, mas considerável compensação financeira de empresas patrocinadoras, capaz de dar "mais sabor" aos interesses das grandes corporações.

Convém ressaltar que o valor destinado aos pagamentos de empregados não é a único fator a ser considerado para o cálculo do custo final de produção. Aliás, em muitos casos não representa uma porção tão significativa, como sempre se pretende fazer acreditar. E dentro dos valores que transitam pela Folha de Pagamento, esse “um treze avos” representa uma fração ínfima dentro do montante movimentado pelas empresas.

Além do mais, estudos revelam que, dentre os motivos que levam empresas à falência, os principais são: confusão de gastos particulares com gastos da empresa, investimento errado, ausência de controle, inexperiência e retiradas efetuadas pelos sócios muito superiores à realidade da empresa. Em nenhuma estatística (repito, NENHUMA) a falência se deve ao quesito Pagamento de Salários. Esses estudos foram feitas por diversas entidades e são facilmente encontrados no Google, nas mais diferentes fontes.

Portanto, os empresários não são “senhores da benemerência” quando geram empregos e nem são “vítimas do mercado” por eventuais falências, fato fácil de ser constatado pelos dados decorrentes de pesquisas. Embora as micro e pequenas empresas também passem por momentos delicados, curiosamente, em muitos casos quando a Pessoa Jurídica quebra, independente do porte, os sócios nem sempre ficam entregues à própria sorte, diferentemente com o que sempre acontece com os trabalhadores quando são demitidos.

Os avanços trabalhistas que existem atualmente são resultado de conquistas que atravessaram séculos e foram fruto não somente de muito suor, mas, literalmente, muito sangue. Inúmeras mortes ocorreram na busca de dignidade. Muitos homens foram assassinados em confrontos trabalhistas, mulheres morreram queimadas em nome da igualdade, e menores, entre outros desfavorecidos, também sofreram violência na busca de um mínimo de humanidade.

Assim, ao invés do recebimento de 13 salários por 13 semanas trabalhadas, algo matematicamente fácil de se comprovar, grupos de políticos, que sempre estiveram a serviço do poder reinante, agora insistem na ideia de que os trabalhadores brasileiros devem trabalhar 13 períodos semanais por ano, mas serem remunerado por apenas 12 deles. Sem dúvida, um brutal retrocesso, que nos remete ao período de regime escravocrata.

Em mais de 40 anos no mercado de trabalho, desconheço qualquer empresa que fechou as portas exclusivamente em razão da Folha de Pagamento, justamente o primeiro item a ser afetado por gestão incompetente. Fica, ainda, o desafio para que alguém aponte uma única empresa que foi à falência por efetuar regularmente o pagamento do décimo terceiro salário. Mais uma vez, não é opinião; é estatística. No entanto, não vai parar por aí o fim de direitos conquistados.

Outra questão relevante é que a arrecadação de tributos também recai sobre os 13 salários. Sendo assim, para que se mantenha o nível de arrecadação atual, que dizem ser insuficiente, será necessário aumentar os impostos incidentes sobre os somente 12 salários a serem pagos. No caso de um “necessário” aumento de arrecadação, conforme fazem questão de alardear, mais impostos incidirão sobre menos salários. Matemática pura.

Mas existem detalhes que a imprensa omite e, por silenciar, faz de conta que não existem. Muito embora a mídia tendenciosa tenha focado de maneira uníssona na questão da corrupção (e ela não é de agora não) como sendo a única vilã pelas dívidas dos governos federal, estaduais e municipais, a verdade é que a parte maior do rombo se deve a empresas que sonegam impostos, fato esse que o assalariado não consegue fazer, uma vez que tudo é descontado dele já no próprio contra cheque.

Além da sonegação, uma parte significativa das empresas simplesmente não paga. E pronto, fica por isso mesmo. Simplesmente assim. Para se ter uma ideia, o valor que deve um único empresário é maior do que a dívida dos estados da Bahia e de Pernambuco (Revista Exame). Sim, o empresário Laodse de Abreu Duarte deve, acreditem, R$ 6,9 bilhões e é diretor da FIESP, não por acaso, entidade que pressiona pelo fim do décimo terceiro salário, entre outros direitos trabalhistas. Mas a imprensa habilmente se cala, para não ferir a sua “galinha dos ovos de ouro”. Não se preocupem, ninguém vai às ruas por esse “motivo insignificante”, não é mesmo?

Não somente Associações de Empresas muito bem organizadas, também determinados grupos políticos, já conhecidos “de outros carnavais”, prometem que estão agindo em nome do “bem geral da nação”. Isso nos remete a uma frase do escritor francês Antoine Rivarol, do século XVIII: “Quando um malvado faz o bem, pode-se julgar por tal esforço todo o mal que está preparando”. Ou, ainda, a outro escritor, o português Pedro Chagas Freitas: “O mais cego não é o que não vê; nem sequer é o que não quer ver. O mais cego é o que só vê”.

Para usar uma palavra que ainda está em voga no momento, as pessoas só se darão conta do que vem por aí quando notarem que foram “golpeadas” no bolso, pelo mesmo grupo de políticos que, “coincidentemente”, criou o tal “Fator Previdenciário” e transformou valores decorrentes de direito adquirido” em míseras migalhas (também chamadas de “benefício”), depois de uma vida inteira de contribuição. Aí dirão, por certo, que foram traídos. Traídos, não! Apenas continuam a sua sina de se manterem sempre distraídos.   

Engana-se quem pensa que os movimentos populares, consentidos nos últimos anos, serão tolerados quando motivados por eventuais lutas na recuperação de uma série de direitos, prestes a serem retirados. O chamado “canto das ruas” será substituído pela sinfonia de cassetetes, em dó maior (mas sem dó), que dirão ser “para manter a ordem pública”.

Concederam ao povo desavisado o status de “protagonista de mudanças”, mas novamente ele não se deu conta de que não passou de “massa de manobra”, a serviço dos interesses de sempre. Foram utilizados como uma espécie de marionetes pelo poder econômico. O cenário atual é somente o prenúncio da tempestade que se avizinha. E vem com um volume de água capaz de consumir o pouco de “sal” que ainda resta.

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: A imagem, muito pertinente ao assunto abordado, é de um cartum publicado no site (ou blog) português “aventar.eu”, que ilustra o texto intitulado “Sim miserável, a culpa é tua”, indicado na página como sendo de autoria de João Mendes, publicado em 05/02/2016, e que pode ser acessado pelo link: https://aventar.eu/2016/02/05/sim-miseravel-a-culpa-e-tua/#more-1246046. Porém, não é mencionado de quem é a ilustração.
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sábado, 7 de maio de 2016

CINEMA:

Gandhi

1 - INTRODUÇÃO:
Essa produção britânico-indiana de 1982, dirigida por Richard Attenboroug, foi indicada ao Oscar em 11 categorias, ganhando 8 estatuetas, entre elas de melhor filme e direção, além de melhor ator para Bem Kingsley, no papel-título.
Conta a vida do líder indiano Mohandas Karamchand Gandhi e sua luta para independência de seu país sob domínio do império britânico. Destaque para a sua política de não violência, que aos poucos vai minando o poderio inglês. Mais tarde ficou popularmente conhecido como Mahatma Gandhi (Mahatma, a grande alma, em sânscrito).
Narra também sua tentativa de conciliação entre os diferentes segmentos religiosos, buscando a unificação da Índia numa única nação, já que para ele deveria ser algo que independesse da opção religiosa.
Numa época de conflitos sociais em várias partes do mundo, o filme é um convite a uma reflexão a respeito de atitudes de violência do ser humano, onde ficam explícitos os atos extremos, que visam a dominação do homem pelo próprio homem, que nos remete ao filósofo inglês Thomas Hobbes e sua célebre frase “o homem é o lobo do homem”.

2.1 - O DOMÍNIO INGLÊS:
O filme é sobre a história do líder indiano Mahatma Gandhi e sua luta pela independência de seu país sob domínio britânico. Após sua chegada à Índia, Gandhi mantém contato com figuras expressivas do Congresso Nacional Indiano e é convidado a viajar de trem pelo país para conhecer a realidade vivida pelo povo, com desigualdades sociais gritantes.
Ao ver-se diante de situações em que o império britânico se impunha pela força para manter seu domínio, Gandhi surge como conciliador visando a unificação de hindus e muçulmanos no processo de libertação. Para isso, conclama o povo a assumir sua própria identidade, como uso de roupas simples, de confecção artesanal, boicotando, assim, o comércio de tecido inglês, além de organizar a marcha do sal como forma de resistência ao poder militar de seu opressor.
Como é possível observar ao longo da história, toda vez que um país vence seu oponente através de um conflito armado, acaba por impor ao povo vencido sua cultura, crença religiosa e costumes, a fim de deixar claro seu domínio pelo uso da força.
Porém, em situações dessa natureza é comum ao povo oprimido lutar pela sua liberdade, já que ela é inerente à condição humana. Thomas Hobbes, no seu livro Leviatã ou Matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil: “porque quanto à força corporal o mais fraco tem força suficiente para matar o mais forte, quer por secreta maquinação, quer aliando-se com outros que se encontrem ameaçados pelo mesmo perigo”.
Embora algumas ações militares britânicas tenham sido respondidas com violência, principalmente por parte do segmento muçulmano, as tropas militar bem treinadas e seu aparato armamentista foram sendo paulatinamente desmoralizados por atitudes pacifistas, planejadas e implementadas por Gandhi, baseadas na sua estratégia de não violência.

2.2 - A POLÍTICA DA NÃO VIOLÊNCIA:
A trajetória de Gandhi é mostrada, desde sua juventude na África do Sul, quando teve contato com o “apartheid”, regime britânico de segregação racial. Naquela oportunidade era um recém formado advogado, que acaba sendo expulso de um trem em que viajava, por recusar-se a deixar a primeira classe, destinada a pessoas de pele clara, diferente da sua. Desde essa época, suas atitudes sempre foram pacíficas, que não deve ser confundida com passividade.
Ao retornar à Índia e encontrar um país subjugado pelo império britânico, decide adotar a política de não agressão, acompanhada de desobediência civil, como enfrentamento às ações militares de seu dominador. Essa sua estratégia pacifista ganha o apoio não só das massas, mas também da burguesia, alcançando, inclusive, reconhecimento internacional. Para se ter uma idéia dessa abrangência, ao ser convidado a uma visita à Inglaterra, conquista também a simpatia dos trabalhadores da indústria têxtil britânica.
Ao mencionar a frase “olho por olho e o mundo acabará cego”, que sintetiza sua visão peculiar de enfrentamento, Gandhi conseguiu enxergar muito além do que aqueles que, impedidos pela cegueira do ódio, insistem em ações de retaliações cada vez mais violentas.
Ironicamente, justamente ele que lutou pela paz, acabou por ser covardemente assassinado a tiros por um fanático indiano.

3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Apesar da independência da Índia, Gandhi, ele não consegui atingir seu princípio humanista de unificação de seu país. Posteriormente o país foi dividido, com a fundação do Estado do Paquistão, que ele não chegou a ver.
Porém sua maior vitória foi seu legado calcado no princípio da não violência. Através de atitudes baseadas em estratégias pacíficas, conseguiu obter resultados de muito mais eficiência do que as ações de represálias contra seu oponente britânico.
Na busca da paz em todos os segmentos sociais e no eterno desejo pela paz interior, o ser humano encontra em Gandhi um líder singular, que conseguiu atingir com eficiência seu objetivo de libertar seu país, sem o uso da força, como normalmente acontece.
Outra frase desse pacifista indiano, que vem ao encontro de suas atitudes ao longo de sua vida: “não existe um caminho para a paz; a paz é o caminho”. Sendo assim, embora possa parecer utópica, fica a expectativa de que a paz seja o caminho a ser trilhado pelo ser humano contemporâneo.

4 - REFERÊNCIAS:
- Caderno de Referência de Conteúdo-Filosofia Política, Unidade 4 / Prof. Dr. Daniel Arruda Nascimento, Claretiano-Rede de Educação/Batatais 2013.
- Pensador UOL, Link: <http://pensador.uol.com.br/gandhi/>, acesso em 15 set 2013.
- Wikipédia – A Enciclopédia Livre, Link: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Mahatma_Gandhi>, acesso em 16 set 2013.

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
Trabalho do componente curricular de AACC - Atividade Acadêmica Cultural e Científica, apresentado durante a graduação em Licenciatura em Filosofia, pela Faculdade "Claretiano - Rede de Educação", Polo de Rio Claro-SP.
A publicação no blog é uma sugestão para quem ainda não viu o filme e também um convite para aqueles que já o assistiram, para tornarem a vê-lo, agora sob uma análise filosófica. Vivemos num mundo em que o exercício da força do poder econômico sobre os mais fracos é cada dia mais visível e, para tal constatação, basta lançarmos um olhar reflexivo em torno de nós, que veremos isso das maneiras mais veladas e dissimuladas.
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sábado, 25 de outubro de 2014

UMA CITAÇÃO...

Livre pensamento...

"Não há nada no mundo que esteja melhor distribuído do que a razão; toda a gente está convencida de que a tem de sobra."
(René Descartes)

"There is nothing in the world that is better distributed than reason; All the people are convinced that has to spare."
(René Descartes)
(TRADUÇÃO: Google Tradutor)

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COMENTÁRIO - Paulo Cesar Paschoalini:
Estamos vivendo mais um ano de eleições. Como sempre, aparecerão aqueles que se intitulam "donos da verdade" e "conhecedores supremos" daquilo que julgam saber, baseados em textos que escolheram de acordo com sua conveniência. A democracia, conquistada com muita luta, é mesmo algo que ainda incomoda muita gente. A divergência de opinião é algo saudável, enquanto que a intolerância é reconhecida como de fundo patológico. Como dizia Millôr Fernandes: "o ponto de vista é a vista de um ponto".
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terça-feira, 23 de abril de 2013

UM TEXTO...


Afaste de mim este ‘Cale-se’

‘Constrangedor…’ Esta foi a resposta de um dos meus contatos, com apelo para que eu não mais envie ‘mails’ de caráter político, pois este assunto, para ele, é constrangedor… Outro contato anunciou-me que ‘os cães ladram e a caravana passa’, querendo jogar por terra nosso levante de voz.

Desculpe aí minha gente se sou alguém que não se conforma com o cenário que deparo diariamente e penso que todos devam ter acesso a pão, educação, saúde e prazer e que isso não se restrinja à minoria.

Fico a pensar na insensibilidade de alguns face às injustiças, embora demonstrem compaixão ao fitar cenas como aquela famosa do urubu próximo a um bebê raquítico, fotografada em país distante. As lágrimas de crocodilo devem escorrer sim pela face, porém estas mesmas pessoas, ao saírem de suas confortáveis poltronas e uma simples ida ao shopping, deixam para trás algo que a incomodou há pouco. 

A zona de conforto do indivíduo é um valado, pois enquanto qualquer perda ou prejuízo não chega diretamente até ele, está tudo bem e, qualquer reflexão sobre a realidade chega a ser constrangedora.

Ah, pessoas! Portam-se no formato ordenado pelo sistema governista e pela classe dominante que, através da mídia e imprensa esculpem na classe média o molde perfeito para propagar o que é de interesse da camada que está no topo. Achávamos que só a grande massa era manobrada…

A consolidação da classe média deu-se nos anos dourados com o governo JK, durante a revolução cubana que, para evitar o mesmo por aqui, passou a gerenciar as classes sociais e, neutralizando seus anseios, passou a promover o ego de uma camada da população que estava ávida por diferenciar-se dos pobres, fomentando assim, aquisição de bens de consumo, mas suscitando o distanciamento em suas relações humanas.

Pensamentos que insurgem: “Nós, Classe Média, e eles, o povo, os que não sabem votar, os insatisfeitos, os ignorantes…”; “Nós, bossa nova, eles, do samba…”; “Nós, temos automóvel e eles andam a pé ou de ônibus…”. Bem ao estilo terceiro mundo.

Até hoje lembramos quão eram de boa qualidade as escolas públicas dessa época e por uma razão simples eram boas: os filhos dos ricos lá estudavam, onde ali era socializada a educação entre a classe abastada, a classe média e os pobres. E, por conta disso, muitos tiveram boa formação, e mesmo assim hoje empinam o nariz e dizem: “minha família não era rica (como pobres eles não gostam de ser classificados), mas eu me fiz por mim mesmo…” e nisto veem justificativa para menosprezar os que hoje ficam estagnados, sem perspectivas.

Conseguiram bom nível cultural, colecionando diplomas, graduações e domínio de outras línguas. Pois bem, gostam de ganhar notoriedade, mas para quê tanto conhecimento acadêmico se este jaz dentro de si? Utilizados o são para desdenhar, segregar e tentar desmobilizar os que trabalham desinteresseiramente por uma causa, pensando no bem do próximo e, por conseguinte, do coletivo.  

Oxalá que, em vez do constrangimento, a sensibilidade fosse maior para motivar bons propósitos, solidariedade, voluntarismo, extirpando atitudes que visam apenas às próprias conveniências.

Portanto, continuarei a criticar sim as ações de interesses megalomaníacos de um neoliberalismo que vê prioridade no vislumbre exibicionista em detrimento de áreas prioritárias como a Educação, a Saúde e outras.

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AUTORA: Daisy Ferraz - bancária aposentada:
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COMENTÁRIO - Paulo Cesar Paschoalini:
Agradeço à minha amiga Daisy por ter autorizado a publicação de seu texto. Tive o privilégio de trabalhar com ela durante muitos anos no Banco do Brasil, agência Piracicaba-SP. Ela é integrante do Movimento 'Reaja Piracicaba', que tem por objetivo impedir o aumento abusivo de 66% na subvenção dos vereadores de Piracicaba, a partir deste ano, além atuar ativamente na fiscalização da conduta da classe política local. Para maiores informações, acesse: www.facebook.com/reajapiracicaba.
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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

UM TEXTO...


Uma causa importante

O movimento Reaja Piracicaba é uma ação popular que tem como objetivo questionar (ou tornar mais realista e de acordo com os índices de inflação em vigor) o abusivo reajuste de 66% na subvenção (nome dado ao salário de quem ocupa o cargo no Poder Legislativo municipal) dos vereadores de Piracicaba, que elevará o atual valor de R$ 6.568,00 para R$ 10.900,00 mensais.

Para isso, foram montados pontos para coletas de assinaturas, para que possa ser protocolado o Projeto de Lei na Câmara. Os Pontos de Coleta são vários, mas os principais são a Diocese (Pasca - com o Storel) na Av. Luciano Guidotti (atrás do antigo Lar Franciscano) e Florespi (Rua Tiradentes 1.139 - fone: 3434-2328).
Para maiores informações, acesse: www.facebook.com/reajapiracicaba

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COMENTÁRIO - Paulo Cesar Paschoalini:
Agradeço à minha amiga Daisy, que pertence ao “Reaja”, pelas informações e fica o apelo à toda a população de Piracicaba para aderir ao movimento, para que se consiga pelo menos mais 4.000 assinaturas restantes e alcance o número de 14.000 eleitores, quantidade necessária para o referido Projeto de Lei.
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

MINHA CRÔNICA:


Fábrica de heróis

A revista “Veja”, da Editora Abril, em uma das edições de agosto de 2009 trouxe em sua capa uma foto do nadador brasileiro César Cielo, com a seguinte manchete: “Enfim, um herói”. Sem dúvida uma justa homenagem a esse atleta nascido em Santa Bárbara D’Oeste, estado de São Paulo, que fica coladinha com Piracicaba, cerca de 30 km. O que chamou a atenção, no entanto, foi o termo “herói”, que eu me perguntei se seria o mais adequado. Afinal, necessitamos realmente de heróis?

Ao longo de minha vida, tinha aqui comigo que “herói” é aquele sujeito capaz de colocar a própria vida em risco para salvar alguém ou algo de relevância para a comunidade onde vive, que é mais ou menos próximo a uma das definições do Dicionário Aurélio: “Homem extraordinário por seus feitos guerreiros, seu valor ou sua magnanimidade”.

O termo “herói” muitas vezes pode ser utilizado no contexto de “salvador”, ou, mais precisamente, o desejo latente e a necessidade urgente de se ter um “salvador da pátria”, que possa nos redimir de tantos absurdos. Isso nos remete à uma frase de Millôr Fernandes: “Um país que precisa de um salvador, não merece ser salvo”.

É claro que tem expressivo valor o fato de ter batido o recorde mundial de natação e a conquista de duas medalhas de ouro no Mundial da modalidade realizado em Roma. Por esse feito extraordinário eu diria que ele é o mais novo ídolo do esporte brasileiro, mas seria realmente isso um ato de heroísmo?


Não sei ao certo se rotular alguém de herói é uma imposição da mídia ou uma necessidade da sociedade. Curiosamente, a mídia tem usado o “herói” sempre vinculado a uma figura do esporte.

Como exemplo, lembro-me muito vagamente que a crônica esportiva se esbaldou em chamar a seleção de 1970, de Pelé & Cia. de “Heróis do Tri”. Depois disso, recordo que o termo foi amplamente associado à figura de Ayrton Senna, tanto durante sua brilhante trajetória automobilística, como, principalmente, depois de seu falecimento, em maio de 1994. Com a morte desse piloto, meses depois a mídia já tratou de cultuar a figura de Romário como novo “herói”, em razão da conquista do tetracampeonato na Copa do Mundo daquele mesmo ano.

Assim que o “Baixinho” começou a sair de cena, devido às dificuldade um driblar polêmicas fora dos gramados, eis que surge em 1997 o tenista Gustavo Kuerten, que conquistou pela primeira vez o título de Roland Garros, um torneio do chamado Grand Slan, que seria a “nata” do tênis mundial. A repetição da conquista por mais duas vezes e o carisma de Guga colocaram-no como “herói” por muito tempo, até que o “cargo” ficou vago a espera de mais um sucessor. Depois da Copa de 2002, foi a vez de Ronaldo 
“Fenômeno”. Aí chegou César Cielo, mencionado no início dessa crônica. Convém lembrar que a cada interlúdio era a vez de dar destaque aos “heróis” de algumas das diferentes gerações do vôlei.

Entendo que o uso estaria inadequado, quase que banalizando um termo tão nobre. Entretanto, a vulgarização da palavra “herói” alcançou seu ápice quando Pedro Bial, que em certas ocasiões se comporta como um ex-jornalista travestido de apresentador barato de Reallity Show, passou a se referir aos participantes dos inúmeros Big Brothers como “meus heróis”.

Salvo esse caso, não me recordo de ter visto ou ouvido o termo “herói” ser usado com ênfase em qualquer outro segmento que não o esportivo. É inevitável uma indagação: será que heróis são somente aqueles que praticam esporte? Não existiria outro caminho para atos de heroísmo? O ideal não seria classificá-los como “ídolos”, o que, certamente, já seria uma grande deferência a atletas de renome?

A meu ver, heróis são aquelas pessoas anônimas, que diuturnamente dedicam, ou mesmo arriscam a sua vida para melhorar ou até salvar a vida de outro ser humano. Eu destacaria primeiramente o pessoal da área médica, que atende pessoas com doenças infecto-contagiosas, por exemplo. Também os bombeiros, que arriscam a vida em ocorrências que requerem sua presença. Ainda, policiais, que armados de um simples 38, enfrentam marginais munidos de “bazuca”. Vale destacar que a mídia dá muito mais destaque para fatos envolvendo policiais corruptos do que para aqueles que se ferem ou morrem no cumprimento do dever e que, diga-se de passagem, são muito mais do que imaginamos.

Além desses, temos ainda o cidadão comum que arregaça as mangas toda vez que uma catástrofe natural se abate sobre uma determinada região do país, assim como aconteceu alguma vezes em Santa Catarina. Ou, ainda, os mais diversos trabalhos voluntários praticados por abnegados Brasil afora.

Para a maioria das pessoas, as palavras “heróis” e “ídolos” se confundem. Existem algumas diferenças que para muitos pode ser mínima, mas que vejo como sendo significativas e relevantes: o ídolo é aquele sujeito que treina exaustivamente para aprimorar os dons que a natureza lhe deu, seja no esporte ou nas mais diversas expressões artísticas. Isso é de fato algo grandioso, que merece destaque na imprensa quando bem sucedido.


Já o ato de heroísmo é aquele quase sempre praticado por alguém do povo, que decide agir movido pela bravura, numa fração de segundos. É quase sempre movido por gestos de humanidade, mesmo sem se dar conta do risco a que está se submetendo.

É curioso notar que um ídolo normalmente é elevado a condição de herói e mantém seu lugar no “Olimpo” até quando perdure o interesse da mídia. Durante esse período, tem a oportunidade de engordar a sua conta bancária e ocupar as principais manchetes. Quando morre, é reverenciado pelos órgãos de comunicação e sua perda é lamentada por outras pessoas que, na maioria das vezes, também já se beneficiaram de exposições na imprensa.

Já o cidadão comum, quando comete um verdadeiro ato de heroísmo, nunca alcança a condição de ídolo, sendo condenado ao ostracismo. Seu padrão de vida será o mesmo de sempre e o interesse dos jornais e revistas, quando acontece, é de umas poucas linhas no rodapé de uma coluna qualquer, mantendo-se para sempre no anonimato, até que a morte o leve daqui, sem que tenha recebido o merecido reconhecimento.

Para finalizar, por falar em termos usados pela imprensa, eu destacaria um outro, que tem sido largamente publicado: “Congresso”. Hoje em dia por causa dos senadores, outrora por mazelas de deputados. Lembro-me que quando adolescente era guarda-mirim no CENA - Centro de Energia Nuclear na Agricultura, em Piracicaba-SP, trabalhando como uma espécie de “office boy”. Uma das minhas funções era entregar correspondências aos pesquisadores, nos diversos departamentos. Era comum ver cartas do exterior relativas aos mais variados tipos eventos. Congresso Latino-Americano, Congresso Ibero-Americano, Congresso disso, Congresso daquilo... Eu sentia imensa admiração e respeito por aqueles “congressistas”.

Hoje o termo está tão desgastado, porque não dizer deteriorado, que, pelo jeito, os pesquisadores e cientistas resolveram optar por chamar tais eventos de Seminários, Simpósios ou Conferências, talvez por não carregarem o rótulo pejorativo de “congressistas”. Aí você perguntaria: o que tem a ver “ídolo” e “herói” com “Congresso”?

De fato, rigorosamente nada. No Congresso Nacional não temos nenhum ídolo, muito embora na reeleição de muitos deles fique caracterizada uma certa idolatria de parte do eleitorado. Heróis, com certeza nenhum deles é. Pelo contrário, a maioria está mais para “anti-heróis”, ou porque não dizer, “vilões”.


Eu poderia dizer que a única relação entre o início e o final do texto, é que agora eu chego a conclusão de que realmente estamos precisando de heróis... Mas heróis de verdade... Aliás, super-herói... Creio que apenas um não conseguiria dar conta de tantos inimigos do povo. O melhor seria que tivéssemos muitos super-heróis, já que o que mais temos ouvido ultimamente é que existem maracutaias de congressistas “saindo pelo ladrão”.

Ladrão???... Opa!!!

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini

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COMENTÁRIO:
Este texto está disponível na intranet do Banco do Brasil S/A - Acesse Sua Área - Cadernos - Palavras Cruzadas, publicado pela VITEC-Brasília em 10/09/2009 e acessível para mais de 100.000 funcionários.
Muito embora tenha sido publicada em 2009, entendo que o conteúdo é pertinente, já que estamos em plena época de eleições, onde muitos tendem a buscar por "heróis" nessas ocasiões.
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