Paulo Cesar Paschoalini

Paulo Cesar Paschoalini
Pirafraseando

Translate

Mostrando postagens com marcador composição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador composição. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de março de 2024

MINHA CRÔNICA:

MÚSICA: 'Bocas'  

"Bocas que transformam, com o seu cantar, 

sentimento em sons, pensamento em voz.


REVISTA VICEJAR – ARTE E CULTURA ( Música ) 

.Text written in Portuguese - Select a language in TRANSLATE >.


MÚSICA: "Bocas"
- Composição: Paulo, Alex e Zé Roberto Paschoalini
- Interpretação: Dênnis

Bocas em silêncio, depois de falar de amor;
bocas que se buscam, lábios que se tocam.
Bocas que acendem o fogo da paixão,
para incendiar corpo e coração.

Bocas de crianças reclamando do abandono;
bocas que insistem em clamar por Deus.
Bocas sempre abertas esperando o pão,
pois a fome dói como a solidão.

(REFRÃO)
Ah!... Os homens se esquecem
que as bocas existem pra sorrir, contar, falar...
E não pra se calar!
Ah!... Bocas que calam,
que nada falam, mas dizem tudo.

Bocas que se abrem num sorriso de alegria;
bocas que declamam versos poesias.
Bocas que transformam, com o seu cantar,
sentimento em sons, pensamento em voz.

Bocas que ordenam a matança de milhões;
bocas que se calam ante o mais forte.
Boca de um arma pode ser capaz
de calar a voz e ferir a paz.

(REFRÃO)

Ah!... Os homens se esquecem...

------------------------------------------------------ 

_____Antes do surgimento da escrita, e na falta de uma maneira para a propagação de imagens, toda a sabedoria que sucedeu e chegou até os dias atuais foi transmitida de maneira verbal, ou “boca a boca”, de pessoa para pessoa.  

_____O cantor e compositor Belchior mencionou em sua música “Como nossos pais” o seguinte verso: “para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua, é que se fez o seu braço, seu lábio e a sua voz”. Desse modo, além de se expressar através da fala, a boca pode demonstrar sentimento através do beijo, por exemplo.  

_____E foi justamente esse trecho da composição o ponto de partida. Bocas que também se alimentam, sorriem e cantam, além de acompanhar a dor do choro pela fome, silenciar por vontade própria ou calar-se por imposição. Daí veio à tona a poesia/música “Bocas”, composta em parceria com meus irmãos José Roberto e Alex, há mais de 25 anos, numa época em que o mundo tinha seus conflitos inerentes àquele momento.  

_____O tema abordado na composição não era algo exclusivo daquela época, uma vez que, “desde que o mundo é mundo”, aquilo que menciona o conteúdo é algo recorrente. No entanto, ao tomarmos contato com as informações que temos acesso nos dias de hoje, infelizmente talvez essa letra seja mais atual ainda.  

_____Sempre se falou em amor, mas nunca de maneira tão superficial. Nunca se viu tanta fome, mas poucas vezes de forma tão cruel e desumana. A necessidade de se expressar sentimentos tem extrapolado o que se convencionou chamar de urgência. O ódio, a violência e armamentos sofisticados jamais mataram tanto. 

_____Apesar de escrever quase sempre de forma livre, dessa vez na letra da música foi utilizada uma estrutura poética chamada de “anáfora”, que caracteriza-se pela repetição de uma ou mais palavras no início de duas ou mais frases sucessivas.  

_____A gravação foi feita em home studio, mas entendo que reúne condições para ser ouvida. Penso ser tipo de canção capaz de instigar nossa reflexão sobre a necessidade de se ter vez e voz no mundo, justamente quando botões e gravatas deliberadamente nos sufocam, não apenas dificultando a respiração, mas, principalmente, para interferir na nossa “inspiração”. 

_____Que a ausência de tempo não nos impeça de ver com a devida clareza e com a dose de humanidade que tanto está em falta ultimamente! 


------------------------------------------------

AUTORPaulo Cesar Paschoalini
------------------------------------------------
 < CURRÍCULO LITERÁRIO E PREMIAÇÕES > 
COMENTÁRIO: O texto foi publicado no blog da "Revista Vicejar" em 03.03.2024, onde o escritor possui vários textos de sua autoria, atuando como Colaborador do blog e do site. Para ler mais acesse:
BLOG DA REVISTA VICEJAR: http://revistavicejar.blogspot.com/
______________________________________

terça-feira, 15 de novembro de 2022

MINHA CRÔNICA:


MÚSICA: 'Construção' 
(Composição: Chico Buarque de Holanda, 1971) 

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido

Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música

E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão, atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado

Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego

Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo

E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague

--------------------------------------------------------

'Construção'... e reconstrução poética 

Esta música de Chico Buarque, do ano de 1971, é considerada por muitos críticos como uma de suas mais significativas composições, elaborada cuidadosamente com frases terminadas com palavras proparoxítonas. Descreve não somente a rotina de uma edificação comum às grandes cidades, mas como a sociedade está construída e as diferenças nela existentes.

A princípio, retrata a realidade da construção civil, observada de acordo com o ponto de vista humano, daqueles que se arriscam equilibrando em andaimes para poder executar a tarefa de por “tijolo por tijolo num desenho mágico”.

Além do mais, “comeu feijão com arroz... bebeu e soluçou”, por exemplo, dão a dimensão das condições e sentimentos que envolvem o operário, tratado “como se fosse máquina”. Enquanto procuram ganhar a vida executando essa tarefa tão necessária à sociedade, mas também tão arriscada, muitos acabam por morrer “na contramão atrapalhando o tráfego”.

Após finalizar a primeira parte com a morte do operário, a segunda parte é cantada com os versos começando de maneira semelhante, ainda terminado com proparoxítonas, mas no desfecho com palavras diferentes que foram mencionadas ao longo da letra. No entanto, quando cantada, ainda, pela terceira vez, cada verso apresenta no final uma forma desordenada, numa genial reconstrução poética, ganhando contornos de desconstrução, mostrando uma realidade caótica.

Dessa forma, a letra também adquire ares de demolição da vida humana, revelando dramaticamente como o indivíduo é usado e abusado, sendo despido de sua dignidade. Destaque para: “amou... como se fosse máquina”, “ergueu... paredes flácidas” e “e se acabou no chão feito um pacote bêbado”.

Para finalizar a composição, um arremate que expõe o lado desumano e realista. Apesar da vida desgraçada a que se submete, ainda se vê obrigado a agradecer a quem detém o poder econômico, pela oportunidade de lhe dar uma maneira de ganhar a vida, embora as condições de trabalho sejam mais apropriadas para que venha a perdê-la.

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir...
Por me deixar respirar, por me deixar existir...
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair...
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir...
Deus lhe pague!

------------------------------------------------
TEXTOPaulo Cesar Paschoalini
------------------------------------------------
 < CURRÍCULO LITERÁRIO E PREMIAÇÕES > 
COMENTÁRIO: O texto/música foi publicado no blog da "Revista Vicejar" em 13.11.2022, onde o escritor possui vários textos de sua autoria, atuando como Colaborador. Para ler mais acesse:
BLOG DA REVISTA VICEJAR: http://revistavicejar.blogspot.com/
LINK DO TEXTO:
______________________________________

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

MINHA MÚSICA:


MÚSICA: "Caminhada"
[ Composição: (Alex, Zé Roberto e Paulo) Paschoalini ]

Cada pedra em que tropecei 
Durante a minha caminhada
Guardei comigo cada uma
E com elas, lado a lado,
Construí o meu abrigo

A cada queda aprendi a levantar
E seguir, apesar das feridas
Que o tempo se encarregou de cicatrizar
Dia após dia, com toda a sua sabedoria.

( REFRÃO )
Não lembro bem o ponto de partida
Nem sei onde vai ser a chegada
Mas sei que sempre, por toda a vida, 
É preciso seguir a caminhada

A cada passo não se esquecer
Que o que passou já é passado
Viver intensamente o presente 
E olhar para o futuro com os pés no chão

Dar as costa pra derrota
Encarar de frente os desafios
Andar ao lado da alegria
E saber que sempre cada anoitecer
É o aperitivo de um novo amanhecer

( REFRÃO )
Não lembro bem o ponto de partida
Nem sei quando vai ser a chegada
Mas sei que sempre, por toda a vida, 
É preciso seguir a caminhada

VÍDEO DISPONÍVEL NO YOUTUBE:

----------------------------------   

SOBRE A MÚSICA: 

“Caminhada” é uma composição feita na metade dos anos 90, quando vivíamos a expectativa da virada do milênio, que mexia com o imaginário das pessoas, trazendo as mais curiosas teorias para o “Novo Tempo”. Dentre elas, destacava-se um cenário apocalíptico, num clima negativo para os dias que se aproximavam. Diante dessa atmosfera, a letra sugere uma visão otimista, mostrando que “cada pedras em que tropecei” serviu para fortelecimento pessoal para seguir a caminhada, com a firme disposição de “viver intensamente o presente e olhar para o futuro com os pés no chão”, sabendo que “cada anoitecer é o aperitivo de um novo amanhecer”. Apesar de ter passado mais de 25 anos, acredito que o tema abordado na composição (feita em parceria com Alex e Zé Roberto) também encontra eco no momento atual, em razão dos diversos conflitos em todos os cantos do mundo.


-------------------------------------------------
AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
(Protegido por Lei de Direitos Autorais, 9.610/98)
-------------------------------------------------
 < CURRÍCULO LITERÁRIO E PREMIAÇÕES > 

ACESSE TAMBÉM ATRAVÉS DOS LINKS: 
- INSTAGRAM: @pirafraseando ;
- INSTAGRAM, 3 IDIOMAS: @pc.paschoalini ; 
- TWITTER: @PaschoaliniPc ;
- PENSADOR UOL: pensador.uol/Paulo_cesar_paschoalini ;
- RECANTODAS LETRAS: recantodasletras/Pirafraseando . 

____________________________________

sábado, 29 de outubro de 2022

MINHA MÚSICA:


MÚSICA: "Miragem"
[ Composição: (Alex, Zé Roberto e Paulo) Paschoalini ]

Sem rumo ando sozinho
Só tenho a companhia dos momento
Sempre vivos na lembrança
Por quanto tempo ainda vou ter esse seu vulto
Querendo sempre me acordar
De um sonho que já não me deixa mais dormir

Miragem, sombras confusas
Um sonho, uma ilusão 
De que você está comigo novamente
Por mais que eu tente te esquecer já não consigo
Pelos lugares onde vou 
Vejo o seu jeito dividido nas pessoas

( REFRÃO )
Algumas podem ter o seu olhar
O seu perfume eu sinto pelo ar
Em outras posso ver o seu sorriso
Mas em nenhuma eu tenho tudo o que preciso

Bem poucas têm seu jeito de falar
Nos passos de outras vejo o seu andar
Mas todas tem um algo diferente
Alguém pra me satisfazer completamente
Como você jamais...

Miragem...

VÍDEO DISPONÍVEL NO YOUTUBE:

----------------------------------   

SOBRE A MÚSICA: 

"Miragem" é uma música de tema romântico, mencionando a solidão decorrente do fim de um relacionamento, quando alguém passa a ver detalhes que lembram a pessoa amada em outras pessoas, algo como o olhar, o sorriso, o jeito de falar e de andar. Tudo isso é visto como se fosse miragem, um sonho, uma ilusão ou um vulto "querendo sempre me acordar de um sonho que já não me deixa mais dormir". Traz um refrão interessante, que leva o ouvinte a cantar. A letra foi escrita junto com meus irmão Alex e Zé Roberto. A interpretação é na bela voz do Zé Roberto, que também fez o arranjo. O áudio da gravação é antigo e a nova versão (com recursos de 'home studio' mais atuais) está em processo de elaboração/gravação para breve.


-------------------------------------------------
AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
(Protegido por Lei de Direitos Autorais, 9.610/98)
-------------------------------------------------
 < CURRÍCULO LITERÁRIO E PREMIAÇÕES > 

ACESSE TAMBÉM ATRAVÉS DOS LINKS: 
- INSTAGRAM: @pirafraseando ;
- INSTAGRAM, 3 IDIOMAS: @pc.paschoalini ; 
- TWITTER: @PaschoaliniPc ;
- PENSADOR UOL: pensador.uol/Paulo_cesar_paschoalini ;
- RECANTODAS LETRAS: recantodasletras/Pirafraseando . 

____________________________________

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

MINHA MÚSICA:


MÚSICA: "Fragmentos"
[ Composição: (Alex, Zé Roberto e Paulo) Paschoalini ]

Pessoas seguem suas trilhas
pelos trilhos da estação,
onde a mãe carrega nos braços
o futuro em forma de criança.

O estudante tem nos livros,
em que leva a tiracolo, 
a sabedoria impressa
nas rugas do velho, no outro extremo.

O tempo passa tão depressa quanto a paisagem,
que na janela vai ficando para traz.
Tantos sonhos são deixados em estações passadas,
feito bagagem esquecidas em algum lugar.

São pedaços da vida...

Pessoas seguem suas trilhas
preocupadas com o tempo,
contrastando com a calma
do turista em férias da rotina.

O operário adormece
encostado em seu cansaço,
sonhando encontrar na volta 
a paz e o aconchego de um abraço.

Cada um tem seu destino, que a realidade
quase sempre insiste em querer mostrar. 
Tantos sonhos são deixados em estações passada
feito bagagem esquecidas em algum lugar.

São pedaços da vida, de uma vida inteira;
Fragmentos de vida, de uma vida inteira.
Fragmentos da vida...

VÍDEO DISPONÍVEL NO YOUTUBE:

----------------------------------   

SOBRE A MÚSICA: 

“Fragmentos” traz na letra um cenário que eu vi e fiz parte em meados dos anos 90, quando tive alguns compromissos na cidade de São Paulo, essa capital gigantesca, que, ao mesmo tempo acolhe e oprime, com suas nuances e particularidades. Eu tinha embarcado no Metrô, por volta das 15:00h, um horário mais tranquilo, e foi possível observar o semblante de diversos personagens anônimos, que traziam consigo sua história particular, cujo roteiro era certamente calcado em sonhos e frustrações. Cada pessoa seria um pedaço, desse imenso quebra-cabeça (puzzle) que é a vida. Lá, eu vi a mãe com a criança no colo, o estudante e seus livros, o velho no outro extremo (do vagão e da vida) o operário, o executivo, o rapaz com roupa turista, todos eles invariavelmente subordinados ao relógio. Quando cheguei em casa, rascunhei o que vi e com a preciosa colaboração do Alex e do Zé Roberto nós fizemos a composição. Certamente muitos já vivenciaram algo parecido.


-------------------------------------------------
AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
(Protegido por Lei de Direitos Autorais, 9.610/98)
-------------------------------------------------
 < CURRÍCULO LITERÁRIO E PREMIAÇÕES > 

ACESSE TAMBÉM ATRAVÉS DOS LINKS: 
- INSTAGRAM: @pirafraseando ;
- INSTAGRAM, 3 IDIOMAS: @pc.paschoalini ; 
- TWITTER: @PaschoaliniPc ;
- PENSADOR UOL: pensador.uol/Paulo_cesar_paschoalini ;
- RECANTODAS LETRAS: recantodasletras/Pirafraseando . 

____________________________________