Paulo Cesar Paschoalini

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Pirafraseando

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quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

MINHA POESIA:

ATALHOS: 

A grande desvantagem 
dos atalhos, afinal, 
é que ele nos impedem 
de admirar a paisagem 
do caminho principal. 

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
[ Protegido por Lei de Direitos Autorais, 9.610/98 ]
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sexta-feira, 6 de setembro de 2024

MINHA POESIA:

PAISAGEM DA ALMA: 

A poesia é beleza, 

a paisagem da alma 

que (en)canta lá no alto, 

conduzida pelo vento... 

 

(Re)pousada na leveza, 

que permeia e acalma 

as planícies e planaltos, 

onde moram sentimentos. 

 

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sexta-feira, 11 de agosto de 2023

MINHA CRÔNICA:

A neblina da PAIsagem 



_____Os primeiros raios de sol anunciavam um novo amanhecer do mês de junho e uma bicicleta dobrava a última esquina, antes de alcançar a rua que levava até a uma Indústria Metalúrgica. Eram os últimos 200 metros do pouco mais de quilômetro e meio que separava a residência daquele destino.

_____O menino de doze anos segura-se no pai não somente com a intenção de equilibrar-se, mas para também proteger-se do frio que vez por outra incomodava seu peito, chegando a provocar crises de bronquite. Na condução do veículo um homem de quarenta e poucos anos aumentava sua atenção, por ser aquela rua relativamente estreita.

_____Embora às seis e meia da manhã não houvesse tanto trânsito, a neblina permitia enxergar em torno de 30 metros e exigia cuidado, já que, como a via possuía duas mãos de direção, qualquer imprudência ou desatenção naquele piso de asfalto poderia acarretar sérias consequências ao ciclista e seu acompanhante.

_____Por detrás do tronco do homem o garoto via uma paisagem esfumaçada, que aos poucos se descortinava. A calçada do lado direito se deitava aos pés de um muro interminável, ladeando uma antiga estação ferroviária desativada havia poucos anos.

_____Olhando para a outra calçada, apesar de o menino conhecer quase de cor as casas que se sucediam, a nitidez que paulatinamente se desenrolava parecia trazer sempre uma surpresa. Algumas vezes era uma residência com luzes acesas contrastando com outras às escuras, uma pessoa que abria o portão, um gato sobre o terraço, um cachorro que se punha a latir... O revelar da névoa sempre vinha com uma singela novidade a ser percebida.

_____Logo mais a bicicleta parava sob a vigilância de um enorme barracão tomando um quarteirão todo, que mostrava seu semblante de engolidor de homens. Feito um formigueiro humano, os operários entravam por uma porta estreita para registrar o horário de chegada. Uma sirene logo começaria a gritar anunciando o início do trabalho pesado, que se estenderia até próximo do anoitecer.

_____Mesmo sendo de poucas palavras, o olhar que o homem da bicicleta dirigia ao filho era carregado de significados como “vai com Deus, cuidado, atenção, e até breve, lá em casa”. Por outro lado, o “tchau, pai!” queria dizer “obrigado por me trazer até aqui”, repleto de admiração e respeito.

_____Já devidamente trajado com o uniforme, o garoto caminhava duas quadras até chegar ao Colégio para a atividade semanal de Educação Física. O ano de 1972 seria o último de aulas desse tipo, porque no ano seguinte estaria dispensado daquela Disciplina. Contudo, ainda precisaria acordar naquele horário, já que começaria a trabalhar o dia todo e estudar no período noturno. Essa era uma exigência da “Dona Necessidade”.

_____Todos os dias, no parte da tarde, o menino caminhava essa mesma distância (ida e volta) para as demais aulas curriculares. Vez por outra, no entanto, ele fazia esse trajeto pouco antes do almoço a fim de levar uma cesta de comida ao pai, para que este pudesse ter uma refeição “mais quentinha”, pois havia entrado para o trabalho por volta das 5 horas da manhã.

_____Quando isso acontecia, o garoto aguardava pelo pai na porta de entrada da Metalúrgica e podia observar o ambiente. O que mais chamava a atenção era o movimento de operários em meio a faíscas que saltavam de panelas em brasa em dias de fundição, além do barulho e calor reinantes. No retorno para casa, era comum ter marcas de pequenas queimaduras na roupa de serviço e algumas vezes até na própria pele.

_____O menino olhava para o pai com orgulho, por saber que tinha sempre próximo de si alguém capaz de vencer labaredas fumegantes, feito fogos cuspidos por dragões. Não bastasse isso, o adulto foi cortador de cana “na palha” quando criança, embrenhando-se pelo canavial, sujeito a picadas de cobras, aranhas e escorpiões. Assim, o filho olhava para o pai como se este fosse um herói. Pode soar como exagero? Não para aquele garoto.

_____Não bastasse superar todas as adversidades da vida, o pai ainda foi capaz de um ato ainda mais marcante e crucial. Quanto este menino tinha 6 anos, um descuido fez com que caísse numa pequena lagoa, que apesar de pouca profundidade, teria sido suficientemente fatal para alguém de sua idade, não fosse a pronta intervenção paterna. Afinal, o menino tinha ou não razões de sobra para ver no pai um Herói?...

_____Mas heróis também envelhecem e adoecem. Por ser de carne e osso, ele esteve ao sabor de tudo que a vida é capaz de trazer, inclusive um recente revés. Quando ouviu o diagnóstico do médico, dizendo que seu caso de saúde era bastante delicado e que teria um tratamento a ser feito, o velho surpreendeu pela serenidade nas palavras:

_____ Eu não tenho do que reclamar. Eu tô com 91 anos e quantos chegam aos 90?... Se tem um tratamento pra fazer, eu vou fazer, então! Eu não sou diferente de ninguém, não é verdade?

_____Assim, os meses foram passando e ele foi perdendo a força, aos poucos vendo-se privado de caminhar, depois quase preso a uma cama e foi ficando mais leve. Cada dia mais leve e mais leve... Até que, finalmente, o herói voou!...

_____Aquele menino, depois de crescido e agora com alguma vivência, escreve este texto dois meses depois da partida do pai. O próximo domingo será o primeiro “Dia dos Pais” sem a presença daquele que lhe deu a vida, salvou sua vida e foi (e sempre será) um exemplo de vida.

_____Hoje em dia, quando passo pela rua que leva onde existia a Indústria Metalúrgica, eu vejo o mesmo muro da antiga estação, que agora é um parque arborizado para caminhadas públicas, e ali a natureza continua a primaverar, veranear, outonear e invernar, seguindo os trilhos de viagens que o tempo leva.

_____Atualmente as manhãs de neblina são mais raras. Mas acredito que o futuro seja semelhante à neblina que vemos na paisagem. Algo que vai se revelando aos poucos diante de nossos olhos e, apesar de pensarmos saber o que vem pela frente, sempre iremos nos deparar com todo tipo de surpresas pelo caminho.

_____Tomando por base a frase dita ao médico pelo meu pai, posso dizer que tenho pouco a reclamar. Afinal, quem tem a dádiva de conviver com seu pai por mais de 60 anos? O que me resta é agradecer (e muito!) por tudo que ele representou e ainda significa na minha vida.

_____Feliz “Dia dos Pais”!... Para todos os pais que ainda têm os filhos ao seu lado... E também para aqueles que se foram e nunca sairão do coração! 


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AUTORPaulo Cesar Paschoalini
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OBSERVAÇÃO: A crônica é uma homenagem ao meu pai, que nos deixou há dois meses, depois de sua luta pessoal. No próximo domingo, dia 13/08, é comemorado no Brasil o "Dia dos Pais" e eu quero deixar esse texto como minha eterna gratidão a ele.
 < CURRÍCULO LITERÁRIO E PREMIAÇÕES > 
COMENTÁRIO: O texto foi publicado no blog da "Revista Vicejar" em 10.08.2023, onde o escritor possui vários textos de sua autoria, atuando como Colaborador do blog e do site. Para ler mais acesse:
BLOG DA REVISTA VICEJAR: http://revistavicejar.blogspot.com/
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quinta-feira, 10 de novembro de 2022

MINHA POESIA:

METAMORFOSE: 

Caminha a lagarta, lentamente,
pela extensão de alguns galhos;
se alimenta de várias folhas
e mata a sede com o orvalho.

Um dia chega a mudança;
se encasula consigo, contida,
se reveste de folhas mortas
para iniciar uma nova vida.

Na escuridão de seu abrigo,
abandona a coloração pálida
e desabrocha suas cores vivas
na metamorfose em crisálida.

A natureza tece a roupagem,
que estampa sobre as floradas;
as borboletas, na paisagem,
mais parecem pétalas aladas. 

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
(Protegido por Lei de Direitos Autorais, 9.610/98)
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- COMENTÁRIO: 
- Menção Honrosa no “III Prêmio Manoel Cerqueira Leite de Literatura” e publicada na página 16 da antologia “Mágicas e tantos devaneios”, editada por Via Sette Editorial, da cidade de Itapetininga-SP.
- Publicada na página 72 do livro “Poesias da Primavera”, pela Casa do Livro Editora Rio-pretense, da cidade de São José do Rio Preto-SP. Foi um dos textos selecionados em concurso para integrar a coletânea.
- Publicada na página 16 da antologia “Mágicas e tantos devaneios”, editado por Via Sette Editorial, da cidade de Itapetininga-SP. Recebeu Menção Honrosa no “III Prêmio Manoel Cerqueira Leite de Literatura”. 
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sexta-feira, 28 de outubro de 2022

MINHA MÚSICA:


MÚSICA: "Fragmentos"
[ Composição: (Alex, Zé Roberto e Paulo) Paschoalini ]

Pessoas seguem suas trilhas
pelos trilhos da estação,
onde a mãe carrega nos braços
o futuro em forma de criança.

O estudante tem nos livros,
em que leva a tiracolo, 
a sabedoria impressa
nas rugas do velho, no outro extremo.

O tempo passa tão depressa quanto a paisagem,
que na janela vai ficando para traz.
Tantos sonhos são deixados em estações passadas,
feito bagagem esquecidas em algum lugar.

São pedaços da vida...

Pessoas seguem suas trilhas
preocupadas com o tempo,
contrastando com a calma
do turista em férias da rotina.

O operário adormece
encostado em seu cansaço,
sonhando encontrar na volta 
a paz e o aconchego de um abraço.

Cada um tem seu destino, que a realidade
quase sempre insiste em querer mostrar. 
Tantos sonhos são deixados em estações passada
feito bagagem esquecidas em algum lugar.

São pedaços da vida, de uma vida inteira;
Fragmentos de vida, de uma vida inteira.
Fragmentos da vida...

VÍDEO DISPONÍVEL NO YOUTUBE:

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SOBRE A MÚSICA: 

“Fragmentos” traz na letra um cenário que eu vi e fiz parte em meados dos anos 90, quando tive alguns compromissos na cidade de São Paulo, essa capital gigantesca, que, ao mesmo tempo acolhe e oprime, com suas nuances e particularidades. Eu tinha embarcado no Metrô, por volta das 15:00h, um horário mais tranquilo, e foi possível observar o semblante de diversos personagens anônimos, que traziam consigo sua história particular, cujo roteiro era certamente calcado em sonhos e frustrações. Cada pessoa seria um pedaço, desse imenso quebra-cabeça (puzzle) que é a vida. Lá, eu vi a mãe com a criança no colo, o estudante e seus livros, o velho no outro extremo (do vagão e da vida) o operário, o executivo, o rapaz com roupa turista, todos eles invariavelmente subordinados ao relógio. Quando cheguei em casa, rascunhei o que vi e com a preciosa colaboração do Alex e do Zé Roberto nós fizemos a composição. Certamente muitos já vivenciaram algo parecido.


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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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terça-feira, 13 de setembro de 2022

MINHA POESIA:

Trilhos do tempo: 


Lá vai o tempo feito  um trem deslizando 
pelos trilhos infinitos do destino.
Antigamente vinha devagar, passadas lentas,
e entre uma estação e outra era possível
ver a beleza em cada uma delas.
Pela janela dava tempo de ver a paisagem,
que nos acenava durante toda a travessia.

O trem caminhava vagarosamente,
deixando um rastro de fumaça
como sinal de sua passagem.
Uma boa parte dessa fumaça
foi dissipada pelo vento do esquecimento;
a outra parte transformou-se em nuvens,
que se espalham pelo horizonte da lembrança.

Hoje, o tempo é um trem
que passa depressa demais.
De uma estação a outra é um ‘flash’.
Recolhe e despeja passageiros
numa velocidade tamanha,
que nem sequer nos damos conta
de quem nos acompanha na viagem.

Não têm traços de fumaça,
muito menos espaço para lembranças.
Tudo acontece muito rapidamente.
Os trens modernos são chamados de ‘trem bala’,
pois passam como se fossem um disparo.
Feito um disparo de uma bala,
que muitas vezes fere e outras vezes mata!

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