Translate

quinta-feira, 23 de março de 2017

MEU TEXTO:

A invasão silenciosa das palavras

Quando observamos a história, constamos que ela é escrita pela ótica dos conflitos entre povos, que desenharam a geopolítica existente, estabelecendo as fronteiras dos dias atuais. Toda vez que um povo era conquistado, o vencedor impunha a todo custo a cultura, religião e costumes, além do idioma.

Não é novidade que termos oriundos de outros países fazem parte do nosso linguajar. Muitos foram aportuguesados, sofrendo pequenas alterações para se adequarem ao idioma. Para ilustrar, do latim originaram palavras como estilo, item, lucro e ônibus; do árabe, açougue, açúcar, alfaiate, algodão, arroz e garrafa; do italiano, aquarela, banquete, boletim, camarim, maestro e tchau; do francês: abajur, dossiê, garçom, menu, e toalete. Mas têm mais.

A língua inglesa também se faz presente. O chamado “anglicismo” é a incorporação de termos em inglês, para designar objetos ou fenômenos novos ao nosso vocabulário. Mas alcançou enorme proporção após o advento da informática. Por exemplo: internet, Facebook, whatsapp, back-up, CD, display, download, e-book, e-mail, fake, hacker, interface, link, login, mouse, net, notebook, no-break, off-line, on-line, pixel, playlist, press, print, scanner, software, site, smartphone, spam, twitter, tablet, wi-fi e word, entre outros.

A princípio, somos levados a acreditar que o contato com palavras estrangeiras se dá somente quando estamos às voltas com o ambiente de estudos ou trabalho. Vejamos abaixo a descrição de um momento de lazer. As palavras estrangeiras, de várias origens, foram grafadas em destaque:

Depois de ir ao Shopping e pagar com meu CARD, passei pelo pedágio com minha pick-up, flex com airbag, recebi o ticket e saí para curtir o réveillon com a família. Não precisa ser expert para ver que o hotel era top, bem classificado no ranking do segmento, padrão Spa, ideal para um relax. Tratamento VIP, conforme o marketing que constava no outdoor (ou, billboard) do Resort.

Após o check-in, fizemos um tour, até a liberação do quarto. Era tipo standard, com um hall para acesso a dois ambientes, de layout muito agradável. Num deles, uma cama box, ladeada por um abat-jour de design moderno e um poster com cores em dégradé, no alto da parede. Ao lado, uma minicozinha com frigobar e cooktop com timer.

No período da tarde, peguei meu kit de fitness: tennis, short de nylon e camiseta de poliester, para atividade indoor. O monitor agia como um personal trainer, ajudando a melhorar minha performance. Em seguida, fui até uma piscina com ondas, parecendo praia de surf, com pessoas exibindo tattoo e piercing.

Para quem estava acostumado com sandwich de hamburger ou hotdog com katchup, do menu do trailer da esquina, ou um delivery do Disk-pizza, a comida do jantar era o must. O garçon serviu o couvert, com croissant e pâté. Bebidas free, já que era all inclusive, podendo abusar de drinks e cervejas long neck, ao invés de refrigerantes diet. Comidas no sistema self-service, com grill à vontade.

Durante o jantar, músicas light e em seguida um show com pot-pourri de ritmos country, pop e funk. No final da noite, flash night para quem gosta de rock, realçado pela qualidade de back vocal e luzes de neon, led e laser. As apresentações cover, com o look correspondente, foram o up da noite.

Após esse período fora do meu habitat, meu feeling me diz que esse upgrade foi essencial, antes de eu dar um feedback ao cardiologista, que me alertou sobre fazer um check-up, para ver se está tudo OK comigo. Espero que ele me receite um replay disso tudo.

Como podemos observar, são expressões que já fazem parte do nosso dia a dia. Para alguns linguistas, isso representa uma evolução. A quem diga se tratar de uma invasão silenciosa das palavras, ou uma sutil colonização através de uma nova cultura. Eu costumo dizer, ironicamente, que a língua falada no Brasil sofreu tanta influência de termos estrangeiros, que até o livro de definição de suas palavras, o “Aurélio”, é “de Holanda”.

Temos que ficar online com as novidades, para não nos vermos off-line do mundo.
Thank you and goodbye.
The end.

----------------------------------------
AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
----------------------------------------
COMENTÁRIO:
Um texto baseado na crônica publicada no Jornal de Piracicaba, em 2002, com termos atualizado, novos ingredientes, e descrição de um cenário diferente àquele mencionado na época. Postado neste Blog em 21.03.2017.
O texto também foi publicado no site "Portal Raízes", e pode ser acessado através do link: http://www.portalraizes.com/invasao-silenciosa-das-palavras, ou pelo Facebook do "Portal": https://www.facebook.com/portalraizes/?fref=ts.
______________________________________

quarta-feira, 22 de março de 2017

MINHA CITAÇÃO:

Língua pátria...

"A língua falada no Brasil sofreu tanta influência de termos estrangeiros, que até o livro de definição de suas palavras, o 'Aurélio', é 'de Holanda'."

---------------------------------------
AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
---------------------------------------
COMENTÁRIO:
Acesse o site "Pensador.uol.com.br" e encontre outras frases do autor no link: http://pensador.uol.com.br/autor/paulo_cesar_paschoalini.
Depois, aproveite para curtir e/ou compartilhar algumas delas nas Redes Sociais. Também fica o convite para acessar a página do Facebook: https://www.facebook.com/paulocesar.paschoalini.
______________________________________

terça-feira, 21 de março de 2017

MINHA CRÔNICA:

Invasão estrangeira

Muito tem se falado sobre o uso exagerado de termos em inglês nos dias de hoje. Defensores ferrenhos da Língua portuguesa têm se manifestado contrários ao que podemos chamar de uma sutil invasão estrangeira, que tem americanizado até mesmo a nossa cultura popular, haja visto a onda country que tem influenciado a música, vestuário e costumes dos jovens, em boa parte do país.

Mas não é só o jovem que tem sofrido essa influência. Se pararmos para observar, muitas palavras do idioma inglês estão fazendo parte do nosso dia-a-dia e, sem que percebamos, já foram incorporadas ao nosso vocabulário quase que naturalmente. Se o leitor ainda não se deu conta desse anglicismo, basta acompanhar a narrativa do que pode ser a rotina de muita gente:

Você trabalha a semana inteira em frente de um computador e vive às voltas com software, hardware, e CD-ROM, tem que dar um tratamento VIP aos clientes e só para quando vai almoçar num self-service. O pouco de lazer que tem é o happy hour para tomar um drink com os amigos. Não vê a hora de chegar o fim de semana para ir a um flash night ou a algum show que tiver na cidade. Mas, antes você pega a sua pick-up, com insulfilm e air bag, e vai ao Shopping center passear com a família. Durante o passeio, você dá uma olhada no show room de várias lojas que têm outdoor espalhados pela cidade. Aí sua esposa resolve ir ao hipermercado comprar leite light e refrigerante diet para casa, shampoo para ela, CD para o filho, short e top de cor pink para a menina e uma calça jeans para você.

Para esses gastos o seus saldo bancário é o suficiente. No entanto, a mulher vê um freezer que ela gostaria de ter há algum tempo. Além do mais, gostaria que você levasse uma TV nova, stereo, com close caption ou picture and picture. Para você esses recursos não importam pois só usa o on e off da televisão. O menino quer um video game de presente e a garota um aparelho de CD que possua também um tape deck que seja auto reverse. Sua esposa quer levar um blazer que você vai vestir num casamento onde a maioria dos convidados estará usando black tie. Então, você convence a família que não dá para comprar tudo aquilo nem mesmo usando o seu CARD que, apesar de estar escrito international, o limite dá para comprar muito pouco dos produtos vendidos no Brasil.

Depois de algum tempo caminhando, é hora de parar num fast food, para comer alguma coisa. Seus filhos pedem hot dog e milk shake; sua esposa, um X-salada (na verdade cheese salada) e, para beber, um cocktail de frutas; você quer um X-egg bacon acompanhado de uma cerveja long neck. Na hora de pagar a conta, você utiliza alguns tickets que a empresa lhe paga junto com o salário mensal.

Toda essa vida agitada leva você a fazer um check-up periódico, para ver se não está a beira de um stress. Felizmente, quase sempre tudo OK.

Como é fácil notar, os termos em língua inglesa estão por toda parte. Com certeza, a maioria dos leitores conseguirá entender quase que a totalidade do texto, mesmo aqueles que nunca chegaram a ter aulas de inglês. A tendência natural é que, com a globalização, o uso desses termos estrangeiros aumentem cada vez mais. Segundo dados divulgados pela TV, cerca de 380 milhões de pessoas falam o inglês como língua nativa e, em todo o mundo, mais de 1 bilhão estão em processo de aprendizagem desse idioma derivado do anglo-saxão, devido ao seu uso universal.

Talvez não seja o caso de discutir se a introdução desses termos é prejudicial ou não à Língua portuguesa. A realidade é que a necessidade nos impulsiona na direção de novos conhecimentos. Segundo uma frase ouvida já há algum tempo, "o analfabeto do século XXI será aquele que não tiver curso de inglês e informática". Pois bem, o terceiro milênio já começou e temos que ter a consciência de que tudo caminha continuamente e aquele que ficar parado apenas observando tudo isso acontecer, sem acompanhar essas mudanças, será esmagado pelo rolo compressor da modernidade, que avança de maneira impetuosa.

O texto não tem a intenção de fazer qualquer propaganda de escolas de inglês ou informática. É apenas uma sugestão para que, de alguma forma, as pessoas busquem atualizar-se, já que isso não é uma questão de opção, mas sim de necessidade, ou até mesmo de sobrevivência.
The End.

----------------------------------------
AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
---------------------------------------- 
COMENTÁRIO: Texto publicado no "Jornal de Piracicaba", quando atuei como colaborador nos anos de 2001, 2002 (época da publicação) e 2005. Agradecimento ao jornalista Joacir Cury, Editor do "JP" naquele período.
Podemos verificar que muitos termos em inglês, incorporados ao nosso vocabulário, já caíram em desuso, devido a velocidade de incorporação de novas palavras, oriundas de novas tecnologias.
______________________________________

segunda-feira, 20 de março de 2017

MINHA CITAÇÃO:

Dividir o tempo...

"Querendo dividir o tempo?... Engano!
Na verdade, o tempo é quem fragmenta a nosso querer."

---------------------------------------
AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
---------------------------------------
COMENTÁRIO:
Acesse o site "Pensador.uol.com.br" e encontre outras frases do autor no link: http://pensador.uol.com.br/autor/paulo_cesar_paschoalini.
Depois, aproveite para curtir e/ou compartilhar algumas delas nas Redes Sociais. Também fica o convite para acessar a página do Facebook: https://www.facebook.com/paulocesar.paschoalini.
______________________________________

quarta-feira, 8 de março de 2017

MINHA POESIA:

Mulheres de sempre 

Quantas mulheres de ontem,
que nunca souberam o que é amar.
Quantas mulheres de hoje,
conhecidas por saberem a arte de amar.

Ontem, quantas mulheres caladas;
hoje, quantas mulheres faladas.
Ontem, hoje e sempre...
quantas mulheres desejadas!

-----------------------------------------
AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
-----------------------------------------
COMENTÁRIO: Uma homenagem ao "Dia Internacional da Mulher", comemorado hoje, onde se deve exaltar a luta da mulher ao longo da história, buscando se sentir inserida numa sociedade preconceituosa e ainda machista. O poema foi publicado na página 20 do livro "Arcos e Frestas", uma das obras selecionadas no "3º Concurso Blocos de Poesia, da Editora Blocos, lançado em 2003. 
______________________________________

domingo, 5 de março de 2017

MINHA CITAÇÃO:

Exceção

"A vida tem lá as suas regras,
mas cada um de nós se sente uma exceção."

---------------------------------------
AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
---------------------------------------
COMENTÁRIO:
Acesse o site "Pensador.uol.com.br" e encontre outras frases do autor no link: http://pensador.uol.com.br/autor/paulo_cesar_paschoalini.
Depois, aproveite para curtir e/ou compartilhar algumas delas nas Redes Sociais. Também fica o convite para acessar a página do Facebook: https://www.facebook.com/paulocesar.paschoalini.
______________________________________

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

UM TEXTO...

Sobre apropriação cultural...

"O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão cuja planta se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China. Todos estes materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo.

Ao levantar da cama faz uso dos “mocassins” que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no quarto de banho cujos aparelhos são uma mistura de invenções européias e norte-americanas, mistas e outras recentes. Tira o pijama, que é vestiário inventado na Índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir dos sumerianos ou do antigo Egito.

Voltando ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu meridional e veste-se. As peças de seu vestuário têm a forma das vestes de pele originais dos nômades das estepes asiáticas; seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra ao pescoço é sobrevivência dos xalés usados aos ombros pelos croatas do século XVII.

Antes de ir tomar o seu breakfast, ele olha a rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e, se estiver chovendo, calça galochas de borracha descoberta pelos índios da América Central e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas.

De caminho para o breakfast, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu breakfast com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abissínia, com nata e açúcar. A domesticação do gado bovino e a ideia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia.

Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria-prima o trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. Rega-se com xarope de maple, inventado pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos. Como prato adicional talvez coma o ovo de uma espécie de ave domesticada na Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no Norte da Europa.

Acabando de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha.

Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador, agradecerá a uma divindade hebraica, numa língua indo-européia, o fato de ser cem por cento americano."

--------------------------
TEXTO: Ralph Linton
--------------------------
COMENTÁRIO – Paulo Cesar Paschoalini:
Trecho extraído do livro “Cultura: um conceito antropológico”, de Roque Laraia, que menciona um texto que o antropólogo Ralph Linton escreveu em 1937, sobre o começo do dia do homem americano, numa época em que o povo estadunidense vivia um grande progresso material, achando que isso seria exclusivamente resultado do seu esforço, julgando-se o povo mais desenvolvido do mundo. Boa parte desse texto também foi publicada na página 29 da "Gazeta de Piracicaba", edição 3249, em 18.02.2017 (FONTE: https://blogdojoao.wordpress.com/2008/10/20/o-cidadao-norte-americano).
______________________________________