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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

MEU TEXTO:

Final de Ano: “Doce narcose da existência de um mundo melhor”
  
Mais uma vez os freios do tempo mostraram ser pouco eficientes, pois estamos novamente às voltas com outro final de ano. Fim de um ciclo… Começo das compras! Atualmente, fazer comprar passou a ser sinônimo de ir a um Shopping Center, quer seja na própria cidade ou na região. Nesse espaço, o frequentador busca e acaba encontrando um local que considera seguro, limpo, com um visual agradável, onde é compelido a consumir produtos e serviços, de maneira quase que inconsciente.
Mas afinal, seria esse lugar algo positivo, ou negativo? Estaria ele sendo usado para acesso de qualquer cidadão, ou com objetivo segregacionista?

“Coisas divinizadas”
Em artigo publicado na revista “Filosofia Ciência & Vida”, o Dr. Renato Nunes Bittencourt apresenta uma visão sobre a configuração física de um shopping, fazendo analogia ao útero materno, já que a climatização do espaço permitiria comparar a sensação de acolhimento e bem estar vivida no ventre da mãe.
No texto, menciona o cientista social Erving Goffman, para quem a intenção das lojas não é de consideração à pessoa, mas de atrativo para consumo. “Queremos o seu dinheiro, mas não sua permanência nesse recinto”. Esse formato é chamado de “não lugar” pelo antropólogo francês Marc Augé, que envolve as instalações para a rápida circulação das pessoas e os meios de transporte dos grandes centros.
O que parece ser uma liberdade de escolha para o consumidor, na verdade é uma indução à aquisição quase automática, já que as vitrines funcionam como um espaço sagrado para adoração de “coisas divinizadas”, passando por estudos minuciosos de design e cores, além de propaganda planejada para atrair o consumidor-cidadão.

“Doce narcose da existência de um mundo melhor”
O sistema de vigilância dos shoppings segue o modelo idealizado por Jeremy Bentham, que representa o olhar onisciente de Deus, capaz de ver tudo. Vivemos um momento social em que se evidencia a arquitetura do medo e esses locais se assemelhariam a condomínios fechados, onde “as muralhas” podem dar uma sensação de “segurança máxima” contra o mundo do “lado de fora”.
Segundo o pensador polonês Zygmunt Bauman, “a insegurança alimenta o medo” e seria natural essa preocupação contra as ameaças existentes. Cria-se, então, o que ele chama de “doce narcose da existência de um mundo melhor”, graças ao monitoramento permanente, visando blindar a pessoa de eventuais situações desfavoráveis.
Numa versão sócio-econômica de “apartheid”, os abastados podem usufruir desse espaço de lazer, com toda segurança. No entanto, aqueles considerados não economicamente viáveis devem apenas consumir os produtos, retornando para as suas residências tão logo finalizem as compras.
No final, é citado que a “meta comercial do capitalismo tecnocrático consistirá na criação de shopping-condomínio ou shopping-hotel”. Com isso, o ar respirável será aquele advindo dos shoppings e as cores em nosso entorno serão as que compõem esses ambientes e não as presentes em parques e jardins públicos.

“Feliz Compra”… Feliz?
As emblemáticas mensagens de “Feliz Natal” e “Feliz Ano Novo” foram, de maneira subliminar, substituídas pelo desejo de “Feliz Compra”… Feliz?
Difícil de imaginar ser feliz quando se tem de cumprir imposições sociais, adquirindo produtos da moda e que atendam às necessidades do momento. Trata-se de uma ocasião em que todos (ou quase) estão impregnados da patológica ditadura do “ter”.
Uma “felicidade” fabricada e, como “tudo o que é fabricado tem seu prazo de validade”, ela se expira poucos dias após a virada do ano novo, quando nos damos conta da rotina e constatamos que o “novo” não chegou. Durante os demais meses do ano, virão outras datas e novos desejos de felicidades. Muitas vezes aquilo que se deseja é justamente o que mais se sente falta.

REFERÊNCIA:
BITTENCOURT, R. N., O Apartheid Mitigado nos shopping centers. Filosofia Ciência & Vida, São Paulo, ano VII, n. 93, p. 55-62, abr. 2014.

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
O texto acima é um convite a uma reflexão de final de ano, época em que somos "forçados" a consumir, para nos adequar às imposições sociais. Ele também pode ser encontrado no site "Portal Raízes", através do link: 
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sábado, 17 de dezembro de 2016

UM TEXTO...

Não existe medo no amor...

"... Grande parte desse último ano e meio eu fique no hospital, lá em Huston. Eu sempre voltava para o hotel à noite andando por edifícios maravilhosos, inclusive o Hospital Infantil de Huston. Muitas noites eu parava ali e entrava naquele hospital. Entrando ali no hospital, existe um display enorme coberto por vidros, que são vários botões, ativam os trens, os brinquedos, muitas noites ali sozinho no silêncio, na solidão do hospital eu fiquei apertando aqueles botões e ficava vendo os trens passando pelos túneis, saindo do túnel, eu ficava olhando ali os trenzinhos, o cannyon dos dinossauros. Toda aquela maquete eu ficava ali vendo tudo aquilo, ouvindo os sons do circo, das crianças rindo e dos trens. Eu não sei porque eu gostava desse trenzinho, acho que é a minha vida se completando, ou será a criança dentro de todos nós, ou são aqueles poucos minutos da minha vida que a leucemia não consegue roubar de mim. O trem leva 2 minutos e 40 segundos para dar uma volta inteira. O que é o tempo quando você tem o diagnóstico de uma doença terminal como a leucemia. A sua percepção de tempo muda quando os médicos dizem ‘você tem três semanas de vida’. Você tenta viver ao máximo, ou fala ‘sei lá, não quero nem saber de três semanas’. Quando os médicos falam que a sua única chance de sobrevivência são 14 dias de quimioterapia intensa, 24 horas por dia, você fica contando todas essas horas, ou você vê cada dia como se fosse uma benção. Você não consegue comprar o tempo, você não pode negociar com Deus e não é um suprimento inesgotável. O tempo é somente a maneira como você vive a sua vida. Eu não sou especialista em tempo, em câncer, ou em vida. Sou um garoto de uma cidade pequena, Batavia. Eu torcia para o Chicago Cups e para mim esporte é a minha vida. Para mim nunca foi trabalho. Eu já vi touradas em Pamplona, eu já vi o Mário Andretti, em Indianápolis, em já estive na Grande Muralha da China. Eu já saltei de aviões, eu fui caçar crocodilos na Flórida. Eu já naveguei pelo Caribe, eu já entrevistei o Gregg Popovich, com os Spurs perdendo de 7 pontos no intervalo do jogo. Se eu devo alguma coisa a vocês, cada dia é como se fosse uma tela para ser pintada, uma oportunidade para amar, para lutar, para viver, para aprender. Para aqueles de vocês aí, que sofrem de câncer, enfrentando adversidades, eu quero que você saiba que a sua disposição para viver e a luta contra o câncer vai fazer uma diferença brutal. A maneira como você pensa influencia a maneira como você se sente e a maneira como você se sente, determina como você age. E para todos vocês aí, estamos evoluindo. A evolução é impressionante, como disse o vice-presidente. O programa (incompreendido) vamos encontrar a cura do câncer. Precisamos da sua ajuda. Precisamos continuar com as doações, precisamos continuar essa luta, nessa direção, juntos. Sou muito grato aos meus pais (nome dos pais), me educaram numa perspectiva otimista diante da vida. Eu sempre vejo o copo meio cheio, eu vejo a beleza dos outros e eu vejo esperança no futuro. Se não tivermos esperança e fé, não temos nada. Qualquer coisa que eu pudesse imaginar o que um diagnóstico faria com a minha coragem, foi justamento o oposto. Eu valorizo a vida ainda mais. Então, eu não vou desistir nunca. E eu não vou jogar a toalha de jeito nenhum. Eu vou continuar lutando, extraindo da vida tudo o que eu puder. Vou viver a minha vida com muito amor, com muita alegria. Eu só sei viver assim!..."

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Craig Sager
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COMENTÁRIO – Paulo Cesar Paschoalini:
Trecho das palavras dirigidas ao público presente na entrega do Prêmio “Jimmy V”, recebido pelo repórter Craig Sager recebeu o prêmio “Jimmy V”. O texto foi extraído da tradução simultânea do evento, transmitido pela ESPN Brasil e publicado no site da emissora em 15/12/2016, por ocasião da morte desse famoso jornalista estadunidense, aos 65 anos de idade.  Link: http://espn.uol.com.br/noticia/655623_lenda-do-jornalismo-esportivo-norte-americano-craig-sager-morre-aos-65-anos.
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sábado, 10 de dezembro de 2016

MINHA CITAÇÃO:





Paz interna

"Mais importante que a ‘paz eterna’,
que não nos compete,
é cuidarmos da paz interna,
que está ao nosso alcance."

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
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