Paulo Cesar Paschoalini

Paulo Cesar Paschoalini
Pirafraseando

Translate

Mostrando postagens com marcador imprensa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador imprensa. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

MINHA CRÔNICA:

Fábrica de heróis


A mídia costuma colocar em evidência pessoas e seus grandes feitos, mas às vezes exagera! É comum nos depararmos com capas de revistas ou manchetes de jornais, dando ênfase a essa ou aquela figura de destaque. Um fato marcante para mim foi a capa da “Veja”, conhecida revista semanal, quando numa das edições de agosto de 2010 (portanto, já faz tempo) trouxe uma foto do nadador brasileiro César Cielo, com a seguinte manchete: “Enfim, um herói”. Sem dúvida uma justa homenagem a esse atleta. No entanto, o que me chamou a atenção foi o termo “herói”. Mas, afinal, necessitamos realmente de heróis?

Eu sempre tive comigo que “herói” é aquele sujeito capaz de colocar a própria vida em risco, para salvar alguém ou algo de muita relevância, muito próximo ao mencionado no dicionário Aurélio: “Homem extraordinário por seus feitos guerreiros, seu valor ou sua magnanimidade”. É claro que tem expressivo valor o fato de Cielo ter batido recorde e conquistado duas medalhas de ouro no Mundial da modalidade, realizado em Roma. Por esse feito extraordinário, eu diria que ele é o mais novo ídolo do esporte brasileiro. Porém, seria isso um ato de heroísmo?

Não sei se rotular alguém de herói é imposição da mídia ou necessidade da sociedade. Curiosamente, a imprensa tem usado o “herói” sempre vinculado a uma figura do esporte. Como exemplos, a crônica esportiva se esbaldou em chamar a seleção de 1970, com Pelé & Cia., de “Heróis do Tri”. Depois, recordo que o termo foi amplamente associado à figura de Ayrton Senna, tanto durante sua brilhante trajetória automobilística, como, principalmente, depois de seu falecimento, em maio de 1994. Meses depois a mídia já tratou de cultuar a figura de Romário como novo “herói”, em razão da conquista do tetracampeonato na Copa do Mundo daquele mesmo ano.

Por sua vez, assim que o “Baixinho” começou a sair de cena, inclusive pela dificuldade um driblar polêmicas fora dos gramados, eis que surge em 1997 o tenista Gustavo Kuerten, que conquistou pela primeira vez o título de Roland Garros, um torneio do chamado Grand Slan, que seria a “nata” do tênis mundial. A repetição da conquista por mais duas vezes e o carisma de Guga colocaram-no como “herói” por algum tempo, até que o “cargo ficou vago” à espera de um novo sucessor.

Aí, então, chegou César Cielo. Convém lembrar que, a cada interlúdio, dava-se destaque aos “heróis” de algumas das diferentes gerações do vôlei. Depois de o Brasil sagrar-se campeão da Copa do Mundo de 2002, foi a vez de Ronaldo Fenômeno e, recentemente em 2016, nos Jogos Olímpicos no Brasil, Neymar tornou-se o grande herói, devido a conquista inédita da medalha de ouro no futebol.

Entendo que o uso estaria inadequado, quase que banalizando um termo tão nobre. Entretanto, a vulgarização da palavra “herói” alcançou seu ápice quando participantes dos inúmeros BBB eram chamados de “meus heróis!”. Salvo nesse caso, não me recordo de ter ouvido o termo “herói” em qualquer outro segmento que não o esportivo. Mas será que heróis são somente aqueles que praticam esporte? Não existiria outro caminho para atos de heroísmo? O ideal não seria classificá-los como “ídolos”, o que, certamente, já seria uma grande deferência a atletas de renome?

A meu ver, heróis são aqueles anônimos, que diuturnamente se dedicam e se arriscam para melhorar ou salvar a vida de outro ser humano. Destaque para os profissionais da área de saúde, que atendem pessoas com doenças infectocontagiosas, por exemplo. Também os bombeiros, que frequentemente arriscam suas vidas, ou policiais, que, armados de um simples 38, enfrentam marginais munidos de armas de alto calibre. Convém lembrar que os meios de comunicação dão muito mais destaque para fatos envolvendo policiais corruptos, que para aqueles feridos ou mortos no cumprimento do dever.

Além desse, podemos também incluir os professores, com a sua vocação de salvar a sociedade da ignorância. Enfim, temos, principalmente, o cidadão comum, que arregaça as mangas toda vez que uma catástrofe natural se abate sobre determinadas regiões do país. Ou, ainda, os mais diversos trabalhos voluntários praticados por abnegados no Brasil e no mundo afora.

Para a maioria, as palavras “heróis” e “ídolos” se confundem. Existem algumas diferenças que entendo como significativas e relevantes. O ídolo é aquele sujeito que treina exaustivamente para aprimorar os dons que a natureza lhe deu, seja no esporte ou nas mais diversas expressões artísticas, algo que merece destaque na imprensa quando bem sucedido. Já o ato de heroísmo é aquele quase sempre praticado por alguém do povo, que decide agir com bravura numa fração de segundos. Na maioria das vezes é movido por gestos de humanidade, mesmo sem se dar conta do perigo a que está se submetendo.

É curioso notar que um ídolo normalmente é elevado à condição de herói e mantém seu lugar no “Olimpo” até quando perdure o interesse da mídia. Durante esse período, tem a oportunidade de engordar a sua conta bancária e ocupar as principais manchetes. Quando morre, é reverenciado pelos órgãos de comunicação e sua perda é lamentada por outros que, na maioria das vezes, também já se beneficiaram de exposições nessa oportunidade.

Já o cidadão comum, quando comete um verdadeiro ato de heroísmo, nunca alcança a condição de ídolo, sendo condenado ao ostracismo. Seu padrão de vida será o mesmo de sempre e o interesse dos jornais e revistas, quando acontece, é de umas poucas linhas no rodapé de uma coluna qualquer, mantendo-se para sempre no anonimato, até que a morte o leve daqui, sem que tenha recebido o merecido reconhecimento.

Por falar em termos usados pela imprensa, eu destacaria um outro, em particular, largamente publicado: “Congresso”. Em muitos casos, sempre associou-se o termo “Congresso” a eventos científicos mundo afora, como Congresso Latino-Americano, ou Mundial, por exemplo. Pessoas merecedoras de imensa admiração e respeito reconhecido. Hoje o termo está tão desgastado que os pesquisadores e cientistas chamam tais eventos de Simpósios ou Conferências, talvez por não carregarem o rótulo pejorativo de “congressistas”.

Aí o leitor poderia perguntar: o que tem a ver “ídolo” e “herói” com “congresso”? De fato, rigorosamente nada (talvez). No Congresso Nacional, em Brasília, não temos nenhum ídolo, muito embora na reeleição de muitos deles fique caracterizada certa idolatria de parte do eleitorado. Herói, com certeza, nenhum deles é. Pelo contrário, a maioria está mais para “anti-heróis”, ou porque não dizer, “vilões”.

A única relação entre o início e o final desse texto é que agora eu chego a conclusão de que realmente estamos precisando de herói... Mas herói de verdade! Aliás, super-herói! Se bem que eu creio que apenas UM não conseguiria dar conta de tantos inimigos do povo. O melhor seria que tivéssemos muitos super-heróis, já que o que mais temos ouvido ultimamente é que existe no cenário político “dessa gente” tantas denúncias, que chegam até a “sair pelo ladrão”.

Ladrão???... Opa!!!...

---------------------------------------
TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
--------------------------------------- 
COMENTÁRIO: O texto foi publicado na "Revista Vicejar", em 09.11.2018, onde o autor é colaborador, sendo que seus textos são publicados regularmente. Para ler mais acesse:
LINK DA REVISTA:
LINK DO TEXTO:
http://revistavicejar.blogspot.com/2018/11/fabrica-de-herois_20.html.
______________________________________

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

MINHA CITAÇÃO:

Imprensa

"Quem pensa que a imprensa é livre, de fato,
está fadado a ser escravo de versões e boatos"

-----------------------------------------
AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
-----------------------------------------

Acesse o site "Pensador.uol.com.br" e encontre outros textos e frases:
Depois, aproveite para curtir e/ou compartilhar nas Redes Sociais. Também fica o convite para acessar a página do:
INSTAGRAM: https://www.instagram.com/pirafraseando/;
FACEBOOK: https://www.facebook.com/Paulo.cesar.paschoalini.Pirafraseando.
PINTEREST: https://br.pinterest.com/paulocesarpaschoalini/frases-minha-autoria/;
RECANTO DAS LETRAS: https://www.recantodasletras.com.br/autores/pirafraseando.
____________________________________

domingo, 2 de abril de 2017

MINHA CITAÇÃO:

Imprensa

"Quem pensa que a imprensa é livre, de fato,
está fadado a ser escravo de versões e boatos."

---------------------------------------
AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
---------------------------------------
COMENTÁRIO:
Acesse o site "Pensador.uol.com.br" e encontre outras frases do autor no link: http://pensador.uol.com.br/autor/paulo_cesar_paschoalini.

Depois, aproveite para curtir e/ou compartilhar algumas delas nas Redes Sociais. Também fica o convite para acessar a página do Facebook: https://www.facebook.com/Paulo.cesar.paschoalini.Pirafraseando.
______________________________________

domingo, 4 de setembro de 2016

MINHA CITAÇÃO:

Imprensa

"Quem pensa que a imprensa
é livre, de fato,
está fadado a ser escravo
de versões e boatos."

-----------------------------------------
AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
-----------------------------------------
COMENTÁRIO:
Acesse o site "Pensador.uol.com.br" e encontre outras frases do autor no link: http://pensador.uol.com.br/autor/paulo_cesar_paschoalini.
Depois, aproveite para curtir e/ou compartilhar algumas delas nas Redes Sociais. Também fica o convite para acessar a página do Facebook: https://www.facebook.com/Paulo.cesar.paschoalini.Pirafraseando.
______________________________________

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

MINHA CRÔNICA:

A conta vai ficar salgada...

Antes do surgimento da moeda, o pagamento pela execução de um trabalho era feito com mercadorias, como animais abatidos, sal e peles. A palavra salário derivou de pequenas porções de sal destinadas ao pagamento dos soldados na Roma antiga, pois descobriu-se que esse mineral ajudava na cicatrização, além de conservar e dar sabor à comida. Os romanos consideravam o sal uma dádiva de Salus, a deusa da saúde e, portanto, um alimento divino.

Sendo assim, tempos depois convencionou-se que o pagamento de salário aos trabalhadores seria por períodos semanais, totalizando anualmente 52 semanas, ou 13 períodos de quatro semanas. Como em alguns lugares a remuneração era feita mensalmente, devido aos 12 meses do ano, foi criado o chamado “13º salário”, como forma de compensação dessas quatro semanas trabalhadas e não efetivamente remuneradas pelo empregador.

Dessa forma, muitos empresários se aproveitaram da falta de informação da esmagadora maioria dos trabalhadores e sempre “venderam” (eles são mito bons nisso) a ideia de que o pagamento do 13º salário seria quase “um ato de caridade” do segmento patronal. Vale destacar que não se trata de uma opinião pessoal, mas de dados baseados em acontecimentos históricos incontestáveis.

Reforçando como “generosidade” dos detentores do poder econômico, órgãos de imprensa agora disseminam levianamente a tese de que o pagamento de 13 meses efetivamente trabalhados poderia, pasmem, “onerar e elevar os custos”, o que impactaria, assim, no preço final do produto. Ao invés de informar, a grande mídia atualmente está mais preocupada em deformar, ou “formar a opinião pública”, e para tanto não recebe simplesmente pequenas porções de sal, como outrora, mas considerável compensação financeira de empresas patrocinadoras, capaz de dar "mais sabor" aos interesses das grandes corporações.

Convém ressaltar que o valor destinado aos pagamentos de empregados não é a único fator a ser considerado para o cálculo do custo final de produção. Aliás, em muitos casos não representa uma porção tão significativa, como sempre se pretende fazer acreditar. E dentro dos valores que transitam pela Folha de Pagamento, esse “um treze avos” representa uma fração ínfima dentro do montante movimentado pelas empresas.

Além do mais, estudos revelam que, dentre os motivos que levam empresas à falência, os principais são: confusão de gastos particulares com gastos da empresa, investimento errado, ausência de controle, inexperiência e retiradas efetuadas pelos sócios muito superiores à realidade da empresa. Em nenhuma estatística (repito, NENHUMA) a falência se deve ao quesito Pagamento de Salários. Esses estudos foram feitas por diversas entidades e são facilmente encontrados no Google, nas mais diferentes fontes.

Portanto, os empresários não são “senhores da benemerência” quando geram empregos e nem são “vítimas do mercado” por eventuais falências, fato fácil de ser constatado pelos dados decorrentes de pesquisas. Embora as micro e pequenas empresas também passem por momentos delicados, curiosamente, em muitos casos quando a Pessoa Jurídica quebra, independente do porte, os sócios nem sempre ficam entregues à própria sorte, diferentemente com o que sempre acontece com os trabalhadores quando são demitidos.

Os avanços trabalhistas que existem atualmente são resultado de conquistas que atravessaram séculos e foram fruto não somente de muito suor, mas, literalmente, muito sangue. Inúmeras mortes ocorreram na busca de dignidade. Muitos homens foram assassinados em confrontos trabalhistas, mulheres morreram queimadas em nome da igualdade, e menores, entre outros desfavorecidos, também sofreram violência na busca de um mínimo de humanidade.

Assim, ao invés do recebimento de 13 salários por 13 semanas trabalhadas, algo matematicamente fácil de se comprovar, grupos de políticos, que sempre estiveram a serviço do poder reinante, agora insistem na ideia de que os trabalhadores brasileiros devem trabalhar 13 períodos semanais por ano, mas serem remunerado por apenas 12 deles. Sem dúvida, um brutal retrocesso, que nos remete ao período de regime escravocrata.

Em mais de 40 anos no mercado de trabalho, desconheço qualquer empresa que fechou as portas exclusivamente em razão da Folha de Pagamento, justamente o primeiro item a ser afetado por gestão incompetente. Fica, ainda, o desafio para que alguém aponte uma única empresa que foi à falência por efetuar regularmente o pagamento do décimo terceiro salário. Mais uma vez, não é opinião; é estatística. No entanto, não vai parar por aí o fim de direitos conquistados.

Outra questão relevante é que a arrecadação de tributos também recai sobre os 13 salários. Sendo assim, para que se mantenha o nível de arrecadação atual, que dizem ser insuficiente, será necessário aumentar os impostos incidentes sobre os somente 12 salários a serem pagos. No caso de um “necessário” aumento de arrecadação, conforme fazem questão de alardear, mais impostos incidirão sobre menos salários. Matemática pura.

Mas existem detalhes que a imprensa omite e, por silenciar, faz de conta que não existem. Muito embora a mídia tendenciosa tenha focado de maneira uníssona na questão da corrupção (e ela não é de agora não) como sendo a única vilã pelas dívidas dos governos federal, estaduais e municipais, a verdade é que a parte maior do rombo se deve a empresas que sonegam impostos, fato esse que o assalariado não consegue fazer, uma vez que tudo é descontado dele já no próprio contra cheque.

Além da sonegação, uma parte significativa das empresas simplesmente não paga. E pronto, fica por isso mesmo. Simplesmente assim. Para se ter uma ideia, o valor que deve um único empresário é maior do que a dívida dos estados da Bahia e de Pernambuco (Revista Exame). Sim, o empresário Laodse de Abreu Duarte deve, acreditem, R$ 6,9 bilhões e é diretor da FIESP, não por acaso, entidade que pressiona pelo fim do décimo terceiro salário, entre outros direitos trabalhistas. Mas a imprensa habilmente se cala, para não ferir a sua “galinha dos ovos de ouro”. Não se preocupem, ninguém vai às ruas por esse “motivo insignificante”, não é mesmo?

Não somente Associações de Empresas muito bem organizadas, também determinados grupos políticos, já conhecidos “de outros carnavais”, prometem que estão agindo em nome do “bem geral da nação”. Isso nos remete a uma frase do escritor francês Antoine Rivarol, do século XVIII: “Quando um malvado faz o bem, pode-se julgar por tal esforço todo o mal que está preparando”. Ou, ainda, a outro escritor, o português Pedro Chagas Freitas: “O mais cego não é o que não vê; nem sequer é o que não quer ver. O mais cego é o que só vê”.

Para usar uma palavra que ainda está em voga no momento, as pessoas só se darão conta do que vem por aí quando notarem que foram “golpeadas” no bolso, pelo mesmo grupo de políticos que, “coincidentemente”, criou o tal “Fator Previdenciário” e transformou valores decorrentes de direito adquirido” em míseras migalhas (também chamadas de “benefício”), depois de uma vida inteira de contribuição. Aí dirão, por certo, que foram traídos. Traídos, não! Apenas continuam a sua sina de se manterem sempre distraídos.   

Engana-se quem pensa que os movimentos populares, consentidos nos últimos anos, serão tolerados quando motivados por eventuais lutas na recuperação de uma série de direitos, prestes a serem retirados. O chamado “canto das ruas” será substituído pela sinfonia de cassetetes, em dó maior (mas sem dó), que dirão ser “para manter a ordem pública”.

Concederam ao povo desavisado o status de “protagonista de mudanças”, mas novamente ele não se deu conta de que não passou de “massa de manobra”, a serviço dos interesses de sempre. Foram utilizados como uma espécie de marionetes pelo poder econômico. O cenário atual é somente o prenúncio da tempestade que se avizinha. E vem com um volume de água capaz de consumir o pouco de “sal” que ainda resta.

----------------------------------------- 
TEXTO: Paulo Cesar Paschoalini
----------------------------------------- 
COMENTÁRIO: A imagem, muito pertinente ao assunto abordado, é de um cartum publicado no site (ou blog) português “aventar.eu”, que ilustra o texto intitulado “Sim miserável, a culpa é tua”, indicado na página como sendo de autoria de João Mendes, publicado em 05/02/2016, e que pode ser acessado pelo link: https://aventar.eu/2016/02/05/sim-miseravel-a-culpa-e-tua/#more-1246046. Porém, não é mencionado de quem é a ilustração.
______________________________________

quinta-feira, 23 de junho de 2016

UMA CITAÇÃO...

Imprensa

"Vivemos numa época de escancarado adestramento. Um folhetim semanal qualquer ordena que 'veja' e, então, as pessoas veem e saem falando e agindo exatamente segundo o roteiro ali publicado, sem qualquer questionamento ou reflexão mais apurada. Sugiro, então, o lançamento da Revista 'PENSE'. Quem sabe, assim, as pessoas sintam-se estimuladas a pensar, nem que seja somente um pouquinho."

-----------------------------
AUTOR: Desconhecido
-----------------------------
COMENTÁRIO - Paulo Cesar Paschoalini:
Recebi esta frase, via e-mail, no segundo semestre de 2015 e achei a citação interessante e curiosa. Por ser de autor desconhecido, eu procurei alguma referência sobre eventual autoria da mesma, mas não consegui, até então. Passados alguns meses, por entender que se trata de algo muito atual, eu resolvi publicar aqui no blog. Para se ter uma ideia sobre o poder da imprensa no Brasil, em março de 2015 a Revista "Veja", da Editora Abril, trouxe na capa o deputado Eduardo Cunha e uma matéria sobre ele, entre outras coisas, enaltecendo a sua figura. Apesar de estar a "poucos cliques" de informações sobre qualquer pessoa pública, algum tempo depois, as pessoas que saíram em manifestações dizendo ser "contra a corrupção", carregavam faixas com a inscrição "Somos todos Cunha". Pouco mais de um ano da reportagem mencionada, surgiram inúmeras denúncias de crimes cometidos por Eduardo Cunha. Contra ele, pesam fortes indícios (ou provas) de corrupção e, apesar disso, o povo mantém-se recolhido, como que a espera das "novas ordens midiáticas", o que nos faz deduzir que a população somente age quando estimulada, ou devidamente manipulada pelos interesses dos órgãos de imprensa. Isso nos leva a questionar se a "Veja" estava mal informada no ano passado, quando fez a reportagem sobre esse político, o que coloca em xeque a sua competência e credibilidade, ou se estava mal intencionada, o que põe em dúvida a sua isenção e imparcialidade. De qualquer forma, a infeliz reportagem só reforça a tese, defendida por muitos, de que trata-se de uma revista reconhecidamente tendenciosa. A imagem escolhida retrata a maneira de como a mídia, em todos os seus segmentos, exerce influência sobre aqueles que a ela se submetem passivamente. Esse cartum (suponho que seja) eu encontrei estampado em duas publicações: blogln.ning.com e cenadois.blogspot.com.br. Porém, em nenhum dos casos foi citada a autoria.
_____________________________________  

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

MINHA CRÔNICA:


Fábrica de heróis

A revista “Veja”, da Editora Abril, em uma das edições de agosto de 2009 trouxe em sua capa uma foto do nadador brasileiro César Cielo, com a seguinte manchete: “Enfim, um herói”. Sem dúvida uma justa homenagem a esse atleta nascido em Santa Bárbara D’Oeste, estado de São Paulo, que fica coladinha com Piracicaba, cerca de 30 km. O que chamou a atenção, no entanto, foi o termo “herói”, que eu me perguntei se seria o mais adequado. Afinal, necessitamos realmente de heróis?

Ao longo de minha vida, tinha aqui comigo que “herói” é aquele sujeito capaz de colocar a própria vida em risco para salvar alguém ou algo de relevância para a comunidade onde vive, que é mais ou menos próximo a uma das definições do Dicionário Aurélio: “Homem extraordinário por seus feitos guerreiros, seu valor ou sua magnanimidade”.

O termo “herói” muitas vezes pode ser utilizado no contexto de “salvador”, ou, mais precisamente, o desejo latente e a necessidade urgente de se ter um “salvador da pátria”, que possa nos redimir de tantos absurdos. Isso nos remete à uma frase de Millôr Fernandes: “Um país que precisa de um salvador, não merece ser salvo”.

É claro que tem expressivo valor o fato de ter batido o recorde mundial de natação e a conquista de duas medalhas de ouro no Mundial da modalidade realizado em Roma. Por esse feito extraordinário eu diria que ele é o mais novo ídolo do esporte brasileiro, mas seria realmente isso um ato de heroísmo?


Não sei ao certo se rotular alguém de herói é uma imposição da mídia ou uma necessidade da sociedade. Curiosamente, a mídia tem usado o “herói” sempre vinculado a uma figura do esporte.

Como exemplo, lembro-me muito vagamente que a crônica esportiva se esbaldou em chamar a seleção de 1970, de Pelé & Cia. de “Heróis do Tri”. Depois disso, recordo que o termo foi amplamente associado à figura de Ayrton Senna, tanto durante sua brilhante trajetória automobilística, como, principalmente, depois de seu falecimento, em maio de 1994. Com a morte desse piloto, meses depois a mídia já tratou de cultuar a figura de Romário como novo “herói”, em razão da conquista do tetracampeonato na Copa do Mundo daquele mesmo ano.

Assim que o “Baixinho” começou a sair de cena, devido às dificuldade um driblar polêmicas fora dos gramados, eis que surge em 1997 o tenista Gustavo Kuerten, que conquistou pela primeira vez o título de Roland Garros, um torneio do chamado Grand Slan, que seria a “nata” do tênis mundial. A repetição da conquista por mais duas vezes e o carisma de Guga colocaram-no como “herói” por muito tempo, até que o “cargo” ficou vago a espera de mais um sucessor. Depois da Copa de 2002, foi a vez de Ronaldo 
“Fenômeno”. Aí chegou César Cielo, mencionado no início dessa crônica. Convém lembrar que a cada interlúdio era a vez de dar destaque aos “heróis” de algumas das diferentes gerações do vôlei.

Entendo que o uso estaria inadequado, quase que banalizando um termo tão nobre. Entretanto, a vulgarização da palavra “herói” alcançou seu ápice quando Pedro Bial, que em certas ocasiões se comporta como um ex-jornalista travestido de apresentador barato de Reallity Show, passou a se referir aos participantes dos inúmeros Big Brothers como “meus heróis”.

Salvo esse caso, não me recordo de ter visto ou ouvido o termo “herói” ser usado com ênfase em qualquer outro segmento que não o esportivo. É inevitável uma indagação: será que heróis são somente aqueles que praticam esporte? Não existiria outro caminho para atos de heroísmo? O ideal não seria classificá-los como “ídolos”, o que, certamente, já seria uma grande deferência a atletas de renome?

A meu ver, heróis são aquelas pessoas anônimas, que diuturnamente dedicam, ou mesmo arriscam a sua vida para melhorar ou até salvar a vida de outro ser humano. Eu destacaria primeiramente o pessoal da área médica, que atende pessoas com doenças infecto-contagiosas, por exemplo. Também os bombeiros, que arriscam a vida em ocorrências que requerem sua presença. Ainda, policiais, que armados de um simples 38, enfrentam marginais munidos de “bazuca”. Vale destacar que a mídia dá muito mais destaque para fatos envolvendo policiais corruptos do que para aqueles que se ferem ou morrem no cumprimento do dever e que, diga-se de passagem, são muito mais do que imaginamos.

Além desses, temos ainda o cidadão comum que arregaça as mangas toda vez que uma catástrofe natural se abate sobre uma determinada região do país, assim como aconteceu alguma vezes em Santa Catarina. Ou, ainda, os mais diversos trabalhos voluntários praticados por abnegados Brasil afora.

Para a maioria das pessoas, as palavras “heróis” e “ídolos” se confundem. Existem algumas diferenças que para muitos pode ser mínima, mas que vejo como sendo significativas e relevantes: o ídolo é aquele sujeito que treina exaustivamente para aprimorar os dons que a natureza lhe deu, seja no esporte ou nas mais diversas expressões artísticas. Isso é de fato algo grandioso, que merece destaque na imprensa quando bem sucedido.


Já o ato de heroísmo é aquele quase sempre praticado por alguém do povo, que decide agir movido pela bravura, numa fração de segundos. É quase sempre movido por gestos de humanidade, mesmo sem se dar conta do risco a que está se submetendo.

É curioso notar que um ídolo normalmente é elevado a condição de herói e mantém seu lugar no “Olimpo” até quando perdure o interesse da mídia. Durante esse período, tem a oportunidade de engordar a sua conta bancária e ocupar as principais manchetes. Quando morre, é reverenciado pelos órgãos de comunicação e sua perda é lamentada por outras pessoas que, na maioria das vezes, também já se beneficiaram de exposições na imprensa.

Já o cidadão comum, quando comete um verdadeiro ato de heroísmo, nunca alcança a condição de ídolo, sendo condenado ao ostracismo. Seu padrão de vida será o mesmo de sempre e o interesse dos jornais e revistas, quando acontece, é de umas poucas linhas no rodapé de uma coluna qualquer, mantendo-se para sempre no anonimato, até que a morte o leve daqui, sem que tenha recebido o merecido reconhecimento.

Para finalizar, por falar em termos usados pela imprensa, eu destacaria um outro, que tem sido largamente publicado: “Congresso”. Hoje em dia por causa dos senadores, outrora por mazelas de deputados. Lembro-me que quando adolescente era guarda-mirim no CENA - Centro de Energia Nuclear na Agricultura, em Piracicaba-SP, trabalhando como uma espécie de “office boy”. Uma das minhas funções era entregar correspondências aos pesquisadores, nos diversos departamentos. Era comum ver cartas do exterior relativas aos mais variados tipos eventos. Congresso Latino-Americano, Congresso Ibero-Americano, Congresso disso, Congresso daquilo... Eu sentia imensa admiração e respeito por aqueles “congressistas”.

Hoje o termo está tão desgastado, porque não dizer deteriorado, que, pelo jeito, os pesquisadores e cientistas resolveram optar por chamar tais eventos de Seminários, Simpósios ou Conferências, talvez por não carregarem o rótulo pejorativo de “congressistas”. Aí você perguntaria: o que tem a ver “ídolo” e “herói” com “Congresso”?

De fato, rigorosamente nada. No Congresso Nacional não temos nenhum ídolo, muito embora na reeleição de muitos deles fique caracterizada uma certa idolatria de parte do eleitorado. Heróis, com certeza nenhum deles é. Pelo contrário, a maioria está mais para “anti-heróis”, ou porque não dizer, “vilões”.


Eu poderia dizer que a única relação entre o início e o final do texto, é que agora eu chego a conclusão de que realmente estamos precisando de heróis... Mas heróis de verdade... Aliás, super-herói... Creio que apenas um não conseguiria dar conta de tantos inimigos do povo. O melhor seria que tivéssemos muitos super-heróis, já que o que mais temos ouvido ultimamente é que existem maracutaias de congressistas “saindo pelo ladrão”.

Ladrão???... Opa!!!

---------------------------------------
AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini

---------------------------------------
COMENTÁRIO:
Este texto está disponível na intranet do Banco do Brasil S/A - Acesse Sua Área - Cadernos - Palavras Cruzadas, publicado pela VITEC-Brasília em 10/09/2009 e acessível para mais de 100.000 funcionários.
Muito embora tenha sido publicada em 2009, entendo que o conteúdo é pertinente, já que estamos em plena época de eleições, onde muitos tendem a buscar por "heróis" nessas ocasiões.
______________________________________