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sexta-feira, 21 de abril de 2017

CINEMA:

“Benjamin Button” e o eterno desejo de rejuvenescer

Produção de 2008, baseada no conto homônimo de F. Scott Fitzgerald, “O curioso caso de Benjamin Button” traz no elenco nomes como Brad Pitt e Cate Blanchett. Foi um dos filmes que mais concorreu ao Oscar, com 13 indicações, conquistando apenas três, em categorias voltadas ao quesito visual.

Conta a história de Benjamin, um homem que nasce em 1918 com aparência e características de envelhecimento e, devido ao seu aspecto incomum, é abandonado pelo pai após a morte da mãe, logo depois do parto. Ele, então, é encontrado por Queenie, que trabalha em um Lar para idosos, que passa a criar o menino. Convive em igual condição com os outros moradores, apesar de sua mente ser como a de um garoto; inseguro e curioso sobre a vida.

Ainda na infância conhece a menina Daisy, que se tornaria seu grande amor. Benjamin, no entanto, tem uma característica curiosa. Diferentemente dos demais, ao invés de manter ou adquirir novas rugas, ele vai rejuvenescendo, o que torna o filme intrigante.

Agostinho de Hipona:
O tempo muitas vezes foi objeto de reflexão da Filosofia. A literatura também se serviu de conceitos temporais como pano de fundo em narrativas de ficção, como é o caso de Benjamin Button. A ideia surgiu depois que Fitzgerald leu a frase de Mark Twain: “A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18”.

Essa subversão na cronologia nos remete ao pensamento de Santo Agostinho, que dizia ser o tempo essencialmente psicológico. Desse modo, o passado não existe, pois é uma lembrança; o presente não passa de uma percepção, ou intuição, e o futuro é algo que nunca aconteceu e, portanto, é apenas uma expectativa.

Kant e Heidegger:
Segundo o filósofo alemão Immanuel Kant, o tempo (além do espaço) é uma condição de possibilidade da experiência, não sendo, portanto, uma realidade, já que não é visível, nem tangível e trata-se de uma intuição antes da experiência.

Assim, a capacidade de intuição, em conjunto com a capacidade de pensar, é responsável pela organização das informações dos sentidos e permite por meio da reflexão o surgimento do conhecimento humano. Podemos, portanto, questionar a respeito de nós mesmos; ou seja, porque nossa natureza é nascer criança e morrer velho?

Interessante mencionar, ainda, Martin Heidegger, que tratou de algo muito visível no personagem; a angústia. De acordo com esse outro pensador alemão, angústia é uma insegurança que sentimos da nossa própria existência perante o mundo, isolados de tudo; uma solidão, inclusive, perante a nossa condição humana, em que o futuro não oferece nenhuma forma de garantia.

Não importa se o tempo é uma ilusão ou uma intuição, que age no sentido de contribuir para a aquisição de conhecimento. Independente de nos envelhecer ou remoçar, em ambos os casos necessitamos nos submeter a uma experiência de vida, dentro de um período, com o objetivo (talvez) de adquirir conhecimento e consciência para nossa evolução.

Não estamos imunes ao mesmo fim
É curioso notar nossa insatisfação com relação ao tempo. Quando somos crianças, torcemos para ser rapidamente adultos. Ao avançarmos na idade adulta, queremos colocar um freio no tempo. Assim que nos aproximarmos da velhice, gostaríamos que nossa idade retrocedesse gradualmente, a ponto de nos tornarmos novamente jovens, conforme sugere o autor F. Scott Fitzgerald.

Ao refletirmos sobre o filme, percebemos que um eventual processo de inversão da idade, partindo da velhice, só alteraria a cronologia e aspectos das características físicas. Embora a maioria das pessoas se queixe do natural processo de envelhecimento, se o tempo caminhasse no sentido oposto, não estaríamos imunes ao nosso inevitável destino.

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
Um filme curioso, como mencionado no título, mas, acima de tudo, sensível, que nos convida a uma reflexão sobre a inevitável passagem do tempo e suas consequências. Destaque para as atuações de Brad Pitt e Cate Blanchett, além da bela ambientação de época.
O texto também foi publicado no site "Portal Raízes", e pode ser acessado através do link: http://www.portalraizes.com/8598-2/, ou pelo Facebook do "Portal": https://www.facebook.com/portalraizes/?fref=ts.
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quinta-feira, 13 de abril de 2017

UMA CITAÇÃO...

Liberdade e sensatez

“Se o cavalo tivesse conhecimento da sua força, seria tão louco que se sujeitasse ao jugo, como acontece? Mas, caso ele se tornasse sensato e se libertasse, então dir-se-ia que tinha enlouquecido.”

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AUTOR: August Strindberg
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COMENTÁRIO – Paulo Cesar Paschoalini:
August Strindberg nasceu em 22 de janeiro de 1849, em Estocolmo, e faleceu em 14 de maio de 1912, também na capital. Foi um escritor e dramaturgo sueco, um dos criadores do teatro expressionista. Sua primeira peça importante foi “Mestre Olof”, de 1872, um drama que trata da revolta contra convenções sociais e tipos de poder. Em 1879 escreveu “O quarto vermelho”, primeiro romance naturalista da literatura sueca. Outras de suas obras de destaque são “O Pai”, em 1887, e “Senhorita Júlia”, em 1899, quando vivia em diversos países da Europa.  Volta a viver na Suécia em 1897 e escreve de 1898 a 1904 as três partes da peça “Para Damasco”, precursora do teatro expressionista, que influenciou inúmeros dramaturgos alemães (FONTE: www.algosobre.com.br).
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domingo, 9 de abril de 2017

MINHA CITAÇÃO:

Animais

“Muita gente se surpreende ao ver pessoas tratarem certos animais da mesma forma como se trata um ser humano. No entanto, acha perfeitamente normal ver pessoas tratando outro ser humano como se fosse o pior dos animais.”

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
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sexta-feira, 7 de abril de 2017

UM TEXTO...

Nenhum animal é insatisfeito

Eu penso que poderia retornar e viver com animais,
tão plácidos e autocontidos;
eu paro e me ponho a observá-los longamente.
Eles não se exaurem e gemem sobre a sua condição;
eles não se deitam despertos no escuro
e choram pelos seus pecados;
eles não me deixam nauseado
discutindo o seu dever perante Deus.
Nenhum deles é insatisfeito,
nenhum enlouquecido pela mania de possuir coisas;
nenhum se ajoelha para o outro,
nem para os que viveram há milhares de anos;
nenhum deles é respeitável ou infeliz em todo o mundo.

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AUTOR: Walt Whitman
Extraído de “Song of Myself”
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COMENTÁRIO - Paulo Cesar Paschoalini:
Walt Whitman nasceu em 31 de maio de 1819, em Huntington, e faleceu em 31 de maio de 1892, em Camden. Esse poeta, ensaísta e jornalista estadunidense é considerado o “pai do verso livre”. Em 1855 publicou a primeira edição de “Leaves of Grass”, sua obra mais famosa, cujos versos eram livres e longos, imitando os ritmos da fala. Na primeira edição de sua obra mais importante, não mencionava o nome do autor, e continha apenas 12 poemas e um prefácio. Nas edições seguintes dedicou-se a rever e completar o livro, sendo que a oitava, e última, foi 1889. Estava preparando a nona edição para 1892, mas morreu no mesmo ano, sem conseguir esse intento.
Whitman tornou-se mais conhecido mundialmente pelas citações no enredo do filme "Sociedade dos Poetas Mortos", de 1989. Para se ter uma ideia de sua importância na literatura, Fernando Pessoa escreveu um poema de nome "Saudação a Walt Whitman", que "introduziu uma nova subjectividade na concepção poética e fez da sua poesia um hino à vida”. (FONTE: Wikpédia).
O texto desta postagem foi extraída do site www.citador.pt.
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domingo, 2 de abril de 2017

MINHA CITAÇÃO:

Imprensa

"Quem pensa que a imprensa é livre, de fato,
está fadado a ser escravo de versões e boatos."

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
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sexta-feira, 31 de março de 2017

MINHA CRÔNICA:

Big Brother Brasil: Mais do mesmo
Como vem acontecendo todos os anos, boa parte da mídia dirige seu arsenal para a edição do famigerado BBB (para muitos, Bobagem em dose tripla), alcançando altos índices de audiência, segundo a emissora. Não se pode negar que a propaganda é bem trabalhada e as chamadas geram expectativas. Mas o que faz do formato reallity show um sucesso? O que leva grande parte do público a fixar o olhar durante a exibição de programas dessa natureza?

O que se vê são diálogos inconsistentes, de pessoas vivendo uma falsa rotina, diante de olhares curiosos e ávidos por cenas mais íntimas, envolvendo participantes dotados de atributos físicos para atrair a atenção do telespectador. Aliás, o apelo estético é justamente o mais explorado, já que pouco se pode esperar dos candidatos no tocante ao nível intelectual.

Depois de algum tempo, o telespectador se vê revestido de poder suficiente para decidir o destino dos participantes, contrastando com a incapacidade de resolver a própria vida. Sente-se importante contribuindo para a escolha daquele que vai ganhar uma considerável soma em dinheiro no final de poucas semanas, mas não se empenha para mudar a sua condição de assalariado mal remunerado de todo mês.

Questiona-se quem dentre os participantes será eleito o mais simpático, bonito ou sexy, mas não acerca do rumo que está sendo traçado pela classe política. Não se dá conta de que o vencedor do BBB não mudará em nada a sua vida. Em contrapartida, pouco faz com relação aos representantes que escolheu para decidirem sobre assuntos como educação, segurança, e saúde. Aqueles que influem ainda na geração de empregos, ou definem condições para que o cidadão possa se aposentar com dignidade.

Sem poder interferir diretamente na estrutura televisiva, o telespectador não tem a consciência de que é capaz de influir na grade de programação das emissoras, simplesmente recusando-se a assistir certas atrações. Ao invés disso, acomoda-se em sua poltrona e sujeita-se ao papel de “voyeur” compulsivo em busca de cenas picantes, que possam dar algum tempero à vida insossa que a maioria costuma levar.

Muito embora os apresentadores sejam celebridades, que gozam de certo prestígio no meio artístico, curvam-se ao mesmo patamar de futilidades, optando por trilharem um caminho na contra mão do que se espera de um programa de qualidade, entregando-se à conveniente máxima do “pagando bem, que mal tem”.

Talvez esse tipo de programa represente o retrato fiel do que tem sido a TV brasileira. Uma fábrica de alienação coletiva capaz de ditar normas, comportamentos e costumes de acordo com inúmeros interesses. O telespectador submete-se à modismos da “telinha” e passa a se sentir “um poço de sabedoria” por assistir a determinados programas, ou por saber cada vez mais das novidades dos bastidores.

Quem vai ganhar? Todos os participantes sairão ganhando de alguma forma. Por não serem artistas, passarão a ocupar um considerável espaço na mídia. Alguns estamparão capas de revistas, dos mais variados gêneros, cujo conteúdo se assemelha ao nível do programa, conseguindo os tais “15 minutos de fama”, muitas vezes efêmera.

Quem sai perdendo? Não é difícil de responder. Novamente o público dedica o seu tempo assistindo a uma atração que “vai do nada para lugar nenhum”, sem acrescentar algo de relevante à sua vida.

Dessa maneira, na ânsia de conseguir índices de audiência a qualquer custo, as emissoras continuam apresentando cada vez “mais do mesmo”, recheado com a banalidade de sempre. E assim, enquanto a TV vai vendendo os seus produtos, o telespectador continua sendo um comprador de ilusões... Ou desilusões?

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: O Programa “Big Brother Brasil” está em sua 17ª edição, o “BBB 17”, e é apresentado pela Rede Globo. O texto acima reflete a minha visão particular com relação a essa atração diária, exibida durante boa parte dos primeiros meses de cada ano na televisão brasileira. Gostaria de ressaltar, no entanto, que respeito opiniões contrárias a essa apresentada, bem como o direito de cada um poder escolher e assistir àquilo que mais lhe convém.
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segunda-feira, 27 de março de 2017

MINHA CITAÇÃO:

Intuição...

"Intuição é flertar desinteressadamente com o impossível e se sentir extasiado ao alcançar o improvável."

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
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