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segunda-feira, 24 de abril de 2017

MINHA CITAÇÃO:

Velhice

“A velhice haverá de ser algo mais leve se, quando ela chegar, eu já tiver adquirido as qualidades das pessoas que admirei ao longo da vida.”

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
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sexta-feira, 21 de abril de 2017

CINEMA:

“Benjamin Button” e o eterno desejo de rejuvenescer

Produção de 2008, baseada no conto homônimo de F. Scott Fitzgerald, “O curioso caso de Benjamin Button” traz no elenco nomes como Brad Pitt e Cate Blanchett. Foi um dos filmes que mais concorreu ao Oscar, com 13 indicações, conquistando apenas três, em categorias voltadas ao quesito visual.

Conta a história de Benjamin, um homem que nasce em 1918 com aparência e características de envelhecimento e, devido ao seu aspecto incomum, é abandonado pelo pai após a morte da mãe, logo depois do parto. Ele, então, é encontrado por Queenie, que trabalha em um Lar para idosos, que passa a criar o menino. Convive em igual condição com os outros moradores, apesar de sua mente ser como a de um garoto; inseguro e curioso sobre a vida.

Ainda na infância conhece a menina Daisy, que se tornaria seu grande amor. Benjamin, no entanto, tem uma característica curiosa. Diferentemente dos demais, ao invés de manter ou adquirir novas rugas, ele vai rejuvenescendo, o que torna o filme intrigante.

Agostinho de Hipona:
O tempo muitas vezes foi objeto de reflexão da Filosofia. A literatura também se serviu de conceitos temporais como pano de fundo em narrativas de ficção, como é o caso de Benjamin Button. A ideia surgiu depois que Fitzgerald leu a frase de Mark Twain: “A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18”.

Essa subversão na cronologia nos remete ao pensamento de Santo Agostinho, que dizia ser o tempo essencialmente psicológico. Desse modo, o passado não existe, pois é uma lembrança; o presente não passa de uma percepção, ou intuição, e o futuro é algo que nunca aconteceu e, portanto, é apenas uma expectativa.

Kant e Heidegger:
Segundo o filósofo alemão Immanuel Kant, o tempo (além do espaço) é uma condição de possibilidade da experiência, não sendo, portanto, uma realidade, já que não é visível, nem tangível e trata-se de uma intuição antes da experiência.

Assim, a capacidade de intuição, em conjunto com a capacidade de pensar, é responsável pela organização das informações dos sentidos e permite por meio da reflexão o surgimento do conhecimento humano. Podemos, portanto, questionar a respeito de nós mesmos; ou seja, porque nossa natureza é nascer criança e morrer velho?

Interessante mencionar, ainda, Martin Heidegger, que tratou de algo muito visível no personagem; a angústia. De acordo com esse outro pensador alemão, angústia é uma insegurança que sentimos da nossa própria existência perante o mundo, isolados de tudo; uma solidão, inclusive, perante a nossa condição humana, em que o futuro não oferece nenhuma forma de garantia.

Não importa se o tempo é uma ilusão ou uma intuição, que age no sentido de contribuir para a aquisição de conhecimento. Independente de nos envelhecer ou remoçar, em ambos os casos necessitamos nos submeter a uma experiência de vida, dentro de um período, com o objetivo (talvez) de adquirir conhecimento e consciência para nossa evolução.

Não estamos imunes ao mesmo fim
É curioso notar nossa insatisfação com relação ao tempo. Quando somos crianças, torcemos para ser rapidamente adultos. Ao avançarmos na idade adulta, queremos colocar um freio no tempo. Assim que nos aproximarmos da velhice, gostaríamos que nossa idade retrocedesse gradualmente, a ponto de nos tornarmos novamente jovens, conforme sugere o autor F. Scott Fitzgerald.

Ao refletirmos sobre o filme, percebemos que um eventual processo de inversão da idade, partindo da velhice, só alteraria a cronologia e aspectos das características físicas. Embora a maioria das pessoas se queixe do natural processo de envelhecimento, se o tempo caminhasse no sentido oposto, não estaríamos imunes ao nosso inevitável destino.

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
Um filme curioso, como mencionado no título, mas, acima de tudo, sensível, que nos convida a uma reflexão sobre a inevitável passagem do tempo e suas consequências. Destaque para as atuações de Brad Pitt e Cate Blanchett, além da bela ambientação de época.
O texto também foi publicado no site "Portal Raízes", e pode ser acessado através do link: http://www.portalraizes.com/8598-2/, ou pelo Facebook do "Portal": https://www.facebook.com/portalraizes/?fref=ts.
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quinta-feira, 13 de abril de 2017

UMA CITAÇÃO...

Liberdade e sensatez

“Se o cavalo tivesse conhecimento da sua força, seria tão louco que se sujeitasse ao jugo, como acontece? Mas, caso ele se tornasse sensato e se libertasse, então dir-se-ia que tinha enlouquecido.”

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AUTOR: August Strindberg
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COMENTÁRIO – Paulo Cesar Paschoalini:
August Strindberg nasceu em 22 de janeiro de 1849, em Estocolmo, e faleceu em 14 de maio de 1912, também na capital. Foi um escritor e dramaturgo sueco, um dos criadores do teatro expressionista. Sua primeira peça importante foi “Mestre Olof”, de 1872, um drama que trata da revolta contra convenções sociais e tipos de poder. Em 1879 escreveu “O quarto vermelho”, primeiro romance naturalista da literatura sueca. Outras de suas obras de destaque são “O Pai”, em 1887, e “Senhorita Júlia”, em 1899, quando vivia em diversos países da Europa.  Volta a viver na Suécia em 1897 e escreve de 1898 a 1904 as três partes da peça “Para Damasco”, precursora do teatro expressionista, que influenciou inúmeros dramaturgos alemães (FONTE: www.algosobre.com.br).
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domingo, 9 de abril de 2017

MINHA CITAÇÃO:

Animais

“Muita gente se surpreende ao ver pessoas tratarem certos animais da mesma forma como se trata um ser humano. No entanto, acha perfeitamente normal ver pessoas tratando outro ser humano como se fosse o pior dos animais.”

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
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sexta-feira, 7 de abril de 2017

UM TEXTO...

Nenhum animal é insatisfeito

Eu penso que poderia retornar e viver com animais,
tão plácidos e autocontidos;
eu paro e me ponho a observá-los longamente.
Eles não se exaurem e gemem sobre a sua condição;
eles não se deitam despertos no escuro
e choram pelos seus pecados;
eles não me deixam nauseado
discutindo o seu dever perante Deus.
Nenhum deles é insatisfeito,
nenhum enlouquecido pela mania de possuir coisas;
nenhum se ajoelha para o outro,
nem para os que viveram há milhares de anos;
nenhum deles é respeitável ou infeliz em todo o mundo.

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AUTOR: Walt Whitman
Extraído de “Song of Myself”
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COMENTÁRIO - Paulo Cesar Paschoalini:
Walt Whitman nasceu em 31 de maio de 1819, em Huntington, e faleceu em 31 de maio de 1892, em Camden. Esse poeta, ensaísta e jornalista estadunidense é considerado o “pai do verso livre”. Em 1855 publicou a primeira edição de “Leaves of Grass”, sua obra mais famosa, cujos versos eram livres e longos, imitando os ritmos da fala. Na primeira edição de sua obra mais importante, não mencionava o nome do autor, e continha apenas 12 poemas e um prefácio. Nas edições seguintes dedicou-se a rever e completar o livro, sendo que a oitava, e última, foi 1889. Estava preparando a nona edição para 1892, mas morreu no mesmo ano, sem conseguir esse intento.
Whitman tornou-se mais conhecido mundialmente pelas citações no enredo do filme "Sociedade dos Poetas Mortos", de 1989. Para se ter uma ideia de sua importância na literatura, Fernando Pessoa escreveu um poema de nome "Saudação a Walt Whitman", que "introduziu uma nova subjectividade na concepção poética e fez da sua poesia um hino à vida”. (FONTE: Wikpédia).
O texto desta postagem foi extraída do site www.citador.pt.
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domingo, 2 de abril de 2017

MINHA CITAÇÃO:

Imprensa

"Quem pensa que a imprensa é livre, de fato,
está fadado a ser escravo de versões e boatos."

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
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sexta-feira, 31 de março de 2017

MINHA CRÔNICA:

Big Brother Brasil: Mais do mesmo
Como vem acontecendo todos os anos, boa parte da mídia dirige seu arsenal para a edição do famigerado BBB (para muitos, Bobagem em dose tripla), alcançando altos índices de audiência, segundo a emissora. Não se pode negar que a propaganda é bem trabalhada e as chamadas geram expectativas. Mas o que faz do formato reallity show um sucesso? O que leva grande parte do público a fixar o olhar durante a exibição de programas dessa natureza?

O que se vê são diálogos inconsistentes, de pessoas vivendo uma falsa rotina, diante de olhares curiosos e ávidos por cenas mais íntimas, envolvendo participantes dotados de atributos físicos para atrair a atenção do telespectador. Aliás, o apelo estético é justamente o mais explorado, já que pouco se pode esperar dos candidatos no tocante ao nível intelectual.

Depois de algum tempo, o telespectador se vê revestido de poder suficiente para decidir o destino dos participantes, contrastando com a incapacidade de resolver a própria vida. Sente-se importante contribuindo para a escolha daquele que vai ganhar uma considerável soma em dinheiro no final de poucas semanas, mas não se empenha para mudar a sua condição de assalariado mal remunerado de todo mês.

Questiona-se quem dentre os participantes será eleito o mais simpático, bonito ou sexy, mas não acerca do rumo que está sendo traçado pela classe política. Não se dá conta de que o vencedor do BBB não mudará em nada a sua vida. Em contrapartida, pouco faz com relação aos representantes que escolheu para decidirem sobre assuntos como educação, segurança, e saúde. Aqueles que influem ainda na geração de empregos, ou definem condições para que o cidadão possa se aposentar com dignidade.

Sem poder interferir diretamente na estrutura televisiva, o telespectador não tem a consciência de que é capaz de influir na grade de programação das emissoras, simplesmente recusando-se a assistir certas atrações. Ao invés disso, acomoda-se em sua poltrona e sujeita-se ao papel de “voyeur” compulsivo em busca de cenas picantes, que possam dar algum tempero à vida insossa que a maioria costuma levar.

Muito embora os apresentadores sejam celebridades, que gozam de certo prestígio no meio artístico, curvam-se ao mesmo patamar de futilidades, optando por trilharem um caminho na contra mão do que se espera de um programa de qualidade, entregando-se à conveniente máxima do “pagando bem, que mal tem”.

Talvez esse tipo de programa represente o retrato fiel do que tem sido a TV brasileira. Uma fábrica de alienação coletiva capaz de ditar normas, comportamentos e costumes de acordo com inúmeros interesses. O telespectador submete-se à modismos da “telinha” e passa a se sentir “um poço de sabedoria” por assistir a determinados programas, ou por saber cada vez mais das novidades dos bastidores.

Quem vai ganhar? Todos os participantes sairão ganhando de alguma forma. Por não serem artistas, passarão a ocupar um considerável espaço na mídia. Alguns estamparão capas de revistas, dos mais variados gêneros, cujo conteúdo se assemelha ao nível do programa, conseguindo os tais “15 minutos de fama”, muitas vezes efêmera.

Quem sai perdendo? Não é difícil de responder. Novamente o público dedica o seu tempo assistindo a uma atração que “vai do nada para lugar nenhum”, sem acrescentar algo de relevante à sua vida.

Dessa maneira, na ânsia de conseguir índices de audiência a qualquer custo, as emissoras continuam apresentando cada vez “mais do mesmo”, recheado com a banalidade de sempre. E assim, enquanto a TV vai vendendo os seus produtos, o telespectador continua sendo um comprador de ilusões... Ou desilusões?

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TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: O Programa “Big Brother Brasil” está em sua 17ª edição, o “BBB 17”, e é apresentado pela Rede Globo. O texto acima reflete a minha visão particular com relação a essa atração diária, exibida durante boa parte dos primeiros meses de cada ano na televisão brasileira. Gostaria de ressaltar, no entanto, que respeito opiniões contrárias a essa apresentada, bem como o direito de cada um poder escolher e assistir àquilo que mais lhe convém.
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segunda-feira, 27 de março de 2017

MINHA CITAÇÃO:

Intuição...

"Intuição é flertar desinteressadamente com o impossível e se sentir extasiado ao alcançar o improvável."

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
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quinta-feira, 23 de março de 2017

MEU TEXTO:

A invasão silenciosa das palavras

Quando observamos a história, constamos que ela é escrita pela ótica dos conflitos entre povos, que desenharam a geopolítica existente, estabelecendo as fronteiras dos dias atuais. Toda vez que um povo era conquistado, o vencedor impunha a todo custo a cultura, religião e costumes, além do idioma.

Não é novidade que termos oriundos de outros países fazem parte do nosso linguajar. Muitos foram aportuguesados, sofrendo pequenas alterações para se adequarem ao idioma. Para ilustrar, do latim originaram palavras como estilo, item, lucro e ônibus; do árabe, açougue, açúcar, alfaiate, algodão, arroz e garrafa; do italiano, aquarela, banquete, boletim, camarim, maestro e tchau; do francês: abajur, dossiê, garçom, menu, e toalete. Mas têm mais.

A língua inglesa também se faz presente. O chamado “anglicismo” é a incorporação de termos em inglês, para designar objetos ou fenômenos novos ao nosso vocabulário. Mas alcançou enorme proporção após o advento da informática. Por exemplo: internet, Facebook, whatsapp, back-up, CD, display, download, e-book, e-mail, fake, hacker, interface, link, login, mouse, net, notebook, no-break, off-line, on-line, pixel, playlist, press, print, scanner, software, site, smartphone, spam, twitter, tablet, wi-fi e word, entre outros.

A princípio, somos levados a acreditar que o contato com palavras estrangeiras se dá somente quando estamos às voltas com o ambiente de estudos ou trabalho. Vejamos abaixo a descrição de um momento de lazer. As palavras estrangeiras, de várias origens, foram grafadas em destaque:

Depois de ir ao Shopping e pagar com meu CARD, passei pelo pedágio com minha pick-up, flex com airbag, recebi o ticket e saí para curtir o réveillon com a família. Não precisa ser expert para ver que o hotel era top, bem classificado no ranking do segmento, padrão Spa, ideal para um relax. Tratamento VIP, conforme o marketing que constava no outdoor (ou, billboard) do Resort.

Após o check-in, fizemos um tour, até a liberação do quarto. Era tipo standard, com um hall para acesso a dois ambientes, de layout muito agradável. Num deles, uma cama box, ladeada por um abat-jour de design moderno e um poster com cores em dégradé, no alto da parede. Ao lado, uma minicozinha com frigobar e cooktop com timer.

No período da tarde, peguei meu kit de fitness: tennis, short de nylon e camiseta de poliester, para atividade indoor. O monitor agia como um personal trainer, ajudando a melhorar minha performance. Em seguida, fui até uma piscina com ondas, parecendo praia de surf, com pessoas exibindo tattoo e piercing.

Para quem estava acostumado com sandwich de hamburger ou hotdog com katchup, do menu do trailer da esquina, ou um delivery do Disk-pizza, a comida do jantar era o must. O garçon serviu o couvert, com croissant e pâté. Bebidas free, já que era all inclusive, podendo abusar de drinks e cervejas long neck, ao invés de refrigerantes diet. Comidas no sistema self-service, com grill à vontade.

Durante o jantar, músicas light e em seguida um show com pot-pourri de ritmos country, pop e funk. No final da noite, flash night para quem gosta de rock, realçado pela qualidade de back vocal e luzes de neon, led e laser. As apresentações cover, com o look correspondente, foram o up da noite.

Após esse período fora do meu habitat, meu feeling me diz que esse upgrade foi essencial, antes de eu dar um feedback ao cardiologista, que me alertou sobre fazer um check-up, para ver se está tudo OK comigo. Espero que ele me receite um replay disso tudo.

Como podemos observar, são expressões que já fazem parte do nosso dia a dia. Para alguns linguistas, isso representa uma evolução. Há quem diga se tratar de uma invasão silenciosa das palavras, ou uma sutil colonização através de uma nova cultura. Eu costumo dizer, ironicamente, que a língua falada no Brasil sofreu tanta influência de termos estrangeiros, que até o livro de definição de suas palavras, o “Aurélio”, é “de Holanda”.

Temos que ficar online com as novidades, para não nos vermos off-line do mundo.
Thank you and goodbye.
The end.

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
Um texto baseado na crônica publicada no Jornal de Piracicaba, em 2002, com termos atualizado, novos ingredientes, e descrição de um cenário diferente àquele mencionado na época. Postado neste Blog em 21.03.2017.
O texto também foi publicado no site "Portal Raízes", e pode ser acessado através do link: http://www.portalraizes.com/invasao-silenciosa-das-palavras, ou pelo Facebook do "Portal": https://www.facebook.com/portalraizes/?fref=ts.
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quarta-feira, 22 de março de 2017

MINHA CITAÇÃO:

Língua pátria...

"A língua falada no Brasil sofreu tanta influência de termos estrangeiros, que até o livro de definição de suas palavras, o 'Aurélio', é 'de Holanda'."

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
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terça-feira, 21 de março de 2017

MINHA CRÔNICA:

Invasão estrangeira

Muito tem se falado sobre o uso exagerado de termos em inglês nos dias de hoje. Defensores ferrenhos da Língua portuguesa têm se manifestado contrários ao que podemos chamar de uma sutil invasão estrangeira, que tem americanizado até mesmo a nossa cultura popular, haja visto a onda country que tem influenciado a música, vestuário e costumes dos jovens, em boa parte do país.

Mas não é só o jovem que tem sofrido essa influência. Se pararmos para observar, muitas palavras do idioma inglês estão fazendo parte do nosso dia-a-dia e, sem que percebamos, já foram incorporadas ao nosso vocabulário quase que naturalmente. Se o leitor ainda não se deu conta desse anglicismo, basta acompanhar a narrativa do que pode ser a rotina de muita gente:

Você trabalha a semana inteira em frente de um computador e vive às voltas com software, hardware, e CD-ROM, tem que dar um tratamento VIP aos clientes e só para quando vai almoçar num self-service. O pouco de lazer que tem é o happy hour para tomar um drink com os amigos. Não vê a hora de chegar o fim de semana para ir a um flash night ou a algum show que tiver na cidade. Mas, antes você pega a sua pick-up, com insulfilm e air bag, e vai ao Shopping center passear com a família. Durante o passeio, você dá uma olhada no show room de várias lojas que têm outdoor espalhados pela cidade. Aí sua esposa resolve ir ao hipermercado comprar leite light e refrigerante diet para casa, shampoo para ela, CD para o filho, short e top de cor pink para a menina e uma calça jeans para você.

Para esses gastos o seus saldo bancário é o suficiente. No entanto, a mulher vê um freezer que ela gostaria de ter há algum tempo. Além do mais, gostaria que você levasse uma TV nova, stereo, com close caption ou picture and picture. Para você esses recursos não importam pois só usa o on e off da televisão. O menino quer um video game de presente e a garota um aparelho de CD que possua também um tape deck que seja auto reverse. Sua esposa quer levar um blazer que você vai vestir num casamento onde a maioria dos convidados estará usando black tie. Então, você convence a família que não dá para comprar tudo aquilo nem mesmo usando o seu CARD que, apesar de estar escrito international, o limite dá para comprar muito pouco dos produtos vendidos no Brasil.

Depois de algum tempo caminhando, é hora de parar num fast food, para comer alguma coisa. Seus filhos pedem hot dog e milk shake; sua esposa, um X-salada (na verdade cheese salada) e, para beber, um cocktail de frutas; você quer um X-egg bacon acompanhado de uma cerveja long neck. Na hora de pagar a conta, você utiliza alguns tickets que a empresa lhe paga junto com o salário mensal.

Toda essa vida agitada leva você a fazer um check-up periódico, para ver se não está a beira de um stress. Felizmente, quase sempre tudo OK.

Como é fácil notar, os termos em língua inglesa estão por toda parte. Com certeza, a maioria dos leitores conseguirá entender quase que a totalidade do texto, mesmo aqueles que nunca chegaram a ter aulas de inglês. A tendência natural é que, com a globalização, o uso desses termos estrangeiros aumentem cada vez mais. Segundo dados divulgados pela TV, cerca de 380 milhões de pessoas falam o inglês como língua nativa e, em todo o mundo, mais de 1 bilhão estão em processo de aprendizagem desse idioma derivado do anglo-saxão, devido ao seu uso universal.

Talvez não seja o caso de discutir se a introdução desses termos é prejudicial ou não à Língua portuguesa. A realidade é que a necessidade nos impulsiona na direção de novos conhecimentos. Segundo uma frase ouvida já há algum tempo, "o analfabeto do século XXI será aquele que não tiver curso de inglês e informática". Pois bem, o terceiro milênio já começou e temos que ter a consciência de que tudo caminha continuamente e aquele que ficar parado apenas observando tudo isso acontecer, sem acompanhar essas mudanças, será esmagado pelo rolo compressor da modernidade, que avança de maneira impetuosa.

O texto não tem a intenção de fazer qualquer propaganda de escolas de inglês ou informática. É apenas uma sugestão para que, de alguma forma, as pessoas busquem atualizar-se, já que isso não é uma questão de opção, mas sim de necessidade, ou até mesmo de sobrevivência.
The End.

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: Texto publicado no "Jornal de Piracicaba", quando atuei como colaborador nos anos de 2001, 2002 (época da publicação) e 2005. Agradecimento ao jornalista Joacir Cury, Editor do "JP" naquele período.
Podemos verificar que muitos termos em inglês, incorporados ao nosso vocabulário, já caíram em desuso, devido a velocidade de incorporação de novas palavras, oriundas de novas tecnologias.
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segunda-feira, 20 de março de 2017

MINHA CITAÇÃO:

Dividir o tempo...

"Querendo dividir o tempo?... Engano!
Na verdade, o tempo é quem fragmenta a nosso querer."

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
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quarta-feira, 8 de março de 2017

MINHA POESIA:

Mulheres de sempre 

Quantas mulheres de ontem,
que nunca souberam o que é amar.
Quantas mulheres de hoje,
conhecidas por saberem a arte de amar.

Ontem, quantas mulheres caladas;
hoje, quantas mulheres faladas.
Ontem, hoje e sempre...
quantas mulheres desejadas!

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO: Uma homenagem ao "Dia Internacional da Mulher", comemorado hoje, onde se deve exaltar a luta da mulher ao longo da história, buscando se sentir inserida numa sociedade preconceituosa e ainda machista. O poema foi publicado na página 20 do livro "Arcos e Frestas", uma das obras selecionadas no "3º Concurso Blocos de Poesia, da Editora Blocos, lançado em 2003. 
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domingo, 5 de março de 2017

MINHA CITAÇÃO:

Exceção

"A vida tem lá as suas regras,
mas cada um de nós se sente uma exceção."

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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COMENTÁRIO:
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

UM TEXTO...

Sobre apropriação cultural...

"O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão cuja planta se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China. Todos estes materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo.

Ao levantar da cama faz uso dos “mocassins” que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no quarto de banho cujos aparelhos são uma mistura de invenções européias e norte-americanas, mistas e outras recentes. Tira o pijama, que é vestiário inventado na Índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir dos sumerianos ou do antigo Egito.

Voltando ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu meridional e veste-se. As peças de seu vestuário têm a forma das vestes de pele originais dos nômades das estepes asiáticas; seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra ao pescoço é sobrevivência dos xalés usados aos ombros pelos croatas do século XVII.

Antes de ir tomar o seu breakfast, ele olha a rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e, se estiver chovendo, calça galochas de borracha descoberta pelos índios da América Central e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas.

De caminho para o breakfast, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu breakfast com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abissínia, com nata e açúcar. A domesticação do gado bovino e a ideia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia.

Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria-prima o trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. Rega-se com xarope de maple, inventado pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos. Como prato adicional talvez coma o ovo de uma espécie de ave domesticada na Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no Norte da Europa.

Acabando de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha.

Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador, agradecerá a uma divindade hebraica, numa língua indo-européia, o fato de ser cem por cento americano."

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TEXTO: Ralph Linton
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COMENTÁRIO – Paulo Cesar Paschoalini:
Trecho extraído do livro “Cultura: um conceito antropológico”, de Roque Laraia, que menciona um texto que o antropólogo Ralph Linton escreveu em 1937, sobre o começo do dia do homem americano, numa época em que o povo estadunidense vivia um grande progresso material, achando que isso seria exclusivamente resultado do seu esforço, julgando-se o povo mais desenvolvido do mundo. Boa parte desse texto também foi publicada na página 29 da "Gazeta de Piracicaba", edição 3249, em 18.02.2017 (FONTE: https://blogdojoao.wordpress.com/2008/10/20/o-cidadao-norte-americano).
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