Paulo Cesar Paschoalini

Paulo Cesar Paschoalini
Pirafraseando

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quinta-feira, 21 de abril de 2011

MEU CLICK:


Fogo no céu

Fotografia tirada durante o Festival de Balões de 2004, realizado na cidade de Piracicaba, estado de São Paulo, Brasil.
Foto denominada "Fogo no céu" e disponível no site de Portugal:
http://olhares.com/.

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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DADOS TÉCNICOS: Câmera digital Sony, modelo DSC-92, exposição 10/400, abertura f/5.6, ISO 100.
Galeria acessível através do link:
http://br.olhares.com/paulopira.
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sexta-feira, 25 de março de 2011

MINHA CRÔNICA:

Uma web menos anônima

Por natureza, o ser humano sempre foi um ser social. A necessidade da convivência em sociedade permitiu a sua sobrevivência, através da proteção mútua, e permitiu a sua evolução, graças principalmente ao autoquestionamento e a constante troca de experiências.

A evolução que se processou ao longo da história foi extraordinária e os meios empregados com essa finalidade foram as mais variadas possíveis, cada qual guardando relação com o momento vivido na cadeia evolutiva. A chamada tecnologia permitiu que o ser humano alcançasse tamanho desenvolvimento, que culminou com a criação da internet. Aquilo que no começo parecia ser apenas uma fundamental ferramenta para pesquisas, acabou por tornar-se uma fonte inesgotável de banalidades.

De acordo com Sigmund Freud, “tudo em nós emana de dois motivos: o desejo sexual e o desejo de ser grande”, ou importante. Assim, de posse desse manancial de possibilidades de relacionamentos virtuais, o ser humano tem feito uso dessa tecnologia para dar vazão a esses dois aspectos freudianos. Em razão de o mundo atual nos cobrar constantemente a tal necessidade de nos diferenciar dos demais, o cidadão comum se entregou a chamada superexposição não só de suas qualidades, como também de sua intimidade.

Dessa forma, ao invés de acessos à feitos grandiosos de personagens históricos do passado ou contemporâneos, o que vemos é a profusão de informações particulares nas chamadas redes sociais, que vão “do nada para lugar nenhum”. Ao invés de se focar em notáveis, o que vemos é um excesso de notoriedade.

Com base nas mais variadas informações pessoais, a chamada vasta rede mundial foi criando mecanismos para chegar cada vez mais fácil ao internauta. As trocas de mensagens via e-mail deixaram de ser uma prática consentida entre o emissor e o destinatário para tornarem-se uma ferramenta de publicidade em massa. Quem de nós nunca recebeu um “span”?

Entretanto, talvez o mais preocupante atualmente são os chamados “cookies”, uma espécie de pequenos arquivos que servem para registrar a preferência e os acessos do internauta enquanto navega. Sendo assim, quer seja de maneira consentida ou por rastreamento, o fato é que todos nós que utilizamos a internet deixamos de ser um anônimo passamos a ser vítimas de invasão de nossa privacidade.

Ao analisarmos esses fatos mencionados, fica impossível não nos preocuparmos com tudo isso. E, baseado no início do texto, que destaca o desenvolvimento humano, cabe um inevitável questionamento: seria a falta de anonimato um elemento de evolução social?
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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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sábado, 22 de janeiro de 2011

MEU CLICK:

Chuva de perfume

Sempre gostei muito de fotografia. Certa vez, li uma frase, não me lembro o autor, que dizia que o "fotógrafo é um poeta que escreve com a luz". Isso para mim é uma verdade incontestável. Entendo que ambas se completam e que a poesia pode ser expressada das mais variadas formas. Por intermédio de minha sobrinha Juliana Arthuso, também fotógrafa amadora, tomei conhecimento do site de Portugal http://olhares.com, que publica obras de fotógrafos amadores. Sendo assim, enviei a foto ao lado com o título "chuva de perfume", que foi publicada no dia 20.01.2011.

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
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DADOS TÉCNICOS: Câmera digital Sony, modelo DSC-P92, exposição 10/400, abertura f/5.6, ISO 100. Disponível através do link: http://br.olhares.com/paulopira.
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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

UMA POESIA...


Alguém muito especial

Todo dia, ao acordar,
logo penso em ALGUÉM.
ALGUÉM que venho a amar
como jamais amei ninguém.

É esse ALGUÉM quem me dá forças,
sem ao menos eu precisar.
Com ELE posso muitas coisas;
tudo o que eu imaginar.

Quando nós nos conhecemos,
foi apenas atração.
Hoje, porém, convivemos
com harmonia e devoção.

O nosso dia-a-dia
é repleto de alegria.
Se a tristeza tenta ancorar,
nem consegue nos desanimar.

Não há nada nesse mundo
capaz de me convencer.
Podem até tentar de tudo,
esse ALGUÉM nunca vou esquecer!

Vocês devem estar pensando:
De QUEM é que estou falando?
Pois então, prestem atenção:
Estou falando de JESUS CRISTO,
Meu amigo, nosso irmão!

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AUTOR: Alexandre Sesso, de Piracicaba-SP.
Texto publicado no Jornal de Piracicaba, edição de 25/12/2010.
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COMENTÁRIO - Paulo Cesar Paschoalini:
Recebi esta poesia de Alexandre Sesso, pai do Vítor, coleguinha de classe de minha filha. O Alexandre é uma dessas pessoas que a gente tem prazer em conhecer, mas essa vida corrida dificulta um pouco estreitar ainda mais o relacionamento. Agradeço pelo envio do texto e por autorizar a publicação. Uma mensagem de Natal, numa época em que muito se fala em presentes, mas pouco sobre espiritualidade.
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domingo, 28 de novembro de 2010

MINHA CRÔNICA:


O sonho não acabou
“... Me diz como pode acontecer, um simples canalha mata um rei, em menos de um segundo.” (Beto Guedes e Ronaldo Bastos em “Canção do novo mundo”)
No dia 8 de dezembro de 1980 o mundo despertou perplexo com o assassinato de John Lennon. A boca da arma de Mark David Chapman, um fanático (sempre eles!), calou para sempre a voz do ex-Beatle, com cinco tiros à queima-roupa. Uma atitude que até hoje suscita dúvidas quanto ao que motivou esse lunático a cometer tal ato de covardia. Existem fortes suspeitas de que Chapman foi apenas o executor e não o mentor do assassinato.

Arquivos do FBI divulgados na década de 90 revelaram uma preocupação das autoridades dos Estados Unidos com o músico, que tinha um estilo de vida pouco convencional para a época. Seus passos eram seguidos de perto e cada atitude de Lennon era objeto de investigações secretas e consequente fichamento por parte do “Bureau” norte-americano, que o considerava uma ameaça, já que ele cometia o “absurdo” de se posicionar abertamente contra as guerras, especialmente a do Vietnã, e pregava a paz através de manifestações públicas ou em suas composições, com em “Give peace a chance” (Dê uma chance à paz), gravada em 1969.

Porém, sua maior obra na carreira solo foi gravada dois anos mais tarde. “Imagine” se tornou o hino de uma geração e, com os acontecimentos do mundo de hoje, está mais atual do que nunca.

“... Imagine não existir países. Isso não é difícil de se fazer. Sem matar ou morrer e sem religião também. Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz...”

Para muitos essa música, que nos convida a uma reflexão, tem um conteúdo utópico. Para Lennon, no entanto, trata-se de um sonho perfeitamente possível de tornar-se realidade.

“... Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único. Eu espero que algum dia você se junte a nós e o mundo será um só.”

Quase quarenta anos depois de “Imagine”, quanto matar e morrer em nome de religiões ou fronteiras! Como é difícil viver em paz atualmente! Na música “Comentário a respeito de John” o compositor Belchior, em parceria com José Luis Penna, destaca a dificuldade em se conseguir a felicidade e a paz: “...John, eu não esqueço, a felicidade é uma arma quente.”

Realmente, pode parecer impossível mudar o mundo todo. Mas uma grande transformação só começa a se processar através de pequenas ações. Basta começarmos a mudar a nós mesmos e, a partir daí, pequenas mudanças para melhor ocorrerão, mesmo que seja apenas no pequeno mundo ao nosso redor. Quem sabe assim, aos poucos, um dia “o mundo será um só”, como sonhava John Lennon.

Aquela “árvore” que caiu há 21 anos espalhou suas sementes em todas as direções e a qualquer momento brotarão, para um dia darem os frutos esperados. Pena que essas sementes têm sido regadas apenas por lágrimas ultimamente. Infelizmente não nos damos conta de que a paz e a felicidade estão tão perto. Basta cultivá-las dentro de cada um de nós que certamente elas germinarão um dia qualquer.

Apesar de estarmos próximos de lembrar os 30 anos da morte de Lennon, gostaria de destacar também os demais Beatles, que não só marcaram uma geração como continuam a influenciar músicos atuais. Paul McCartney, que esteve recentemente no Brasil para realização de shows inesquecíveis, sempre com lotação esgotada. Tudo o que for dito sobre Paul deixará cada vez mais evidente sua genialidade, talento e carisma, ainda arrastando multidões. Melhor do que falar sobre ele é ainda ter o privilégio de ver suas apresentação e ouvir suas canções, mesmo que pela TV.

Já Ringo Star continua a ser discreto e, pelo que consta, com pouca ou quase nenhuma aparição pública.

Sobre George Harrison, outro Beatle falecido, pode-se dizer que o guitarrista dos Beatles era alguém sensível e talentoso e, por isso mesmo, não menos importante que os demais. Na carreira solo, encontrou o espaço que precisava para mostrar que também era um compositor extraordinário. Além do mais, deixou evidenciada a sua tendência espiritual, principalmente quando gravou em 1971 a música “My sweet Lord”, além de sua preocupação com as causas humanitárias. Também foi vítima de um atentado, sendo esfaqueado no peito por Michael Abram, um fanático (olha outro aí!) que invadiu a sua casa em Londres em 1999. Apesar desse fato isolado, viveu em paz consigo mesmo e sempre buscando uma integração harmoniosa com o universo.

Apesar de suas músicas imortais, cada integrante dos Beatles segue o caminho de qualquer outro mortal. Aos poucos, cada sonhador faz dos sonhos a sua realidade possível e sai de cena do palco da vida. Mas, na verdade, o sonho não acabou. Apenas a cada dia se renovam os sonhadores.

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini
- Crônica publicada na página A-2 do Jornal de Piracicaba, de 08/12/2001.
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COMENTÁRIO: O texto acima foi ligeiramente alterado da crônica original, levando-se em conta os dados atuais, como os shows de Paul McCartney que foram acrescentados, além da menção do tempo decorrido dos fatos.
Agradecimento especial a Joacir Cury, na época Editor Chefe do "JP", pela publicação da crônica.
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

UMA CRÔNICA...


Uma eleição para esquecer

Embora tivesse escrito dias antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2010, fiz questão de divulgar estas linhas apenas depois do “fato consumado”, para não ser taxado de apoiador deste ou daquele candidato.
Devo confessar que fiquei decepcionado com o resultado desta eleição. Não pelos números de votos que cada concorrente ao cargo máximo do governo teve, mas por tudo o que cercou essa corrida presidencial, em especial na internet.

Vi minha caixa postal de e-mails sendo bombardeada de informações bizarras e sem o menor fundamento. Sei que nenhum dos dois candidatos é modelo de santidade e nem têm um passado exemplar, mas aquilo que li foi de amargar.

De início achei engraçado, mesmo porque boa parte dos e-mails ou ridicularizavam a imagem deles, às vezes de maneira criativa, ou passavam informações tão fora de propósitos que acreditava ser piada. Afinal, bom humor faz bem a saúde.

O problema foi quando começaram a aparecer os tais e-mails divulgando “fatos comprovados”, “dados verdadeiros” e “opiniões indiscutíveis de pessoas renomadas”. Aí a situação ficou lamentável!

Informações infundadas, fatos distorcidos, números apresentados de forma isolada para distorcer a realidade de sua origem, entre outros expedientes, inundaram minha caixa postal e quase mataram por afogamento meu senso crítico. Além, é claro, daquelas tais meias verdades, que carregam em sua metade avessa um prejuízo muito maior do que uma mentira por inteiro.

Não me julgo profundo conhecedor do assunto, mas procuro me manter bem informado, na medida do possível, principalmente não aceitando informações como realidades incontestáveis sem antes checar fontes e analisar sob a ótica do bom senso.

Infelizmente, a grande maioria do que se noticiava não cabia num molde mínimo de verdade sob os olhares de uma consulta criteriosa de fatos e dados, ou uma análise imparcial de opiniões.

Há mais de dois milênios e meio o filósofo grego Sócrates ensinou a aplicação, em situações como a de agora, daquilo que ele chamava de “as três peneiras”: a da verdade, a da bondade e a da utilidade. Caso não atravessasse uma delas que fosse, não havia razão para se passar uma informação adiante.

Parece que tantos séculos depois ainda não aprendemos a lição! Qual destas notícias passaria pela primeira peneira?

Sei que alguns vão evocar Maquiavel, alegando que “os fins justificam os meios”, na defesa de algum candidato que acreditem ser “muito melhor”, ou para exorcizar um candidato que julguem ser “muito pior”. Mas qual a nobreza desse fim, afinal de contas?

Seria para alcançar um maior nível de compreensão e politização de seus pares, com um debate mais consubstancial de idéias, ou apenas para garantir sua convicção político/partidária, reafirmando seu ego de dono da verdade? Se esse é o fim, creio que jamais haverá meios que o levem a um termo justo.

Assim, nessa ânsia de provar a qualquer custo sua pretensa verdade, vão para o espaço a lisura, o caráter e os princípios, cravando dentro da alma uma terrível dúvida: se agimos dessa forma em casos como esse, será que se estivéssemos no lugar dos tão mal afamados políticos eleitos faríamos diferente do que eles fazem? Temo que a diferença seja apenas uma questão de abrangência do meio afetado.

Tenho convicção de que cada um pode e deve defender seu ponto de vista político, mas é preciso que fique claro que em política não existem cordeiros e, portanto, em parte, todos podem ter sua dose de razão. Não cabe neste tipo de discussão a visão maniqueísta que os divide entre aqueles que representam o bem e aqueles que encarnam o mal.

Mais do que isso, acredito firmemente que a função de cada cidadão é informar e não desinformar ou deformar fatos. Aliás, antes ainda, é informar-se, a fim de que o eco de suas palavras sirva para lançar mais luz aos incautos e não vendar-lhes ainda mais os olhos.

Por isso, essa propagação desenfreada de “verdades cibernéticas” traz um dano tal ao senso de realidade dos cidadãos menos politizados que, se não for mudado nos próximos pleitos, receio, poderá demorar gerações para ser reparado.

Lamentavelmente, o verdadeiro resultado dessa eleição, aquele que fica oculto sob o véu dos números da apuração, mostrou um despreparo ético e moral da maioria daqueles que defendem seu candidato muito maior do que o despreparo intelectual dos eleitores, algo já patente em nossa nação.
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AUTOR: Alex Francisco Paschoalini - Escritor, autor dos livros "Caminho das flores" e "Sociedade dos Sete Caminhos". É Psicoterapeuta Holístico e seu blog é http://centroelemental.blogspot.com.
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COMENTÁRIO - Paulo Cesar Paschoalini:
Crônica pertinente ao momento, onde gostaria de destacar o equilíbrio e imparcialidade com que abordou o tema, numa época em que a "deformação" passou a ser mais importante que a própria informação.
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

MINHA CRÔNICA:


Fábrica de heróis

A revista “Veja”, da Editora Abril, em uma das edições de agosto de 2009 trouxe em sua capa uma foto do nadador brasileiro César Cielo, com a seguinte manchete: “Enfim, um herói”. Sem dúvida uma justa homenagem a esse atleta nascido em Santa Bárbara D’Oeste, estado de São Paulo, que fica coladinha com Piracicaba, cerca de 30 km. O que chamou a atenção, no entanto, foi o termo “herói”, que eu me perguntei se seria o mais adequado. Afinal, necessitamos realmente de heróis?

Ao longo de minha vida, tinha aqui comigo que “herói” é aquele sujeito capaz de colocar a própria vida em risco para salvar alguém ou algo de relevância para a comunidade onde vive, que é mais ou menos próximo a uma das definições do Dicionário Aurélio: “Homem extraordinário por seus feitos guerreiros, seu valor ou sua magnanimidade”.

O termo “herói” muitas vezes pode ser utilizado no contexto de “salvador”, ou, mais precisamente, o desejo latente e a necessidade urgente de se ter um “salvador da pátria”, que possa nos redimir de tantos absurdos. Isso nos remete à uma frase de Millôr Fernandes: “Um país que precisa de um salvador, não merece ser salvo”.

É claro que tem expressivo valor o fato de ter batido o recorde mundial de natação e a conquista de duas medalhas de ouro no Mundial da modalidade realizado em Roma. Por esse feito extraordinário eu diria que ele é o mais novo ídolo do esporte brasileiro, mas seria realmente isso um ato de heroísmo?


Não sei ao certo se rotular alguém de herói é uma imposição da mídia ou uma necessidade da sociedade. Curiosamente, a mídia tem usado o “herói” sempre vinculado a uma figura do esporte.

Como exemplo, lembro-me muito vagamente que a crônica esportiva se esbaldou em chamar a seleção de 1970, de Pelé & Cia. de “Heróis do Tri”. Depois disso, recordo que o termo foi amplamente associado à figura de Ayrton Senna, tanto durante sua brilhante trajetória automobilística, como, principalmente, depois de seu falecimento, em maio de 1994. Com a morte desse piloto, meses depois a mídia já tratou de cultuar a figura de Romário como novo “herói”, em razão da conquista do tetracampeonato na Copa do Mundo daquele mesmo ano.

Assim que o “Baixinho” começou a sair de cena, devido às dificuldade um driblar polêmicas fora dos gramados, eis que surge em 1997 o tenista Gustavo Kuerten, que conquistou pela primeira vez o título de Roland Garros, um torneio do chamado Grand Slan, que seria a “nata” do tênis mundial. A repetição da conquista por mais duas vezes e o carisma de Guga colocaram-no como “herói” por muito tempo, até que o “cargo” ficou vago a espera de mais um sucessor. Depois da Copa de 2002, foi a vez de Ronaldo 
“Fenômeno”. Aí chegou César Cielo, mencionado no início dessa crônica. Convém lembrar que a cada interlúdio era a vez de dar destaque aos “heróis” de algumas das diferentes gerações do vôlei.

Entendo que o uso estaria inadequado, quase que banalizando um termo tão nobre. Entretanto, a vulgarização da palavra “herói” alcançou seu ápice quando Pedro Bial, que em certas ocasiões se comporta como um ex-jornalista travestido de apresentador barato de Reallity Show, passou a se referir aos participantes dos inúmeros Big Brothers como “meus heróis”.

Salvo esse caso, não me recordo de ter visto ou ouvido o termo “herói” ser usado com ênfase em qualquer outro segmento que não o esportivo. É inevitável uma indagação: será que heróis são somente aqueles que praticam esporte? Não existiria outro caminho para atos de heroísmo? O ideal não seria classificá-los como “ídolos”, o que, certamente, já seria uma grande deferência a atletas de renome?

A meu ver, heróis são aquelas pessoas anônimas, que diuturnamente dedicam, ou mesmo arriscam a sua vida para melhorar ou até salvar a vida de outro ser humano. Eu destacaria primeiramente o pessoal da área médica, que atende pessoas com doenças infecto-contagiosas, por exemplo. Também os bombeiros, que arriscam a vida em ocorrências que requerem sua presença. Ainda, policiais, que armados de um simples 38, enfrentam marginais munidos de “bazuca”. Vale destacar que a mídia dá muito mais destaque para fatos envolvendo policiais corruptos do que para aqueles que se ferem ou morrem no cumprimento do dever e que, diga-se de passagem, são muito mais do que imaginamos.

Além desses, temos ainda o cidadão comum que arregaça as mangas toda vez que uma catástrofe natural se abate sobre uma determinada região do país, assim como aconteceu alguma vezes em Santa Catarina. Ou, ainda, os mais diversos trabalhos voluntários praticados por abnegados Brasil afora.

Para a maioria das pessoas, as palavras “heróis” e “ídolos” se confundem. Existem algumas diferenças que para muitos pode ser mínima, mas que vejo como sendo significativas e relevantes: o ídolo é aquele sujeito que treina exaustivamente para aprimorar os dons que a natureza lhe deu, seja no esporte ou nas mais diversas expressões artísticas. Isso é de fato algo grandioso, que merece destaque na imprensa quando bem sucedido.


Já o ato de heroísmo é aquele quase sempre praticado por alguém do povo, que decide agir movido pela bravura, numa fração de segundos. É quase sempre movido por gestos de humanidade, mesmo sem se dar conta do risco a que está se submetendo.

É curioso notar que um ídolo normalmente é elevado a condição de herói e mantém seu lugar no “Olimpo” até quando perdure o interesse da mídia. Durante esse período, tem a oportunidade de engordar a sua conta bancária e ocupar as principais manchetes. Quando morre, é reverenciado pelos órgãos de comunicação e sua perda é lamentada por outras pessoas que, na maioria das vezes, também já se beneficiaram de exposições na imprensa.

Já o cidadão comum, quando comete um verdadeiro ato de heroísmo, nunca alcança a condição de ídolo, sendo condenado ao ostracismo. Seu padrão de vida será o mesmo de sempre e o interesse dos jornais e revistas, quando acontece, é de umas poucas linhas no rodapé de uma coluna qualquer, mantendo-se para sempre no anonimato, até que a morte o leve daqui, sem que tenha recebido o merecido reconhecimento.

Para finalizar, por falar em termos usados pela imprensa, eu destacaria um outro, que tem sido largamente publicado: “Congresso”. Hoje em dia por causa dos senadores, outrora por mazelas de deputados. Lembro-me que quando adolescente era guarda-mirim no CENA - Centro de Energia Nuclear na Agricultura, em Piracicaba-SP, trabalhando como uma espécie de “office boy”. Uma das minhas funções era entregar correspondências aos pesquisadores, nos diversos departamentos. Era comum ver cartas do exterior relativas aos mais variados tipos eventos. Congresso Latino-Americano, Congresso Ibero-Americano, Congresso disso, Congresso daquilo... Eu sentia imensa admiração e respeito por aqueles “congressistas”.

Hoje o termo está tão desgastado, porque não dizer deteriorado, que, pelo jeito, os pesquisadores e cientistas resolveram optar por chamar tais eventos de Seminários, Simpósios ou Conferências, talvez por não carregarem o rótulo pejorativo de “congressistas”. Aí você perguntaria: o que tem a ver “ídolo” e “herói” com “Congresso”?

De fato, rigorosamente nada. No Congresso Nacional não temos nenhum ídolo, muito embora na reeleição de muitos deles fique caracterizada uma certa idolatria de parte do eleitorado. Heróis, com certeza nenhum deles é. Pelo contrário, a maioria está mais para “anti-heróis”, ou porque não dizer, “vilões”.


Eu poderia dizer que a única relação entre o início e o final do texto, é que agora eu chego a conclusão de que realmente estamos precisando de heróis... Mas heróis de verdade... Aliás, super-herói... Creio que apenas um não conseguiria dar conta de tantos inimigos do povo. O melhor seria que tivéssemos muitos super-heróis, já que o que mais temos ouvido ultimamente é que existem maracutaias de congressistas “saindo pelo ladrão”.

Ladrão???... Opa!!!

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AUTOR: Paulo Cesar Paschoalini

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COMENTÁRIO:
Este texto está disponível na intranet do Banco do Brasil S/A - Acesse Sua Área - Cadernos - Palavras Cruzadas, publicado pela VITEC-Brasília em 10/09/2009 e acessível para mais de 100.000 funcionários.
Muito embora tenha sido publicada em 2009, entendo que o conteúdo é pertinente, já que estamos em plena época de eleições, onde muitos tendem a buscar por "heróis" nessas ocasiões.
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